Vontade de vencer

Sara e Pedro são os primeiros alunos de teatro a seguir do Conservatório para o estrangeiro

15 Set 2017 / 02:00 H.

Sara Luz e Pedro Araújo são dois alunos finalistas do Curso Profissional de Artes do Espectáculo – Interpretação, do Conservatório, os primeiros a seguirem os estudos superiores directamente da Escola Profissional das Artes da Madeira – Eng. Luiz Peter Clode para o estrangeiro. O curso que abriu no ano lectivo de 1999/2000 já há algum tempo que vem formado alunos para o ensino superior no continente. Estes dois vão frequentar universidades em Inglaterra e não contam regressar às origens.

O meio é pequeno e o teatro profissional ainda tem um longo caminho a percorrer, justifica Pedro Araújo, não colocando de parte a possibilidade de no futuro ajudar nesse processo de desenvolvimento. Nesta fase, os estudantes querem entranhar na pele as experiências de um país multicultural, sorver conhecimentos das inúmeras fontes disponíveis e trilhar caminhos incertos na certeza que só podem levar ao sucesso. Não há grandes planos.

Curiosamente, nenhum dos dois pertenceu a grupos de teatro antes ou durante a formação no Conservatório. Sara tem 18 anos, é do Funchal e tem gosto pelas artes, da música à dança, passando pela representação, que descobriu sobretudo nos três anos na instituição de ensino que lhe conferiu equivalência ao 12.º ano. Pedro, de 17, de Câmara de Lobos, chegou a frequentar algumas formações, tendo nos corredores do Conservatório se transformado nas personagens que moldaram os seus sonhos.

Sara desde muito nova gosta das artes em geral. Conta que não podia seguir algo que não a ia fazer sentir bem, realizada. “Decidi arriscar num curso profissional, mesmo não sabendo aquilo que me esperava”, confessou. Foi aí que tudo começou. Entretanto, cresceu, em centímetros, a nível pessoal e nos conhecimentos artísticos. “Ganhei outra ideia do que é o teatro, também do mundo”. O crescer mais rápido, desenrascar-se perante certas situações, conseguir dar a volta e nunca desistir fizeram parte da aprendizagem.

No percurso dos últimos três anos participou em quase uma dezena de trabalhos. As últimas participações foram em ‘Anne Frank’ e na Prova de Aptidão Profissional, o exame final. Representou ‘Traição’ de Harold Pinter. Agora sente-se pronta para encarnar outras personagens. “Qualquer tipo de personagem fascina desde o momento em que nos desafia, nos faz pesquisar mais, procurar mais, nos interrogar mais. (...) Cada personagem faz-nos aprender não só a nível pessoal, mas também faz passar para o exterior uma verdade, aquilo que nós sentimos”.

A jovem vai estudar na Coventry University, o jovem na Middlesex University. Ela escolheu seguir os estudos fora porque sempre quis sair. “Pesquisei muito bem. É óbvio que só com três anos de curso nós questionamos sempre ‘será que?’”. Acredita que não é por as pessoas estarem numa ilha que não são capazes de conseguir. Sente que já conseguiu parte e quer conseguir mais. “É um dia de cada vez. Nunca podemos fazer muitos planos porque a vida encarrega-se de mudar as voltas”.

Para Pedro é a concretização de um sonho. Poderá ser encenador, actor, o que importa é trabalhar no teatro profissionalmente e expandir os horizontes. A escolha pela Inglaterra prendeu-se com o ser um dos centros do teatro mundial e pelo que lhe poderá proporcionar, admitiu.

Para Pedro, o bilhete é de ida. “Aqui na Madeira o teatro amador está muito desenvolvido, mas a nível profissional ainda há um longo trabalho a fazer. Como eu quero trabalhar no teatro profissional, eu sinto que tenho de ir para longe para continuar a desenvolver as minhas aptidões”.

Ganhou competências pessoais e profissionais e força para avançar numa área difícil, com um empurrão dos pais. Neste campo também Sara foi feliz. “Sabem que é o meu sonho, que é para o meu bem”, diz em relação à reacção da família.

Ambos partem muito em breve para outros voos.

“Eu sinto que tenho de ir para longe para continuar a desenvolver as minhas aptidões”

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