Um longo e sentido adeus

Um longo adeus a Mário Soares contagiou o pais, onde milhares saíram à rua para aquela que foi a última grande homenagem

11 Jan 2017 / 02:00 H.

Milhares de pessoas, dos quais 500 convidados, marcaram ontem presença no último adeus a Mário Soares, num dia emotivo que começou nos Claustros do Mosteiro dos Jerónimos e terminou com o funeral no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Depois de ter estado em câmara ardente aberta ao público desde segunda-feira, a urna de Mário Soares foi transportada esta manhã para os claustros do Mosteiro.

Ali realizou-se uma sessão solene evocativa de homenagem, que contou com diversas interpretações musicais e os discursos emotivos dos filhos, João e Isabel Soares, de uma mensagem de vídeo do primeiro-ministro, António Costa, do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e terminou com a intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Após a cerimónia, que durou pouco mais de uma hora, à saída do Mosteiro dos Jerónimos, seis F-16 da Força Aérea sobrevoaram os céus da zona de Belém sob aplausos de centenas de pessoas.

O cortejo fúnebre passou pelo Palácio de Belém, onde muitos funcionários acompanharam o momento pelas varandas, e pela avenida D. Carlos I, onde centenas de pessoas viram em silêncio passar o armão que transportava o corpo do antigo chefe de Estado.

À passagem pela Fundação Mário Soares e Assembleia da República centenas de deputados, funcionários e cidadãos saudaram o histórico socialista com um longo aplauso.

De seguida, uma multidão concentrou-se no Largo do Rato, em frente à sede do Partido Socialista, o ponto do cortejo onde mais pessoas se concentraram, a onde chegaram autocarros de vários pontos do país.

Lágrimas nos olhos dos populares, gritos de “Soares amigo, o povo estará contigo” e rosas amarelas e cravos vermelhos foram uma constante ao longo de todo o cortejo que terminou no Cemitério dos Prazeres, com a realização do funeral.

Depois das cerimónias em frente à capela, o cortejo passou ainda em frente ao jazigo de Jaime Cortesão.

“A verdade não pertence em exclusivo a ninguém e não há nada que substitua a tolerância”, ouviu-se pela voz de Soares, em 1986.

Numa cerimónia mais reservada, a urna de Mário Soares entrou no jazigo da família, tendo-se ouvido muitas palmas dos presentes.

Entre os cerca de 3.000 pessoas, segundo a polícia, que assistiram ao funeral, houve quem pedisse que o ex-Presidente da República desse o nome à actual avenida da Liberdade.