Três mundos em exposição

14 Fev 2018 / 02:00 H.

Uma ‘casa’ erguida à volta da obra de Rui Goes Ferreira - A Porta33 acolhe até ao final de Março a exposição dedicada ao arquitecto e promove várias actividades

Rui Goes Ferreira e a sua obra estão em evidência numa exposição temática promovida pela Porta33 a partir de trabalho de investigação de Madalena Vidigal, realizado em 2016 no âmbito da tese de Mestrado em Arquitectura da Universidade do Porto, intitulada ‘Rui Goes Ferreira. Ensaios sobre uma obra interrompida. Madeira 1956-1978’ e de um levantamento fotográfico da obra do arquitecto pelo fotógrafo Duarte Belo. No dia da inauguração, a 27 de Janeiro, foi promovida uma palestra com os dois autores e com os arquitectos convidados André Tavares e Sergio Fernandez. Desde então, até 31 de Março, continuam a ser possíveis as visitas à exposição intitulada ‘Rui Goes Ferreira. Imagem de uma Obra Interrompida’, assim como a participação nas actividades promovidas a partir do conjunto expositivo.

A galeria localizada no número 33 da Rua do Quebra Costas abre-se de terça a sábado das 16 às 20 horas e ali poderá ver um conjunto de documentos, incluindo desenhos de obras criadas por Rui Goes Ferreira, percursor da arquitectura moderna na Madeira. Algumas construções estão ainda hoje erguidas, outras entretanto foram demolidas e alteradas, muitas encontram-se em risco de desaparecer. A par dos documentos da autoria ou sobre Rui Goes Ferreira, o conjunto de fotografias associado revela a riqueza do legado deste arquitecto que marcou as décadas de 60 e 70 no Arquipélago da Madeira.

Porque há muito mais formas de promover a obra, a Porta 33 em parceria com Luísa Spínola (Atelier Gatafunhos) e Catarina Claro oferecem a possibilidade a crianças, famílias e grupos de explorarem de forma lúdica e didáctica a obra do arquitecto. Há histórias encenadas (dos três aos seis anos); actividades plásticas (para crianças dos sete aos 12 anos), atelier de desenho (maiores de 12 anos), visitas-jogo (Pré-escolar e 1º Ciclo) e visitas orientadas (comunidade escolar e grupos).

As histórias encenadas casam a exposição com literatura infantil. “Deste diálogo, resultam histórias que ganham forma e interagem com o espaço da Porta33, aproximando as obras expostas e o público, proporcionando uma primeira experiência afectiva, significativa e duradoura com a arte contemporânea”, convida a galeria. Catarina Claro conduz ‘T1 com vista mar: A maior casa do Mundo’ aos sábados entre as 11 horas e o meio-dia. A próxima sessão é no dia 24 de Fevereiro. Repete-se nos dias 17 e 31 de Março.

Nos outros sábados, 3, 10 e 24 de Março, o convite é para meter mãos à obra com Luísa Spínola, dando asas à criatividade na exploração de diferentes técnicas e materiais. As sessões decorrem à mesma hora. Conduzido também pela artista plástica, às terças (18h às 19h30) e sábados (15h às 16h30) realizam-se os ateliês de desenho também a partir da exposição.

Por marcação prévia, Catarina Claro conduz as visitas-jogo às terças a sábado das 10h às 18h, onde a partir de estratégias educativas, procura “activar o pensamento e despertar os sentidos” das crianças, “fomentando a capacidade de reflexão crítica e a criatividade”.

Por fim, as visitas guiadas, por professores, educadores e pela equipa da Porta33, também de terça a sábado, entre as 11h e as 19 horas. Mais informações através do endereço electrónico porta33@porta33.com, ou do número de telefone 291743038.

