900 pessoas por ano

“É uma doença do idoso”, embora afecte cada vez mais pessoas novas, diz rafael freitas

28 Out 2017 / 02:00 H.

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC). De acordo com Rafael Freitas, coordenador da Unidade de AVC do SESARAM, na Região são anualmente internadas no hospital cerca de 900 pessoas vítimas desta doença.

O médico revelou que esta problemática afecta mais os homens do que as mulheres. E, apesar de ser “uma doença do idoso”, disse que tem havido cada vez mais casos em idades precoces. “O que é uma situação alarmante, pois sabemos que o AVC é em cerca de 70% uma doença prevenível antes dos 75 anos e geralmente acontece devido aos estilos de vida pouco saudáveis, como o sedentarismo, a alimentação desadequada (‘fast food’) e alguns vícios como o alcoolismo e o tabagismo”, sustentou.

O coordenador da Unidade de AVC do SESARAM adiantou ainda que a raça negra é mais propensa ao AVC, por maior prevalência da hipertensão, sendo este o principal factor de risco para a doença cerebrovascular. Mas além disto, fez saber que outros dos principais factores de risco vascular clássicos são a dislipidemia (colesterol e triglicerídeos), diabetes, obesidade, alcoolismo, tabagismo e a arritmia cardíaca conhecida como fibrilação auricular.

Rafael Freitas referiu que o doente uma vez acometido por AVC terá sempre consequências, por vezes ligeiras como lentificação do raciocínio ou da motricidade, até a dependência absoluta de terceiros, nas quais a pessoa não consegue andar, nem fazer actividades de vida diária, como se lavar ou comer sozinho, necessitando de ajuda de terceiros para satisfazer necessidades básicas.

“Nos casos mais ligeiros e principalmente nos casos de AIT [Acidentes Isquémicos transitórios], nos quais as pessoas têm sintomas neurológicos por menos de 24 horas [alterações da linguagem, motoras ou sensitivas[ e sem lesões documentadas por TAC ou ressonância no cérebro, o doente pode ficar sem nenhum tipo de sequela [cicatriz], mas serve de aviso que há anomalias nas artérias cerebrais que devemos impedir que se agravem. Neste caso, os doentes podem ter uma vida completamente normal”, acrescentou.

O médico afirmou que no SESARAM, e essencialmente na parte hospitalar, o mais importante é o tratamento e aí há novidades, pois a causa de um AVC é em 10% uma hemorragia (uma artéria que rompeu) e em 90% uma artéria que ficou obstruída (tapada) e não deixa o sangue passar, levando ao sofrimento e morte das áreas alimentadas pela artéria em questão.

Rafael Freitas adiantou que há duas maneiras de desobstruir esta artéria, sendo a mais simples através da administração de uma substância que tenta dissolver o coágulo quando este não é muito grande.

“Nos casos de obstrução por grandes coágulos temos que levar até o local de oclusão um dispositivo que o aspira. É uma terapêutica de reperfusão endovascular, chamada trombectomia e é muito semelhante ao que já se faz há anos com os cateterismos para desobstrução das artérias coronárias do coração. Esta última arma terapêutica é recente, aprovada no fim de 2015 e disponível na RAM a partir de Março de 2017”, explicou.

Tendo isto em conta, disse que “a melhoria dos doentes é fantástica”, mas implica que cheguem rapidamente, menos de seis horas, a um serviço de urgência com capacidade de efectuar estes tratamentos, que no caso da RAM é o serviço de urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça.

“No hospital, quando se trata estes doentes procuramos dentro dos mesmos, assim como junto dos familiares e amigos, mas principalmente a nível dos Centros de Saúde sensibilizar para a prevenção primordial (estilos de vida saudável), primária (principais factores de risco vascular como a hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo) e secundária, após ter ocorrido a doença como o AVC ou e enfarte agudo do miocárdio, também alertando e corrigindo os factores de risco vascular clássicos, referidos anteriormente na prevenção primária”, referiu.

Rafael Freitas frisou que o reconhecimento do AVC é feito pela presença dos chamados três ‘F’, ou seja, se alguém notar qualquer alteração da Face, Fala ou Força deve levar o paciente imediatamente a um serviço de urgência para ser avaliado, pois quando mais tarde for tratado pior é o prognóstico, por melhores que sejam os tratamentos.

“Os doentes com suspeita de estarem a ter um AVC devem recorrer imediatamente a um serviço de urgência com capacidade de diagnóstico e tratamento desta doença, que na Região só é possível no serviço de urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, onde é atendido imediatamente através da Via Verde do AVC, que é uma via prioritária para que se faça os exames analíticos e de imagem [TAC] rapidamente e em caso de confirmação das suspeitas iniciar um tratamento de desobstrução da artéria obstruída o mais brevemente possível, dentro das seis horas, desde o início dos sintomas”, concluiu.

Hipertensão, diabetes, obesidade, arritmia cardíaca, alcoolismo, tabagismo e alimentação desadequada são os principais factores de risco da doença.

O reconhecimento do AVC é feito pela presença dos três ‘F’. Ou seja, alteração da Fala, Face e Força, sendo que a pessoa deve ser encaminhada para as urgências.

No Hospital Dr. Nélio Mendonça, o paciente é atendido através da Via Verde do AVC, sendo que confirmadas as suspeitas é iniciado o tratamento de desobstrução da artéria.

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