“Temos que apostar nas novas tecnologias”

António Pires, presidente do Conselho Executivo da Francisco Franco

10 Out 2017 / 02:00 H.

A Escola Secundária Francisco Franco comemorou ontem 128 anos, mas está encaixada na Rua João de Deus há apenas 59. Até lá, a primeira sede ficava de Rua de Santa Maria (1889-1891), para depois ser transferida para o Palácio de São Pedro (1891-1896) e mais tarde para a Rua de João Tavira (1896-1938). Antes do actual edifício, a então única escola pública de ensino técnico ainda morou na Rua das Hortas (1938-1958). António Pires, presidente executivo há quatro anos e que começa agora um segundo mandato ao lado da anterior equipa, fala sobre a ascensão dos últimos anos.

Qual o balanço destes anos de carreira? Foram quatro anos de trabalho intenso, mas muito gratificantes. A nossa responsabilidade para com a sociedade é investir na qualidade de ensino, proporcionando a todos os que nos procuram as condições para que possam ter sucesso na escola e na vida, independentemente dos percursos que escolherem e da sua origem social. Só com o trabalho de equipas motivadas e empenhadas nos bons resultados é que tem sido possível alcançar estes objectivos.

O que destaca nestes 128º anos de Francisco Franco? A Escola é desde o final do século XIX a porta de entrada de muitas gerações de madeirenses que aqui têm encontrado a educação e a formação necessárias para poderem aceder a melhores níveis de vida e de realização pessoal, contribuindo assim para uma sociedade mais desenvolvida. Enquanto antiga “Escola Industrial” desempenhou um papel fundamental na formação de quadros médios e técnicos das empresas e serviços, em áreas nos domínios das artes e ofícios. Teve ao longo da sua história uma forte ligação ao mundo do trabalho, dimensão que tem vindo a perder, fruto das alterações no sistema de ensino e da procura dos cursos científico-humanísticos. Ao comemorarmos estes 128 anos da escola, sentimos que ela tem uma grande notoriedade e é associada a um ensino de qualidade.

Quais são as áreas de estudo da escola que têm melhores resultados? Comparar resultados é sempre difícil porque os números, só por si, não dizem muito. Há áreas em que a escola sempre teve bons resultados e outras em que tem havido uma evolução. Dentro de cada área de estudos nem todas as disciplinas têm o mesmo desempenho todos os anos. Também o grau de exigência não é igual... De uma forma geral estamos muito satisfeitos com os resultados. Das 17 disciplinas em que tivemos exames nacionais, fazendo a comparação com a média nacional, obtivemos uma melhoria dos resultados em 12 delas. E 108 dos nossos alunos obtiveram resultados iguais ou superiores a 18 valores nas mais diversas disciplinas nesses exames. Em todos os cursos com as médias de acesso mais elevadas das Universidades do país, entraram alunos da Francisco Franco. Mas estamos atentos para identificar fragilidades e agir para podermos fazer cada vez melhor.

Por que há tantos alunos, nos últimos anos, a eleger a Francisco Franco como primeira opção? Penso que tem que ver com a percepção que se tem mais da qualidade do nosso trabalho. Temos boas instalações, um bom quadro de pessoal docente, uma boa organização, bom ambiente, bons resultados, uma oferta educativa diversificada, muitas actividades de enriquecimento curricular, apoios educativos e projectos de promoção do sucesso ao longo do ano, com um forte incremento durante o período de realização dos exames. Mas os nossos maiores embaixadores são os nossos alunos que são a prova e dão testemunho do ambiente que aqui se vive.

O que diferencia a Francisco Franco de outras escolas na Região? Somos a maior escola da Região, aqui convivem diariamente alunos da mais diversa origem geográfica e social. Há uma cultura de autonomia, de responsabilidade e de participação dos alunos, reunindo com os delegados de turma duas vezes por ano para lhes pedirmos sugestões de melhoria e os envolvermos no seu sucesso educativo. É uma gestão de grande proximidade e de portas abertas.

A escola tem tido cada vez melhores resultados à medida que passam os anos? É verdade. Há quatro anos que atribuímos Prémios de Mérito e temos um aumento anual de cerca de 25%. Há quatro anos foram distribuídos 240 prémios (de Excelência, de Honra, de Assiduidade e de Atitudes e Valores). Este ano foram distribuídos 462.

Em que é que é importante investir nos próximos anos? Estamos num tempo em que não sabemos muito bem que tipo de profissões haverá daqui a 20 anos e quais as que deixarão de existir. O futuro é incerto e imprevisível. Ora o grande desafio das escolas está em facultar formação adequada para este novo mundo. Temos que apostar nas potencialidades das novas tecnologias, mas não podemos esquecer que importa saber o que podemos fazer com ela: desenvolver o pensamento crítico, a curiosidade, a criatividade, a liderança, a autonomia, a resiliência, a comunicação, os valores... Para além dos conteúdos curriculares, estes são os desafios que todos devemos assumir.

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