Três multi-premiadas no 8.º FLM

Ottessa Moshfegh venceu o prémio PEN/ Hemingway, Eleanor Catton o Man Booker Prize e Sofi Oksanen o Prémio Nórdico da Academia Sueca. Vão estar no Festival Literário da Madeira, de 13 a 17 de Março

20 Jan 2018 / 02:00 H.

Ottessa Moshfegh, escritora norte-americana vencedora do Prémio PEN/ Hemingway (2016); Eleanor Catton, autora neozelandesa e a mais jovem a receber o Man Booker Prize (2013); e Sofi Oksanen, escritora finlandesa vencedora do Prémio Femina (2010) e do Prémio Nórdico da Academia Sueca (2013), participam este ano no Festival Literário da Madeira (FLM), a realizar-se de 13 a 17 de Março. Esta 8.ª edição é dedicada ao tema ‘Jornalismo e Literatura – a palavra que prende, a palavra que liberta’, uma edição com forte presença feminina. São esperados nomes de relevo da literatura, do jornalismo e da música, estando já confirmada também a fadista Aldina Duarte para um concerto (ver notícia ao lado) no dia 16.

Pelo palco do FLM já passaram Eduardo Lourenço, Alberto Manguel, Helder Macedo, Naomi Wolf, Gonçalo M. Tavares, Mia Couto, Samar Yazbek, Ondjaki, Lídia Jorge, Frederico Lourenço, Eimear McBride, Adam Johnson, Pepetela e Zygmunt Bauman, entre vários outros nomes nacionais e internacionais que têm contribuído para aumentar, ano após ano, a notoriedade do evento. Este ano, a lista de convidados inclui alguns jornalistas que escrevem para além da realidade do quotidiano. “Vários autores, entre os quais os que também conjugam a escrita ficcional com a escrita jornalística estarão no Funchal a debater sobre como se distanciam ou aproximam da actualidade”, revela a organização. “São cinco dias dedicados aos artífices da palavra e ao público madeirense”.

No ano passado esteve confirmada a presença de Svetlana Aleksiévitch, mas as más condições meteorológicas levaram ao condicionamento do aeroporto e a escritora, prémio Nobel da Literatura em 2015, acabou por não conseguir chegar à Madeira. Na altura, houve o compromisso de tentar trazê-la este ano, pelo que poderá ser um dos nomes a integrar a lista. A bielorussa é escritora e também jornalista.

Nomes fortes dão força
a mais uma edição

Entre os nomes já confirmados para 2018 não faltam também prémios. Além do PEN/Hemingway para melhor estreia literária em 2016, pelo romance ‘O meu nome era Eileen’, Ottessa Moshfegh, que escreve para a The Paris Review, já tinha ganho em 2014 o Plimpton Prize com os contos que publicou nesta revista, e os prémios Fence Modern Prize in Prose e Believer Book Award com o ‘McGlue’. A escritora, presente ainda no New Yorker, esteve na lista de finalistas para o Man Booker Prize em 2016.

Eleanor Catton, vencedora do Man Booker Prize em 2013, começou nos prémios logo com o romance de estreia, ‘O Ensaio’, integrado na lista de finalistas do The Guardian First Book Award e do Dylan Thomas Prize, além de ter sido nomeado para o Orange Prize. Com ele venceu o Betty Trask Award de 2009, entre outros. Eleanor Catton, além de ser a mais jovem a vencer o Man Booker Prize, ‘Os Luminares’ foi também a obra mais extensa a ser distinguida, tem 832 páginas.

No ano em que venceu o Man Booker Prize - tinha 28 de idade e tornou-se a mais jovem escritora até ao momento a ter recebido este prémio - venceu também o Canadian Governor General’s Literary Award por ‘Os Luminares’.

Os prémios Femina, Europeu de Melhor Romance, Fnac e Nórdico da Academia Sueca são quatro dos que distinguiram Sofi Oksanen, escritora finlandesa de origem estónia cuja obra foca muito o impacto da ocupação russa e a sua história pessoal. A escritora lançou-se na escrita com a publicação de ‘Stalin´s Cows’, tendo sido nomeada para os Prémios Runeberg. Seguiu-se ‘Baby Jane’ e ‘A Purga’, este último o seu trabalho de maior relevo. Começou como peça para teatro, tendo entretanto já sido adaptado ao cinema e à ópera. Mais recentemente lançou ‘When the Doves Disappeared’.

