Vizinho tentou burlar idosa na compra de terreno

Mulher do Arco da Calheta recusou assinar contrato e foi abandonada no Funchal

14 Fev 2018 / 02:00 H.

Uma idosa que vive sozinha no Arco da Calheta foi abandonada por um vizinho no Funchal, sem um cêntimo na carteira, como retaliação pelo facto de a mulher se ter recusado a assinar, num cartório notarial, o contrato de compra e venda de um terreno. Este caso, que pode configurar abandono de pessoa idosa e tentativa de burla, segue agora para o Ministério Público.

Segundo apurou o DIÁRIO, a vítima é uma senhora de 66 anos, residente na freguesia do Arco da Calheta. O suspeito é um vizinho que há algum tempo andava a tentar convencê-la a vender um prédio rústico, com potencial de construção, no concelho da Calheta.

O homem insistiu tanto que por fim fez jus ao adágio popular: ‘água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Acenou com um determinado valor para a compra do cobiçado imóvel e a mulher acabou por aceitar fechar negócio através de um acordo verbal.

A vontade do vizinho em registar o terreno no seu nome era tanta que queria despachar o assunto no próprio dia. Contudo, exigia que a transacção tivesse lugar num cartório notarial do Funchal.

A idosa, que vive sozinha e não tem carro nem carta, sugeriu que o assunto ficasse para o dia seguinte, pois apanharia o autocarro logo pela manhã. Mas o homem apressado prontificou-se a oferecer-lhe boleia no seu automóvel, convencendo-a de que seria uma viagem bem mais cómoda. E acabou por ser. Mas apenas num sentido.

Os vizinhos sentaram-se à mesa do cartório notarial para formalizar o contrato de compra e venda do imóvel, a tinta já corria sobre o papel, quando a mulher reparou que o valor inscrito não correspondia àquele que tinha sido proposto verbalmente. Posto isto, a idosa levantou-se e decidiu que não assinava o documento.

O homem esteve à beira de um ataque de nervos e as partes entraram em conflito. Como ninguém se entendia, o notário deu por encerrado o caso, aconselhando ambos a procurarem um consenso. Mas isso não aconteceu. Revoltado por não ter conseguido os seus intentos, o homem abandonou a vizinha no Funchal como forma de retaliá-la por não ter assinado o documento.

Sem conhecer as ruas da cidade do Funchal, a mulher ainda mais aflita ficou porque não estava preparada para regressar ao Arco da Calheta pelos seus próprios meios. Não só contava com a boleia do vizinho como também não tinha um cêntimo na carteira, pois mantinha a expectativa de que iria regressar a casa com um envelope cheio de notas.

Aflita, andou a tentar encontrar uma solução pela cidade, até que anoiteceu. Por fim, pediu ajuda a um transeunte, tendo um deles encaminhado a idosa até à esquadra do Funchal onde acabou por relatar o sucedido. A PSP abriu um inquérito. Em causa poderão estar crimes como burla sob a forma tentada ou mesmo abandono de pessoa idosa.

Mas vendo por outro ângulo, este caso até terminou com um final feliz. A mulher foi perspicaz o suficiente para detectar a burla de que alegadamente estava a ser alvo como também ganhou a boleia da PSP. Chegou a casa fora de horas, é verdade, mas sã e salva, de consciência tranquila e com aquele cobiçado terreno que certamente não voltará a negociar com o vizinho.

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