‘Tempo é dinheiro’

Tempo de pagamento da prestação imobiliária na Madeira pode ir desde os 19
aos 44 anos, conforme o concelho que escolha viver

11 Nov 2017 / 02:00 H.

Foi revelado um estudo nacional sobre as dificuldades, ou facilidades, com que as famílias se deparam em reembolsar as instituições bancárias, em relação aos empréstimos imobiliários que contraíram. A Madeira surge colocada, em termos absolutos, na terceira posição desta lista, com uma média de 28 anos para concretizar-se o sonho de ter casa própria. Neste indicador elaborado pelo portal ComparaJá.pt, a Região é apenas ultrapassada por Lisboa (36 anos) e Faro (42 anos), mas há mais.

Se está à procura de uma casa com uma área de 120m² na Madeira, espaço utilizado para este estudo, saiba que na Ponta do Sol, um casal que habite e trabalhe neste concelho, apenas conseguirá pagar na totalidade o seu empréstimo ao fim de 44 anos.

O Funchal surge logo atrás da Ponta do Sol com uma média de 33 anos, embora a capital madeirense apresente o preço por metro quadrado mais alto dos onze concelhos que foram alvo desta análise. À volta de 1525 euros é o valor a despender por cada medida.

A Calheta, concelho que tem sido dinamizado em termos imobiliários pela aposta no Alojamento Local e nas unidades hoteleiras surge a fechar o ‘top 3’ das localidades em que mais tempo as famílias demoram a cobrir a dívida. Só ao fim de 32 anos é que um casal a viver nesta zona poderá pagar pelo seu ‘tecto’. Curiosamente, Ponta do Sol e Calheta, concelhos vizinhos, figuram na 1.ª e 3.ª posição, respectivamente, intercalados pelo Funchal.

Por outro lado, caso goste da humidade e da pacatez que o Norte da ilha providencia, o Porto Moniz oferece com a mesma relação entre o salário líquido e o valor de área por metro quadrado outras vantagens, tendo como intuito aliciar a fixação de população nesta localidade.

O Porto Moniz é então o concelho com maior rapidez no pagamento a crédito na compra de um lar, isto porque seriam precisos somente 19 anos para um casal já ter terminado de pagar a sua casa. O preço médio por metro quadrado fixa-se numa média de 738 euros, que se relaciona com os 662 euros de salário mínimo líquido.

Outro dado estatístico retirado deste estudo prende-se ainda com o Norte. Apesar de serem vizinhos, em São Vicente seriam precisos mais oito anos que o Porto Moniz para saldar uma residência com recurso a crédito.

‘El dourado’ ali ao lado

O Porto Santo, destino turístico para muitos madeirenses, surge no segundo posto da lista de facilidade e rapidez na compra de habitação.

Na Ilha Dourada seriam precisos 20 anos para que um casal pagasse todas as suas dívidas à banca, sem esquecer que os portosantenses auferem uma média de vencimento líquido colocado no topo da lista regional, com um salário estabelecido em 912 euros auferidos, ao fim de cada mês de trabalho.

Machico e Santana são outros dois municípios nos quais se demorariam 21 anos a ‘desfazer-se’ do empréstimo, fechando assim as três primeiras zonas da Região com maior rapidez no ressarcimento financeiro.

E como falamos de arquipélagos, saiba que nos Açores a média na conclusão do pagamento está cifrada nos 16 anos, menos 12 quando comparado com a Madeira.

Comparação permite poupança

Sérgio Pereira, director-geral da plataforma ComparaJá.pt, diz que os casais devem comparar “propostas de crédito à habitação de todo o mercado e não apenas do seu banco, antes de tomar qualquer decisão”, ou seja, “os consumidores têm de se informar em detalhe sobre as localizações mais competitivas para comprar casa, complementando as propostas apresentadas pelas agências imobiliárias com pesquisas nos vários portais online dedicados a este sector”, salientou o responsável pela plataforma digital.

Sérgio Pereira concluiu que “aliando a escolha da zona mais competitiva a uma boa negociação das condições do empréstimo, os portugueses poderão poupar facilmente várias dezenas de milhares de euros”. Este estudo do ComparaJá.pt teve como base os dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao valor do salário médio por município e os dados do Barómetro Nacional de Imobiliário (SAPO) respeitantes ao preço do m² em cada um dos municípios no primeiro trimestre de 2017.