Inicialmente promovido através da Nova Delphi, em Novembro de 2016 a organização optou por criar a Associação ECA - Eventos Culturais do Atlântico, sendo desde 2017 realizado através desta.

O evento volta a realizar-se no Teatro Municipal Baltazar Dias, este anos com novas conversas partilhadas, aprofundando o tema central. No ano passado o tema foi ‘Literatura e web - entre o medo e a liberdade’. ‘Falsidade e Verdade na Ficção Literária’; ‘Beleza: Corpo, Palavra e Imagem’; ‘Queria de ti um País’, ‘Manifesto à Arte’, ‘Éramos Felizes e Não Sabíamos’ foram temas adoptados pelo FML.

No ano passado, o festival contou com a participação de Adam Johnson, Daniel Jonas, Eimear McBride, Frederico Lourenço, José Mário Silva, Marcelino Freire, Maria Fernandes, Miguel Sousa Tavares, Ondjaki, Pepetela, Sandra Nobre, Tatiana Salem Levy, Valter Hugo Mãe e Viriato Soromenho-Marques. O espectáculo foi com Teresa Salgueiro.

Aldina Duarte ao vivo no dia 16 de Março

Aldina Duarte troca em Março a sua casa de fado, Senhor Vinho, pelo Teatro Municipal Baltazar Dias, onde vai estar a dar concerto no dia 16, um espectáculo integrado na programação do Festival Literário da Madeira (FLM) com início pelas 21h30. Para já o concerto é único, poderá ser estendido a um segundo, se a procura assim o justificar, anuncia a organização.

A escolha de Aldina Duarte não é por acaso. A sua estreita ligação ao mundo da literatura justificam a escolha deste nome maior do fado para o momento musical deste ano. “A sua paixão pela Literatura leva-a a aliar ao repertório musical tradicional dos grandes fados estróficos tradicionais uma escolha cuidadosa dos poemas que canta, sendo ela própria autora de muitas das suas letras, bem como de outras cantadas por outros fadistas destacados como Camané, Carminho, Ana Moura, Mariza ou António Zambujo”, refere a organização do FML.

Aldina vem e bem acompanhada. ‘Quando se ama loucamente’, assim intitulou o disco lançado em Outubro do ano passado, é uma autoficção a partir da obra da Maria Gabriela Llansol, um tributo à escritora que escreve o invisível, como diz. Neste disco, a fadista faz algo pouco habitual: “Canto com o que sou mas não sou de me cantar a mim. Desta vez juntei as duas coisas e quando dei por mim achei que estava a cantar algo que era de nós todos”, disse em entrevista ao Observador.

A partir de uma paixão acabada e de um tema oferecido por Manuel Cruz (ex-Ornatos Violeta), Aldina Duarte criou este novo disco de laços estreitos com a literatura. Já ‘Contos de Fados’ tinha partido de poemas escritos por convidados com base em obras literárias, e ‘Romance(s)’ (2015) incluiu um romance escrito em verso por Maria do Rosário Pedreira para as melodias do fado tradicional. ‘Apenas o amor’ (2004), ‘Crua’(2006) e ‘Mulheres ao Espelho’ (2008) são outros discos da cantora nascida em 1967.

Antes de se dedicar ao fado, Aldina Duarte passou pelo jornalismo e pelo radialismo. Hoje tem a sua própria editora e trabalha para promover o fado também em outras frentes. O ciclo de conferências-debates ‘A Cantar e a Contar’, no Centro Cultural de Belém e os ateliers ‘Fado para Todos’ promovidas pelo Museu do Fado são exemplos. Talvez pela ligação ao jornalismo, manteve ainda uma série de entrevistas ‘Fados e Tudo’, em exibição online no site do mesmo Museu.

Entre as muitas coisas a que se dedicou, o cinema é uma delas. No conjunto merece particular relevo a participação no documentário em nome próprio ‘Aldina Duarte: Princesa Prometida’, um filme premiado em festivais, assinado pelo realizado Manuel Mozos. Neste formato, participou em ‘Fado Celeste’, de Diogo Varela Silva, e ‘O Fado pelo Mundo – Aldina Duarte: Lisboa – Macau’. Na ficção, entrou em ‘Xavier’, de manuel Mozos e em ‘A Religiosa Portuguesa’, de Eugène Green.