“Vai deixar mais rasto do que parece”

Maioria dos partidos aprova o barco fretado para assegurar a ligação ferry

18 Mai 2018 / 02:00 H.

O ferry ‘Volcan de Tijarafe’, navio que está de regresso à Madeira para assegurar, este Verão, a ligação entre o Funchal e Portimão, agora na condição de fretado pela Empresa de Navegação Madeirense à Naviera Armas, agrada à maioria dos partidos políticos.

Para o PSD-M “este era claramente o navio desejado pela população”, considera Jaime Filipe Ramos, líder do Grupo Parlamentar. Objectivo só possível porque “o GR cumpre claramente uma das suas obrigações eleitorais e reforça aquilo que tem sido o mandato” ressalva, embora chame a atenção que “esta obrigação deveria ser do Estado e não da Região, porque estamos a falar de continuidade territorial”.

“A parte que o GR tinha obrigação de fazer já o fez e essa é a parte que traz ao PSD um grau elevado de satisfação porque o Governo cumpriu a sua obrigação. Agora essa correspondência cabe, não só ao operador, como também à população aderir. Os preços acessíveis são condições boas para que seja uma operação de sucesso”, perspectivou.

Também satisfeito com o ferry, mas não com o Governo, ficou o PS-Madeira.“O GR mais uma vez fica a meio caminho das promessas, porque prometeram um ferry para o ano inteiro e o que apresenta aos madeirenses é um ferry para três meses. É de lamentar, mais uma vez, que Miguel Albuquerque falhe a palavra dada ao povo da Madeira. Tanto mais que a expectativa era que logo que o Governo tomasse posse iniciava este dossier e concluísse rapidamente e o que se chega de conclusão é que em quatro anos vamos ter o ferry durante seis meses”, destacou Victor Freitas, líder do Grupo Parlamentar. Satisfação apenas com “o regresso de um barco que já é do conhecimento dos madeirenses e que teve o agrado do povo da Madeira. Esperemos é que de facto exista uma boa adesão e que venha a potenciar no futuro o cumprimento integral daquilo que são as expectativas legítimas dos madeirenses, que é ter uma linha ferry entre a Madeira e o Continente durante todo o ano”, reclamou.

O mesmo entendimento tem o JPP. “Congratulamo-nos com a vinda do ferry. È um ponto de partida para o cumprimento integral da promessa eleitoral, porque a promessa eleitoral e o que está no Programa de Governo é uma linha contínua, progressiva e regular. Nenhuma cadeia logística regional se interessará por uma alternativa de transporte cuja regularidade seja inferior a seis meses”, garante Élvio Sousa, secretário-geral do JPP.

Congratula-se que o barco fretado é bem melhor do que aquilo que o Caderno de Encargos exigia. Também porque inclui a “muito interessante” ligação inter-insular. “Vai deixar mais rasto do que parece”, perspectivou.

O CDS-PP, que sempre teve “a preocupação que o navio que viesse tinha de ser um navio com condições para que, madeirenses e porto-santenses, pudessem viajar com conforto e no menor tempo possível”, a notícia ontem avançada em primeira mão pelo DIÁRIO deixou Lopes da Fonseca, líder regional do partido, contente “pelo facto de vir o navio que toda a gente elogiou quando foi a última operação feita na Região. É um navio que tem todas as condições mínimas necessárias de conforto e até em termos de velocidade, porque vai demorar menos de 24 horas”, destacou.

Destacou também como positivo a ligação a Canárias. “Só é pena que esta ligação só seja assegurada por apenas três meses, quando inicialmente, tinha sido compromisso do PSD, seria ao longo do ano”, lembrou.

BE, PTP e o deputado independente, Gil Canha, relativizaram a escolha do navio.

Paulino Ascensão considerou “secundário” ser o navio A ou B, por entender que “o que seria importante era que houvesse ligação o ano inteiro, que houvesse abertura para o navio transportar carga, porque isso é que garante a viabilidade, e que essa operação permitisse trazer mais concorrência nessa área do transporte de carga na Madeira que está entregue ao monopólio, mas com este concurso ‘feito à medida’, o GR só veio reforçar o monopólio”.

Também José Manuel Coelho, líder do PTP-M, embora reconhecendo que esta ligação “é uma necessidade e uma aspiração dos madeirenses”, contestando “o ‘modus operandi’ do Governo aliado à justiça para proteger os grandes senhores do dinheiro”, acusou.

Já Gil Canha diz que “este fretamento do ferry é dos maiores escândalos que aconteceu na Madeira jardinista e albuquerquista. Só numa terra tão próxima de África é que acontece negócios destes”, concluiu.

Edgar Silva, coordenador do PCP-M optou por não comentar, alegando ser prematuro fazê-lo antes de a adjudicação ter o Visto do Tribunal de Contas.