Há ‘bullying’ contra jovens LGBTI nas escolas da Região

Alerta do núcleo lgbti Funchal da rede ex aequo no dia contra a homofobia

17 Mai 2018 / 02:00 H.

Há situações de bullying contra crianças e jovens LGBTI nas escolas da Região. O alerta é feito por Emanuel Caires, coordenador do núcleo LGBTI Funchal da rede ex aequo, no dia em que se assinala o Dia Internacional e Nacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. Emanuel Caires explica que este foi um dos problemas que elementos da rede ex aequo encontraram nas escolas onde, há cerca de um mês, estiveram a realizar sessões de debate e esclarecimento sobre orientação sexual, identidade e expressão de género. Daí que defenda ser “definitivamente importante avançar com medidas específicas para acabar com a homofobia, bifobia e transfobia nas escolas, seja ela por parte de estudantes ou professoras/es ou funcionárias/os.”

Embora admita que se notam melhorias, até porque a legislação em Portugal, “das melhores do mundo” tem vindo a garantir cada vez mais direitos e protecção da comunidade LGBTI, o coordenador do núcleo do Funchal refere que está a ser cada vez mais difícil chegar à juventude. “A geração de hoje é mais isolada pelos estímulos tecnológicos e, a par do isolamento como consequência da discriminação, este isolamento acontece duplamente. Assim, torna-se ainda mais difícil conhecer a realidade da discriminação na juventude LGBTI”, refere

E é para sensibilizar as pessoas para a não discriminação em função da orientação sexual, identidade e expressão de género, que hoje haverá ‘Um Abraço Contra a Discriminação’ no Funchal, uma actividade que, tal como aconteceu no ano passado, passará pela distribuição de abraços e de informação.

“Achamos que a luta contra a homofobia, bifobia e transfobia tem que acontecer a céu aberto, no espaço público e de forma espontânea. Este contacto com as pessoas através de um abraço de pessoas e jovens que são lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo ou apoiantes permite quebrar um gelo e alcançar o que, para muitos, é desconhecido. Se passar a ser conhecido, a desinformação é menor e a discriminação também”, salienta Emanuel Caires. E como a receptividade no ano passado foi boa, as expectativas para hoje são elevadas. “Queremos abraçar todas as pessoas que se cruzarem connosco e mostrar que ter uma orientação ou uma identidade não-normativas não tem mal algum, é normal, natural e comum.”

As actividades que serão desenvolvidas hoje contam com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, uma parceria que o responsável afirma ser essencial. “Congratulamos e agradecemos a abertura da vereação, nomeadamente dos pelouros da Juventude e Igualdade, para abraçar a causa LGBTI como nunca antes aconteceu na história do movimento LGBTI na Madeira. O trabalho árduo e aplicado da juventude voluntária da rede ex aequo na cidade do Funchal, está finalmente a trazer frutos no âmbito político e estratégico de municípios e governo. E isso deixa-nos com sentimento de dever cumprido”, acrescenta Emanuel Caires.

Quase dois anos de actividade

O núcleo LGBTI Funchal da rede ex aequo iniciou actividade em Junho de 2016 e deste então já desenvolveu muitas actividades, onde se destaca por exemplo o primeiro Funchal Pride que decorreu em Outubro do ano passado e cuja segunda edição está já marcada para 6 de Outubro próximo.

“Foi tudo possível com motivação e paixão pelas cores do arco-íris”, diz Emanuel Caires, sublinhando ainda que “a continuidade do núcleo e de todo este trabalho só é possível com a ajuda de mais jovens LGBTI”. Por isso é que apela “a que se juntem às nossas actividades, o dever de promover a inclusão e a igualdade é de todos/as! Acreditamos que jovens LGBTI estão capacitados/as para apoiar quem precisa e continuar a mudança!”.

Para as actividades de hoje, Emanuel Caires apela ainda aos jovens que se juntem à rede ex aequo para abraçar contra a discriminação. “Só com o apoio de todos podemos ser muitos e diminuir as consequências da homofobia, bifobia e transfobia: a baixa auto-estima, a ansiedade, a fobia social, a depressão e o suicídio. A juventude LGBTI tem que crescer e se desenvolver sem discriminação”, afirma.

‘Um abraço contra a discriminação’

Hoje, pelas 9h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Funchal, e no âmbito do Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia, haverá a assinatura de um Acordo-Compromisso entre a Câmara Municipal do Funchal e a rede ex aequo. O Presidente Paulo Cafôfo estará presente na ocasião. Depois desta cerimónia, será hasteada a bandeira LGBTI nos Paços do concelho.

Ao longo do dia, e de forma a assinalar esta data, a Rede Ex-Aequo e a CMF dinamizam um programa de actividades temáticas, que prosseguirá com uma dupla sessão, às 11 e 15 horas respectivamente, do documentário ‘R.I.P 2 My Youth’ na Sala da Assembleia Municipal. O filme em questão foi um dos primeiros documentários produzidos em Portugal sobre o tema da transexualidade, e conta a história de Isaac, um jovem que mudou a sua vida aos 20 anos.

Finalmente, pelas 16h30, terá lugar, na Praça do Município (e depois noutras zonas da cidade) a actividade denominada ‘Abraços Grátis’, no sentido de sensibilizar a população para o contínuo compromisso em combater o preconceito e a desigualdade. Para esta iniciativa, foram convidados pela associação a vereadora do Pelouro da Igualdade de Género, Madalena Nunes, o vereador da Juventude, João Pedro Vieira, e a coordenadora do Gabinete de Igualdade de Género na Secretaria da Inclusão e Assuntos Sociais, Mariana Bettencourt, que abraçarão em ex aequo com todas as pessoas voluntárias.

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