As ideias aparecem quando anda a passear na rua, às vezes, quando sai para tomar um copo com os amigos. A única certeza de Denzil Ferreira, madeirense a estudar Informática nos Estados Unidos, é que não se vai a lado nenhum sozinho.
A história podia ser a do rapaz dos 'Rio Grande', o que estuda nos computadores por ser um emprego com saída. E, de facto, as oportunidades não têm faltado a Denzil Ferreira, o filho de emigrantes madeirenses em Guernsey. Tem um mestrado feito em Engenharia Informática e neste momento, ao abrigo do acordo entre a Universidade da Madeira e o Carnegie Mellon, está a estudar nos Estados Unidos. Já trabalhou em programas informáticos de gestão de pacientes de dentistas e até construiu um aparelho que permite saber se o telemóvel está a tocar, se tem uma chamada perdida ou uma SMS em espera. O rapaz que cresceu a meio de computadores diz, no entanto, que hoje passa menos tempo à frente do ecrã. As boas ideias surgem quando se está na rua, quando se olha para o Mundo e tenta perceber quais são os problemas das pessoas.
Nascido em Guernsey, onde os pais estavam emigrados, o estudante de mestrado em Interacção Homem-Máquina sempre foi assim, sempre aproveitou as oportunidades. "Tive a sorte de ter crescido numa altura em que a informática entrou no nosso quotidiano, e passou a ser possível desfrutar das últimas novidades em casa". Denzil Ferreira não esquece que, ainda na infância e muito por causa da visão da família, recebeu formação essencial para o futuro, mas o início dos estudos superiores não foi linear. "Após um ano na Faculdade de Ciências na Licenciatura de Informática, mudei de curso para Engenharia de Informática na Universidade da Madeira, porque queria estar perto de casa na altura".
Nesse Verão, enquanto as aulas não começavam, inscreveu-se num curso profissional de programação lançado pela ACIF e, para o estudante de mestrado em Carnegie Mellon, a vida mudou ai, com esse curso. "A minha vida mudou completamente. Com um curso profissional em programação, abriu-se uma oportunidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo na Expedita SA, onde aprendi imenso sobre Engenharia de Software, responsabilidade do trabalho e mais importante, trabalho de equipa. Durante a minha licenciatura, conciliar trabalho e estudos e ainda tempo para família e amigos fizeram-me aprender a gerir o tempo que veio a tornar-se extremamente útil".
O facto de trabalhar não lhe tirou a vontade de continuar a estudar e, assim que concluiu a licenciatura, entrou para o mestrado em Engenharia Informática. Denzil Ferreira optou por disciplinas de desenvolvimento de sotfware. Tive o prazer de conhecer e trabalhar com o Prof. Leonel Nóbrega para a minha tese de mestrado, onde estudei como capturar informações de rastreabilidade para modelação de Software. Durante o meu mestrado, conheci também professores de Carnegie Mellon University, que motivaram-me para prosseguir com os meus estudos. Graças ao esforço feito pelo Prof. Nuno Nunes em promover a aliança entre a Universidade da Madeira e Carnegie Mellon University, candidatei-me para o Mestrado em Interacção Homem-Máquina (Masters in Human-Computer Interaction), já nos estágios finais da apresentação da tese".
Mal acabou o mestrado na Universidade da Madeira seguiu para outro, juntamente com Maria Freitas, Marco Silva, Andreia Nóbrega e Ricardo Jesus, os restantes membros do grupo da Madeira que prossegue os estudos nos Estados Unidos, em Pittsburgh. Por lá já trabalhou no departamento de informática dentária e na criação de sistema de gestão de pacientes, na gestão de colecções de livros. Tive a felicidade de conhecer o Prof. Anind Dey, com quem trabalhei e criamos juntos um calendário para famílias coordenarem actividades entre si. Outro professor foi o Prof. Mark Gross, com quem aprendi a criar robots e a integrar todo o tipo de aparelhos electrónicos, onde criei um aparelho que me diz quando tenho o meu telemóvel a tocar, chamada perdida ou uma SMS á espera".
O trabalho, os projectos e as ideias continuam. "Criei uma caixa de correio inteligente que me diz no telemóvel quando tenho uma carta á espera. Com a Prof. Valentina Nissi e o Prof. Nuno Nunes idealizámos um serviço de apoio para condutores de carros eléctricos, e terminamos a primeira parte do projecto de HCI, que visa ajudar trabalhadores que requerem mobilidade e permitir ao mesmo tempo um equilíbrio entre trabalho e família". Denzil sente estes projectos como seus, mas não esquece que o sucesso depende muito do trabalho de equipa. "Ninguém vai a lado nenhum sozinho, e que todo o trabalho desenvolvido é motivado não só pelos professores, como toda a família HCI que é estabelecida ao longo do mestrado. Com toda a criatividade existente à nossa volta é impossível não ser contagiado".
Apesar do trabalho ligado ao computador, este madeirense deixa claro que actualmente passa mais tempo a observar o Mundo do que em frente ao monitor. A ideia é perceber as pessoas, quais os seus problemas, o que se pode fazer para garantir mais conforto, mais qualidade de vida. "Passo mais tempo a observar o Mundo, tento ver com outros olhos, no qual tento perceber quais são as frustrações de muitos. E passo mais tempo a fazer isso do que passo no computador. Muitas vezes as ideias surgem quando saímos para uma poncha (talvez seja o efeito do álcool!) ou quando estamos por e simplesmente a passear pelos ruas. Faço hoje algo que me dá prazer: perceber e resolver problemas do Mundo".
A vida está cara em todo o lado... É como...




