Aquaponia na Web Summit

empresa tem projectos na madeira e quer angariar investidores

Lisboa /
08 Nov 2017 / 02:00 H.

Criar plantas e peixes ao mesmo tempo e aproveitando a mesma água, tudo de forma sustentável. A Aquaponics Iberia é uma empresa que cruza a hidroponia (cultivar vegetais sem terra, só com água) com a aquacultura, para produzir alimentos saudáveis. O resultado é um reaproveitamento da água em até 95%, com impactos mínimos para o planeta e, claro, para os bolsos dos produtores (que até podem instalar o sistema num apartamento): “As plantas absorvem os nutrientes que os peixes deixam na água, limpando-a e devolvendo-a sem impactos de descargas”, explica Orlando Rodrigues, filho de madeirenses nascido na Venezuela, e um dos responsáveis pela empresa que hoje tem um balcão expositivo na Web Summit.

Para juntar a tudo isto, o sistema não pode recorrer a herbicidas para as plantas porque os peixes ficariam em risco e, por isso, a ausência de químicos é outra mais-valia: “É tudo muito mais saudável”, defende Orlando Ribeiro, apesar dos produtos ainda não terem certificação biológica na Europa (ao contrário do que acontece nos Estados Unidos) por não serem produzidos em solo.

Orlando Rodrigues é especialistas em aqualcultura e, ao lado de João Cotter, decidiram criar a Aquaponics Iberia que agora apresentam na mais importante cimeira tecnológica da Europa: “Queremos captar investidores na Web Summit para avançarmos com o projecto primeiro em Torres Vedras e depois na Madeira”. É que Orlando Rodrigues formou-se em Aquacultura, mas decidiu deixar a Venezuela há 15 anos. Desde essa altura, tem viajado e investido na área e acabou por instalar-se em Torres Vedras, onde a startup está incubada. Mas como Orlando quer regressar à Madeira a tempo inteiro, terra dos pais, já tem tudo pensado. A ideia é criar um projecto urbano, o tal em Torres Vedras, onde haverá lugar para um restaurante, para uma loja de venda ao público, uma sala de investigação e para a produção de 40 toneladas de peixe e 70 de vegetais. O passo seguinte é replicar a mesma ideia na Madeira e, depois, no Porto Santo: “Onde a sustentabilidade é um factor essencial por causa da falta de água”. A nível internacional, a equipa já tem alguns contactos, especialmente vindos do Norte da Europa e que querem instalar sistemas de aquaponia em Portugal também por causa do clima: “Com este método de cultivo conseguimos poupar entre 90 a 95% de água comparando com a agricultura tradicional Não há químicos, é um ecosistema muito saudável.

Produzir em casa

A aquaponia adapta-se a várias escalas e modelos. Ou seja, qualquer pessoa pode produzir em casa, até mesmo num apartamento com áreas menores, e o especialista chegou mesmo a ter um sistema instalado na sua varanda. E na Madeira já há um caso de um amigo de Orlando Rodrigues, o músico Rui Lima, que cultiva uma bananeira na varanda através deste método. Para quem quer começar, as plantas aromáticas são as mais indicadas porque não exigem muito espaço e os peixes ornamentais (neste caso não utilizados para a alimentação, claro) decoram o espaço. Para cultivara através de peixes de água salgada, a vegetação escolhida também tem de adaptar-se ao ambiente salino.

A ideia está ainda a ser implementada na Escola de Santana, em parceria com o projecto Ecoescolas e com o apoio de várias entidades locais. Para já, os míudos têm aprendido sobre cultivo, alimentação saudável ou a urgência de uma produção mais sustentável, mas a ideia é que a própria escola possa produzir proteína animal e vegetais em quantidade suficiente para alimentar as crianças. Para isso, a comunidade educativa aposta em transformar uma zona junto à escola num ecossistema de aquaponia.

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