Turismo não esconde fragilidades

Muitos turistas procuram a localidade para estabelecer a segunda residência, nalguns casos fixar. A zona costeira é paga a peso de ouro, mas existem dificuldades nas zonas altas.

17 Set 2017 / 02:00 H.

Nos últimos anos o interesse pela freguesia do Arco da Calheta ‘disparou’ muito por culpa do mercado imobiliário e da procura de turismo que chega sedento de tranquilidade e de horas de sol. Muitas. O Arco oferece-as sobretudo junto à costa. O Pombal e a Fajã ganham fulgor nas vendas e nos arrendamentos dos alojamentos locais que têm vindo a rechear a carteira de um leque restrito de investidores que resolveu apostar neste segmento de negócio. Mas a localidade não vive apenas do potencial turístico. Também existem carências sociais que não são tão poucas quanto isso.

A rede viária surge no topo das queixas. O desgaste em vários acessos rodoviários e pedonais é demasiado evidente, de resto espelhado no esquecimento de décadas, dizem alguns automobilistas, apontando o exemplo flagrante para a estrada de ligação da Fajã à antiga estrada regional 101, mas também do Arco ao Loreto ou no traçado das Florenças ou ainda que sobe à Cova do Arco.

E porque não recordar o velhinho Centro de Saúde, prometido, é certo, mas que a velocidade das obras de remodelação não evita reparos, embora a se saiba nas redondezas que a empreitada já esteja em fase de concurso. Maria, uma utente que encontramos à saída da unidade, confessa que não tem fios de cabelo suficientes para acreditar em promessas de políticos. “Dizem que vão arranjar, mas ao tempo que dizem isso, sei lá senhor!... Ouvi dizer que parece vai ser desta. Será? Sabe me dizer?”, duplica a curiosidade fitando-nos na esperança de receber uma resposta que vá ao encontro do seu desejo.

Mais acima, no sítio do Pinheiro, consegue-se escutar o silêncio. Parece nada acontecer por estas paragens e o dia ainda vai a meio. Poucos quilómetros dali, na Cova do Arco, sente-se que a escolha de alguns pelo caminho do alcoolismo foi o mais curto, quiçá o mais fácil. No Loreto, zona afamada pelos grandes arraiais que já ali aconteceram, uma poção mágica daria um jeitão.

O comércio agradeceria porque tem se ressentido da quebra da construção civil e os emigrantes que regressaram da Venezuela não esqueceriam tamanha magia até porque muitos chegaram a sustentar o antigo balcão do banif e as grandes festas em honra de Nossa Senhora do Loreto ou os contributos que deram para o restauro das pinturas do século XVI, XVIII e XX pertencentes à Igreja de São Brás. Mas essas contas são de outro ‘rosário’.

Quem vive no Arco assume o bairrismo de viver na “freguesia mais importante do concelho”. É assim que Francisco José considera-a, e não há volta a dar. Para este operário a importância resume-se em viver na localidade mais populosa e que esse estatuto nunca por nunca deve sempre esquecido por quem tem o poder de decidir. Pelo menos em termos políticos.

Talvez inspirado pelos cartazes de propaganda política afixados lembra que dali saíram presidentes de Câmara ou deputados. Até “o maior empreiteiro da Região é daqui”, observa. Ora todo este esforço de memória quererá dizer alguma coisa que não é tão pouco quanto isso. Pelo menos para si não é.

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