Versões contraditórias sobre incidente mortal

06 Dez 2017 / 02:00 H.

Uma queda involuntária ou uma agressão fatal. Eis os dois cenários distintos que foram apresentados, ontem, na Instância Central da Comarca da Madeira para o incidente ocorrido a 2 de Outubro de 2015 na Terceira Lombada da Ponta Delgada e que resultaria na morte de Mário da Silva, um cidadão inválido, de 56 anos.

Sabe-se que naquele dia apareceram cartazes (folhas A4) com a inscrição ‘Vende-se’ na casa dos familiares da vítima e que devido a esse facto, visto como uma provocação, Mário da Silva foi pedir satisfações ao arguido, um vizinho de nome João Freitas, um sargento do Exército de 47 anos. Terá sofrido ferimentos, a polícia foi chamada ao local e a vítima transportada para o centro de saúde e depois para o Hospital, onde veio a ser operado devido a ferimentos crânio-encefálicos. Ficou em coma após a operação e viria a falecer dois meses depois.

Estes são os factos assentes. A partir daqui as versões apresentadas em tribunal divergem. A acusação do Ministério Público e algumas testemunhas apontam o dedo a João Freitas e responsabilizam-no por uma agressão fatal, designadamente por ter atirado ao chão a vítima.

Já o arguido contou uma história bem diferente e desmentiu ter protagonizado qualquer agressão. Segundo o sargento, foi o vizinho quem, em estado muito alcoolizado, veio ao seu encontro e se agarrou aos seus colarinhos, o que provocou a queda de ambos ao chão. João Freitas relatou ao colectivo presidido pela juíza Teresa Miranda que depois, e devido ao seu estado de alcoolismo, o vizinho caiu, sozinho, por diversas vezes ao chão, dando a entender que os ferimentos na cabeça da vítima terão sido resultado dessas quedas.

Este julgamento prossegue na próxima terça-feira, já que ontem, além do arguido, apenas foram ouvidas testemunhas arroladas pela acusação. Tudo indica que o acórdão só será conhecido no início do próximo ano.

Caso de infidelidade iniciou a ‘guerra’ há 50 anos

O incidente fatal ocorrido em Outubro de 2015 foi o mais grave de uma longa série de quezílias que envolvem duas famílias residentes na Terceira Lombada da Ponta Delgada. De um lado estão os Claudinos (família da mulher da vítima mortal, Mário da Silva) e do outro os Freitas (família da mulher do suposto agressor, João Freitas). Segundo revelou uma testemunha em tribunal, na origem de tudo esteve uma situação de infidelidade ocorrido há cerca de 50 anos e que envolveu um homem da família Claudino e uma mulher da família Freitas. A situação caiu tão mal que desencadeou um historial de brigas entre as duas famílias que dura até hoje. Entre os membros dos dois clãs não há conversas. Mário da Silva (na foto), que só por afinidade pertence a uma das famílias desavindas, foi a primeira vítima mortal desse jogo perigoso.

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