‘Volcan de Tijarafe’ volta à Região

Ligação entre Funchal e Portimão será feita em 23 horas. Primeira partida está marcada para 2 de Julho

17 Mai 2018 / 02:00 H.

O ‘Volcan de Tijarafe’, ferry que efectuava a ligação entre o Funchal e Portimão em 2012, vai voltar a operar no mesmo percurso.

A garantia é dada ao DIÁRIO pela Empresa de Navegação Madeirense à qual, na passada quinta-feira, o Conselho do Governo adjudicou a concessão de serviços públicos de transporte marítimo de passageiros e veículos, através de navio ferry, entre a Madeira e o Continente Português.

A empresa do Grupo Sousa assegura que para além de respeitar o caderno de encargos, iguala as condições anteriores em termos de oferta ao fretar o navio já conhecido dos madeirense à Naviera Armas. Ou seja, a viagem entre os dois portos portugueses é feita em menos de um dia num navio com 11 anos, “caíndo assim por terra as ‘fake news’ que apontavam para velocidades de 18 nós – que era apenas a proposta de velocidade mínima –de durações a rondar as 27/28 horas e de um navio velho com quase 30 anos”.

A ENM garante ainda que as viagens custam menos de 60 euros. O valor a desembolsar por estudantes é de 51 euros, ida e volta, menos sete euros do que os residentes na Região vão pagar.

O calendário da operação para este ano também já está definido. A primeira viagem começa a 1 de Julho (domingo) com saída de Tenerife às 20h15 e chegada ao Funchal no dia 2 (segunda-feira) às 08h15. A saída do Funchal com destino a Portimão está agendada para 2 de Julho às 10h30 com chegada prevista a Portimão às 9h30 do dia 3 (terça-feira). A saída ocorre nesse mesmo dia (3) às 12h30 com destino ao Funchal. A chegada ao Funchal no dia 4 (quarta-feira) ocorrerá pela 12h30 com saída nesse mesmo dia às 18h para Las Palmas onde o ‘Volcan de Tijarafe’ chega às 6 horas da manhã do dia 5 (quinta-feira).

As viagens repetem-se todas as semanas no mesmo horário e nos mesmos dias da semana durante 12 rotações, sendo que a última operação termina a 20 de Setembro de 2018.

Características do ferry

Comprimento: 143 metros.

Boca: 25,60 metros

Calado: 5,70 metros

Potência propulsora: 2x14.000 HP (Total 28.000 HP)

Tonelagem de registo: 20.500 GT

Velocidade de cruzeiro: 24,5 nós

Capacidade: 1.000 passageiros

Número de camarotes: 56

Número de camas: 206

Capacidade de carga: 1.500 ML + 300 automóveis

Primeira viagem: Fevereiro de 2007

Entusiastas elogiaram navio “magnífico”

O ‘Volcan de Tijarafe’ deixou saudades. Os entusiastas do ferry e sempre defensores do regresso da Naviera Armas à operação consideram o navio como “moderno, rápido, espaçoso, seguro, confortável e estável”, como escreveu em Outubro de 2015 neste diário Paulo Melich Farinha, enfatizando a “plena satisfação da maioria dos passageiros que viajaram neste magnífico ferry”.

Um satisfação que não suficiente para aguentar a Naviera Armas que a 27 de Janeiro de 2012 anunciou que desistia da linha Canárias-Madeira-Portimão. Na altura culpou exclusivamente o Governo Regional por este desfecho, visto que recusou um pedido de redução de taxas portuárias feito pela companhia espanhola.

A 31 de Janeiro desse ano, dia da última escala do ‘Volcán de Tijarafe’, o presidente do Governo Regional considerava que a Região foi chantageada pelos responsáveis da Naviera Armas. Alberto João Jardim diz ter tomado conhecimento do pedido de isenção de taxas portuárias, já depois de o armador ter conversado com os clientes na Madeira sobre a necessidade de aumentar o preço do frete em entre 30 e 40%.

“Um pontinho no meio do Atlântico”

Agora cabe ao Grupo Sousa fretar o navio à Naviera Armas que não alinhou no concurso público por uma razão muito simples: não querer assumir o risco de operar numa linha deficitária, garantem fontes próximas do grupo espanhol.

Em 2011, o último ano de operação, a linha registou um prejuízo de 6 milhões de euros segundo informação prestada ao Governo Regional a 3 de Fevereiro de 2012 como justificação e motivo para abandonar a linha.

Aliás, a falta de rentabilidade e os elevados prejuízos da linha são apontadas como razões para o impasse verificado desde a promessa eleitoral de 2015 e a concretização da operação. Foram três anos de espera. Numa primeira fase, o Governo consultou sete armadores, cinco dos quais internacionais, e não obteve qualquer proposta. Depois surge o primeiro concurso público para uma operação anual, com 13 potenciais concorrentes a levantar o caderno de encargos, mas mais uma vez sem propostas. Finalmente surge o concurso público para uma operação com o mínimo de 12 viagens anuais, com 4 potenciais concorrentes a levantar o caderno de encargos, mas só com uma única proposta a surgir através do Grupo Sousa. O maior armador português, com sede na Madeira, foi o único a corresponder às exigências apresentadas. “Será que é por ser da Madeira? Se não for quem está no mercado, ninguém quer saber de um pontinho no meio do Atlântico”, assume ao DIÁRIO um dos concorrentes que assegura não ter disponibilidade para enfrentar o “difícil desafio”.

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