Violência doméstica e negligência em debate

22 Abr 2017 / 02:00 H.

O encontro promovido pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJPS) local, procurou sensibilizar diversas entidades para a prevenção desse fenómeno. “A sociedade tem a responsabilidade de intervir“, afirmou Leila Pedro, uma das oradoras do encontro. “Cabe-nos a nós decidir se somos parte do problema ou a solução”, acrescentou a psicóloga.

“As crianças são pessoas indefesas, expostas a comportamentos de risco e a desenvolver já esses mesmos comportamentos”, acrescentou Adozinda Monteiro. Para a presidente da CPCJPS, importa sensibilizar todos os responsáveis, desde professores, a educadores, médicos e agentes da segurança para que “tomem as devidas precauções”, no combate a esse flagelo.

Segundo os responsáveis, os problemas que afectam a ilha não são diferentes do resto do panorama nacional, com particular incidência na exposição à violência doméstica. Para Adozinda Monteiro, o combate ao secretismo que rodeava o fenómeno da violência doméstica tem permitido um maior número de sinalizações e maior protecção das crianças e jovens que estejam vulneráveis. “A violência doméstica é crime público ”, assinalou.

Além das diversas palestras apresentadas pelos profissionais da saúde, o ‘Iº Encontro - Criança: Ontem, Hoje e Amanhã’ promoveu a construção de um mural alusivo à prevenção dos maus tratos, diversas brincadeiras para crianças e jovens, como bicicleta ou andar de cavalo e um momento artístico pelo Centro de Actividades Ocupacionais.

Estudos apontam para danos físicos e psicológicos profundos

As crianças sujeitas a maus-tratos como a negligência extrema, o abuso sexual, a violência doméstica, um encarceramento de uma pessoa de família ou um divórcio, têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardíacas ou na área do cancro e da obesidade.

Segundo um estudo realizado junto de 17.500 jovens, apresentado neste Iº Encontro, as crianças que sofrem maus-tratos na infância têm até 12 vezes maior probabilidade de se suicidarem, além de impactos no próprio DNA.

Afinal, “a melhor forma de tratar um problema é impedir que aconteça”.

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