Vai ser preciso ‘geringonça’

PSD tem cinco pontos de vantagem sobre o PS, margem que não garante maioria absoluta. O estudo da opinião da Eurosondagem também mostra que a governabilidade da Região implica aliança, que tanto pode ser de direita, como de esquerda

14 Fev 2018 / 02:00 H.

A luta política está tão renhida que não há, nesta altura, uma inequívoca tendência de resultado. A incógnita persiste como demonstra o mais recente estudo de opinião da Eurosondagem, graça à aparente melhoria do PSD, embora encaixada na margem de erro do estudo, ao demérito de alguma oposição e à estagnação generalizada.

Nesta altura, a bipolarização assenta em dois grandes blocos políticos que se equivalem e se anulam. As preferências do eleitorado geram assim uma indefinição que o tempo, a governação e o escrutínio podem ajudar a dissipar.

Se as próximas eleições Regionais - que em princípio deverão ocorrer em 2019 - fossem hoje nenhum partido teria maioria absoluta e seria necessário haver uma ‘geringonça’ de direita ou de esquerda para tornar a Madeira governável.

Mesmo que distante da dinâmica de vitória de outros tempos, o PSD é ainda a força mais votada. Contudo, com 38,5% e 20 ou 21 deputados não consegue segurar o poder. Na melhor das hipóteses, só continua a mandar nos destinos da Região se aliado ao parceiro tradicional.

Mas também é verdade que uma aliança de direita composta por PSD e CDS pode não chegar para garantir a maioria absoluta. O pior dos resultados projecta 23 deputados a obter pelos dois partidos, já que o CDS, estagnado, com uma projecção de 5,9%, só obteria três mandatos.

Face a sondagem anterior (ver destaque), publicada há três meses e meio, o PSD recupera timidamente dois pontos percentuais, enquanto o PS estabiliza nos 33,2%, não se notando ainda qualquer efeito imediato da nova liderança, nem do trunfo presidencial Paulo Cafôfo.

A projecção rende aos socialistas 17 ou 18 deputados, o que abre espaço para a afirmação de uma geringonça regional, reforçada com o JPP. A junção da esquerda tradicional com o Juntos pelo Povo renderia na melhor das hipótese 24 deputados e a maioria absoluta. Mas também pode não dar para arrumar com os intentos da direita parlamentar.

O Bloco de Esquerda, com 4,9%, melhora ligeiramente face a sondagem anterior, enquanto que em sentido contrário surgem CDU e PTP, ambos correndo o risco de perda de um deputado na Assembleia, o que a confirmar-se nas urnas, levaria a que os comunistas perdessem o grupo parlamentar e ditaria a saída de cena dos ‘trabalhistas’.

Este estudo de opinião, feito já depois do congresso do PS, demonstra que no desdobramento por concelhos, o PSD tem melhor resultado fora do Funchal do que na capital madeirense, onde está praticamente empatado com os socialistas (31,3 contra 29,7%), ao invés do PS, BE e CDU. O CDS, o JPP e o PTP valem menos no Funchal do que no resto da ilha.