Três baixas

07 Dez 2017 / 02:00 H.

O Carnaval do próximo ano tem três baixas e uma novidade. As trupes Sorrisos de Fantasia e a Tramas e Enredos não vão desfilar pelas principais artérias da cidade no dia 10 de Fevereiro de 2018, ficaram de fora do concurso lançado pela Secretaria Regional de Turismo e Cultura, assim como José Alberto Moniz, que apresentou pela primeira vez uma candidatura. No próximo ano, o desfile é alusivo ao tema ‘600 Anos de Alegria’. Nove trupes serão apoiadas das 12 que se candidataram, entre elas uma nova formada por um grupo de fitness que tem vindo a participar em alguns desfiles fora do Funchal. A direcção do grupo Sorrisos de Fantasia não se conformou com a decisão e reclamou.

Com a exclusão em 2018, será a segunda vez que a trupe liderada por Ricardo Mendes fica de fora do Carnaval e se em relação à edição deste ano compreendeu e aceitou como consequência ou penalização por não ter submetido dentro de prazo o relatório de contas da participação no Carnaval de 2016, tendo por isso também perdido os restantes 30% do apoio que lhe era devido com a entrega do documento no ano passado, em relação ao próximo Carnaval não encontra justificação. Não acredita que o seu projecto tenha sido o pior e não aceita que seja a qualidade que esteja em causa.

Devido ao trabalho, o dirigente dos Sorrisos de Fantasia confessa que não teve tempo de consultar o processo na Secretaria Regional do Turismo e Cultura e o mail enviado à tutela a pedir justificações para a exclusão terá ficado sem resposta.

“Afinal dizem que há abertura, que o que interessa é a análise dos projectos, mas depois há ali trupes que nunca vão ficar de fora”, disse, agastado. “Podem apresentar talvez maus projectos, que nunca vão ficar de fora. Talvez essa transparência não é tão... Não acredito. Mas também não posso falar sem ver, não gosto de falar de cor”.

Artista plástico de formação, Ricardo Mendes e a sua equipa ergueram ‘Madeira, do Fogo ao Paraíso’, partindo da criação da Ilha até ao povoamento. Reconhece que há uma ou outra edição em que pode faltar inspiração. Não foi o caso. “No ano passado eu sei que eles gostaram imenso do meu projecto. O meu projecto não está muito diferente”. E questiona sobre os conhecimentos de quem decide nesta matéria, nomeadamente sobre a capacidade de ver além do desenho.

A Sorrisos de Fantasia é um grupo nascido do Veteranos da Folia que continuou o trabalho com um novo nome quando o anterior acabou. “Não somos nenhuns amadores, temos cerca de 17 anos de Veteranos da Folia e vamos para o sexto ano de Sorrisos. Só temos este nome porque a dona Alice quando passou-me a pasta já estava numa idade avançada e decidiu ‘já não estou, não quero esse nome’”. Ainda assim, acreditam que são a trupe mais fácil de deixar de fora. “Independentemente de sermos dos Veteranos, achamos que as outras trupes têm mais ‘costas largas’. Umas têm um cariz social muito grande, outras têm nome”.

A notícia de que não estavam no Carnaval de 2018 chegou no final de Novembro como um balde de água fria. O responsável pelo projecto acredita que os trâmites não foram cumpridos, pois recebeu um email sem justificação a dar conta de que tinham ficado de fora e que esperavam contar com o grupo no futuro. “Isso não é correcto. No ano passado marcaram reunião com todas as pessoas e explicaram o porquê.”

A exclusão poderia ter tido consequências ainda piores, se já tivessem dado início à compra dos materiais. Nesse aspecto estão salvaguardados. Mas não impediu a revolta, que cedo passou para as redes sociais, motivando comentários.

Actualmente no processo de candidatura para a Festa da Flor, assume que foi com alguma desmotivação, que na semana passada apresentou os documentos. Ricardo Mendes conta que fizeram-no pelas crianças, pois não esconde a tristeza de, no dia 10 de Fevereiro, os 170 foliões não integrarem o cortejo desfilando por esta casa. Algumas pessoas, revela, ficarão paradas pelo segundo ano consecutivos, depois de vários a participar sempre no Carnaval.

Ricardo Mendes não deverá ficar por cá a ver os outros desfilar. Aproveitou para lamentar o rumo que o Carnaval está a tomar, cada vez menos genuíno e diferenciado. “É preciso criar o que é nosso”. E sugeriu também que todos os anos haja espaço para uma trupe nova, um género de incentivo ao sangue novo, mesmo que com menor apoio e retirando um pouco de cada uma das trupes que são apoiadas.

Para colocar uma trupe o cortejo principal o investimento “é muito grande”. O coordenador revela, sem particularizar, que pode chegar aos 30 mil euros, valor este coberto parcialmente pelos apoios da Secretaria do Turismo e Cultura.

O processo para a concessão dos apoios só estará mesmo concluído depois de ter o aval das Finanças e ir a Conselho de Governo. Até essa altura, pode ainda haver mudanças.

Nem todos podem ser incluídos

Confrontada pelo DIÁRIO, a secretária regional do Turismo e Cultura prefere não particularizar qualquer caso - até porque todos os grupos merecem o maior respeito do Governo Regional, concretamente em projectos que obrigam a sigilo profissional - e afirma que, no âmbito deste processo, foi criada uma comissão de análise que, em função de determinados critérios predefinidos, propôs a aprovação de nove projectos e a exclusão de três.

“Obviamente que nunca é possível integrar todas as propostas que nos apresentam e é nesse sentido que a avaliação é feita e se valorizam umas propostas em detrimento de outras, num processo que deve ajustar-se para corresponder aos propósitos de cada cartaz turístico a que se destinam”, respondeu através do seu Gabinete de Comunicação Paula Cabaço.

Desconhecendo a posição relatada pelo DIÁRIO, a governante sublinha, ainda, que “cada um dos proponentes pode e deve consultar, em sede do procedimento, as razões e os motivos que levaram à sua exclusão ou validação no projecto global, pelo que se estranha que, a existirem tais declarações, não tenha sido esta a primeira via de esclarecer quaisquer dúvidas que pudessem existir”.