Galeria.a retrata 18 artistas em ‘Humano Retorno’ - A diversidade de materiais, técnicas e abordagens confere riqueza ao conjunto de trabalhos, patente até ao dia 11 de Março

São várias as interpretações do retrato, pelas mãos de um conjunto de artistas masculinos. É este o ponto de partida para ‘Humano Retorno’, patente ao público na nova Galeria.a da Associação Teatro Experimental do Funchal, até 11 de Março. Inaugurada a 30 de Novembro, a colectiva reúne obras de 18 artistas e parte de uma estratégia para trazer mais público ao Cine Teatro Santo António, onde o espaço expositivo está integrado.

Os projectos desta galeria têm a particularidade de estarem ligados ao Teatro, à representação. Por isso, a primeira exposição, ‘Humano Retorno’, é no fundo centrado no retrato, um convite aos artistas para se representam, em retratos ou auto-retratos, revelou o programdor. “Estamos a lidar com questões emotivas e o teatro também é feito de emoções”, resumiu Paulo Sérgio BEJu, explicando que o convite exclusivo a artistas masculinos foi uma provocação sua. “Foi uma forma de seleccionar artistas, como poderia ser artistas com mais de 30 anos, mas não tem qualquer objectivo político, sobre defender uma causa”, esclareceu.

A Galeria vai procurar estabelecer com três ou quatro exposições anuais uma ponte com a restante actividade da ATEF, “prolongando a reflexão que o Teatro traz.” A próxima nova exposição será no final de Março, a coincidir com a celebração do Dia Mundial do Teatro.

Nesta há muito para ver. A diversidade de materiais, técnicas e abordagens confere riqueza ao conjunto. Gonçalo Gouveia, Duarte Sol, Oleksandr Goncharov, Rui Soares, Eduardo Freitas, Hernando Urrutia, Richard Fernandez, Jose Zyberchema, Filipe Gomes, António Rodrigues, Pedro Berenguer, A. Costa (António Costa), Miguel Ângelo, Paulo Ladeira, Martinho Mendes, Ruben Freitas, Gil Silva e Fábio Figueira são os artistas representados.

Na parede, um contributo feminino. Um excerto do livro de Ana Teresa Pereira ‘O Rosto de Deus’, um convite à reflexão. A próxima exposição deverá ser sobre natureza morta, revelou BEJu.

Arte como ponto de partida e de evolução - ‘Das Ideias nascem coisas’ desceu da Universidade para a Francisco Franco para novas criações

‘Das Ideias nascem coisas - experiências e processos na arte e no design’ promove o nascimento de novos trabalhos e interpretações, ou não estivesse a exposição patente ao público na galeria de arte da Escola Secundária Francisco Franco. Inaugurada a 29 de Novembro, pode ser vista até ao próximo dia 23.

Esta exposição reúne alguns trabalhos concluídos e outros em fase de criação e é resultado de uma parceria entre a Escola e o Departamento de Arte e Design da Universidade da Madeira. Já no passado as duas instituições se tinham associado. Este ano ‘Das Ideias nascem coisas’ reúne trabalhos de alunos universitários dos três anos, ponto de partida para novas obras de arte, abordagens multidisciplinares e mesmo conversas com convidados que se realizaram nestes meses.

Filipa Venâncio destaca precisamente este carácter de trabalho em construção e a possibilidade de interacção com os trabalhos expostos por parte dos alunos do secundário, e não apenas das disciplinas mais técnicas, mas também por exemplo em aulas de Português.

A mostra está dividida em dois pisos, o inferior dedicado aos trabalhos de artes visuais, o superior aos de design, tendo a selecção sido feita pelos professores universitários.

Ali encontramos narrativas visuais e bandas desenhadas, há desenhos feitos à mão e outros digitais. Alguns trabalhos partem de textos literários, outros pegam em personagens, e sem palavras contam histórias. Há também trabalhos em 3D, incluindo escultura e instalação. São trabalhos ricos a vários níveis que um olhar atento desvenda. Há história da arte, por exemplo, há retrato, duplo retrato, paisagem e arquitectura. No piso superior encontra-se muito design de produto, explorado de diferentes formas, no fundo várias maneiras de dar forma às ideias.

Depois desta exposição, em Março a galeria recebe desenho e pintura de Hanamaro Chaki.

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