Utente culpa hospital por morte da mãe

18 Mai 2018 / 02:00 H.

Vera Gomes acredita que a negligência médica poderá ter levado ao agravamento do estado de saúde da sua mãe, que acabou por falecer, ontem, no Hospital dos Marmeleiros. A mulher foi internada no passado dia 26 de Março com uma “pequena bronquite” mas o seu estado de saúde agravou-se, segundo a filha “muito por culpa de alguns profissionais de saúde do Hospital Central do Funchal”.

Vera Gomes explicou ao DIÁRIO que a senhora de 62 anos dirigiu-se a esta unidade de saúde no início do mês de Março, mas, após ser observada, “foi mandada para casa porque tinha apenas sintomas de gripe”.

Uma semana depois, deu novamente entrada no Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça mas, desta vez, o médico decidiu que a doente ficaria internada pois apresentava “uma pequena bronquite”.

Como verificou que a mãe estava muito debilitada e com muita falta de ar, diz ter abordado uma enfermeira para expor a situação. Para seu espanto e indignação, a mesma terá respondido apenas que “tudo se tratava de um problema psicológico”.

“Mas o pior nem foi isto”, referiu. “Dias depois do internamento, a minha mãe caiu da cadeira e sofreu um traumatismo grave” naquela unidade hospital, acrescentou a denunciante, afirmando que só foi informada desta queda no dia seguinte ao acidente, durante uma visita.

Por este motivo, a doente passou para o Serviço de Observação, onde ficou alguns dias. De acordo com Vera Gomes, no dia em que lhe ligaram a informar de que a mãe apresentava melhorias e seria novamente transferida para o 5.º andar, a senhora sofreu uma paragem cardiorrespiatória, ficando internada na Unidade de Cuidados Intensivos.

Transferência para os Marmeleiros causa revolta

Na última terça-feira, Vera Gomes disse ter sido informada de que a sua mãe iria ser transferida para o Hospital dos Marmeleiros, quando “tinham garantido que tal não iria acontecer”.

O DIÁRIO contactou o Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) na quarta-feira para conhecer as razões que motivaram a transferência de unidade hospitalar. A resposta do Gabinete de Comunicação do SEASARAM explicou que “a melhoria da situação clínica da utente” motivou a transferência da paciente “de um serviço altamente diferenciado do Hospital Dr. Nélio Mendonça para um outro serviço clinico do SESARAM, localizado no Hospital dos Marmeleiros”.

Acrescentou que “a transferência interna dos utentes é uma decisão médica assente em critérios clínicos, tomada, unicamente, em conformidade com as necessidades do utente”.

Sublinhou, ainda que a família da utente tem sido acompanhada e informada de todo o processo de internamento, incluindo as razões clínicas que motivaram esta transferência interna de serviços no SESARAM e reforçou que “a política de actuação do SESARAM assenta em princípios de humanidade, de segurança, e de rigor, em plena harmonia e respeito pelos utentes”.

“Leva-me para casa, fui jogada como um cachorro”

Contudo, o quadro clínico da paciente não foi favorável. Na manhã de ontem, a filha recebeu um telefonema do hospital a dar conta do falecimento da mãe.

Transtornada com a notícia da morte, Vera Gomes diz estar bastante revoltada e indignada com esta situação. “Só me lembro de ver a minha mãe em lágrimas a dizer: Vera, leva-me para casa porque eu fui jogada para esta cama como um cachorro”, contou.

“Sei que já não a posso trazer de volta mas a justiça vai ser feita. A minha mãe ficou viúva com 30 anos e lutou por todos os sete filhos. Agora é a minha vez de lutar por ela”, reforçou, acrescentando que “o mínimo que o hospital poderia fazer era um pedido de desculpas por tudo o que aconteceu nos últimos tempos”.

Queixa será alvo de averiguação interna

Ontem, após a notícia da morte, o DIÁRIO voltou a contactar o SESARAM que confirmou a transferência da utente de um serviço do Hospital Dr. Nélio Mendonça para um outro serviço clínico do SESARAM, onde veio a falecer “na sequência do agravamento do estado clínico”.

Na mesma nota emitida, o SESARAM apresentou “à família e amigos as mais sentidas condolências”, salientando que “a reclamação apresentada pela filha da utente no SESARAM será alvo de análise e averiguação interna”.