Três dias de luto nacional

O Presidente da República fala numa “tragédia quase sem precedente na história do Portugal democrático”

19 Jun 2017 / 02:00 H.

O Conselho de Ministros aprovou ontem um decreto que declara luto nacional durante três dias, entre domingo e terça-feira, pelas vítimas do incêndio que deflagrou no Município de Pedrógão Grande e afectou vários concelhos da zona centro do país. Em observância do luto nacional, a bandeira nacional foi colocada a meia haste nos edifícios públicos de todo o país, incluindo, naturalmente, a Madeira.

Logo na madrugada de domingo, o Presidente da República deslocou-se a Pedrógão Grande, onde deixou uma palavra de ânimo e conforto aos que continuam a combater o incêndio e disse que “o que se fez foi o máximo que se podia fazer”. Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao local do incêndio cerca das 00h40 e abraçou demoradamente a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também no local, depois de ter feito o mesmo ao secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.

Depois de ouvir um ponto da situação, deixou as condolências às famílias das vítimas. “Queria antes de mais apresentar os meus sentimentos aos familiares das vítimas civis, acompanhando-os na sua dor e fazendo-o em nome de todos os portugueses”, afirmou em declarações aos jornalistas no local.

Por outro lado, o chefe de Estado fez questão de deixar uma palavra de “gratidão e conforto” a todos os que estão envolvidos no combate ao incêndio, dizendo referir-se a bombeiros, Protecção Civil, GNR ou Exército. “A palavra que quero deixar agora não é uma palavra de desânimo, é uma palavra de ânimo, de confiança, de conforto”, realçou. O chefe de Estado defendeu que, perante o cenário que lhe foi descrito, “o que se fez foi o máximo que se poderia ter feito”. “Não era possível fazer mais, há situações que são situações imprevisíveis e quando ocorrem não há capacidade de prevenção que possa ocorrer, a capacidade de resposta tem sido indómita”, considerou.

O Presidente da República manifestou ainda o seu “calor humano” aos bombeiros feridos neste incêndio, sublinhando que “fizeram e continuarão o melhor que podem”. Para o chefe de Estado, “não há nem falta de competência, nem falta de capacidade, nem falta de imediata resposta perante desafios dificílimos”. “É uma situação infelizmente ímpar, não é habitual no nosso país verificar-se aquilo que se verificou e está a verificar”, disse, alertando que o combate ao incêndio continuará a ser difícil nas próximas horas.

Governo abre centros operacionais

Já à noite, a partir do Palácio de Belém, em Lisboa, o Presidente da República dirigiu uma comunicação ao país e afirmou que o incêndio no distrito de Leiria é “uma tragédia quase sem precedente na história do Portugal democrático”, e provoca uma dor sem medida. “A nossa dor neste momento não tem medida, como não tem medida a nossa solidariedade, a solidariedade de todos nós para com os familiares das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande”, declarou o chefe de Estado. Entretanto, a agenda de Marcelo Rebelo de Sousa está suspensa até terça-feira.

Já o primeiro-ministro, António Costa, esteve nas primeiras horas da madrugada no Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), em Oeiras, e ao início da tarde chegou a Pedrógão Grande, chefiando uma delegação do Governo, composta pelos ministros do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, da Agricultura, Capoulas Santos, e pela secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma reunião com os autarcas dos três concelhos mais afectados, António Costa anunciou que serão instalados no terreno quatro centros operacionais da Segurança Social em Pedrógão Grande, Avelar, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera. António Costa explicou que estes centros terão “condições para dar resposta quer a alojamentos de emergência quer a apoios sociais de emergência que sejam necessários”, na sequência do incêndio que deflagrou na região e já fez, pelo menos, 61 mortos. * COM LUSA

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