Taxa de desemprego mais baixa em 7 anos

Tanto no 4.º trimestre de 2017 (8,9%) como na média anual (10,4%), o Inquérito ao Emprego na Madeira mostra um contexto muito positivo

08 Fev 2018 / 02:00 H.

Há duas notas de maior realce nas estatísticas do emprego na Região Autónoma da Madeira em 2017 divulgadas ontem, que dão conta de uma evolução muito positiva confirmando a diminuição do desemprego registado mensalmente.

A primeira é que os 8,9% da taxa de desemprego no 4º e último trimestre do ano passado e os 10,4% da média anual com que se fechou 2017, são os valores mais baixos em sete anos deste indicador. Desde 2010 que não tínhamos valores tão positivos, o que em termos trimestrais corresponde a 28 trimestres (contabiliza-se desde o 1.º trimestre de 2011, altura em que se iniciou uma nova série do Inquérito ao Emprego promovido pelo INE/DREM).

A segunda é que comparando com o resto do país (8,1% no 4.º trimestre e 8,9% na média anual), a Madeira confirma pelo segundo trimestre consecutivo ter deixado de ter a taxa mais alta das regiões (no 3.º trimestre tinha sido Lisboa, no 4.º trimestre foi o Norte), embora na taxa anual mantenha o valor mais alto, a verdade é que há uma clara aproximação à média nacional, pois se no último trimestre de 2017 houve uma melhoria 0,4 pontos percentuais, no acumulado do ano a taxa de desemprego regional baixou 2,5 pontos percentuais.

Estes, grosso modo, são os dados mais relevantes, embora haja outros que, esmiuçando a informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) e complementados com outros disponibilizados pelo Instituto do Emprego da Madeira (IEM), permitem perceber que, passados os piores anos da crise (sobretudo entre 2012 e 2014) e entrados num período de melhoria na economia (52 meses consecutivos com o Indicador Regional de Actividade Económica a crescer), há factores que não permitem dizer, com segurança, que encetamos um ciclo sustentado de crescimento.

Da população total à empregada

Fixemos primeiramente na população total. Das cerca de 252.100 pessoas residentes na Madeira, chegou-se a um nível tão baixo quanto não se via desde o 1.º trimestre de 2003 (251.964), isto numa região que já chegou a ter uma população de 267.903 pessoas (4.º trimestre de 2010). Ou seja, no final de 2010 a Madeira e o Porto Santo atingiram o máximo de população e em sete anos perderam-se 15.803 pessoas.

Por outro lado, a população envelheceu e a juventude ‘desapareceu’, frase que se explica neste período de tempo com números: a população com menos de 15 anos totalizava 45.611, actualmente ascende a menos 10 mil (35.300), enquanto a população dos 45 aos 64 (66.823) e com 65 ou mais (37.666) ganharam peso na sociedade madeirense (73 mil os primeiros, 41.500 os segundos no 4.º trimestre de 2017), precisamente mais 10 mil do que há sete anos.

A população activa não tem sofrido variáveis de assinalar nos últimos anos, uma vez que no último trimestre ascendiam a 134.900 e até registou-se uma melhoria de registo positivo face aos 131.500 do 3.º trimestre de 2017 e ainda mais face aos 128.300 do 4.º trimestre de 2016. Mas perde claramente comparando o 4.º trimestre de 2010 (140.059).

Sendo classificadas as pessoas activas como um “conjunto de indivíduos com idade mínima de 15 anos que, no período de referência, constituíam a mão-de-obra disponível para a produção de bens e serviços que entram no circuito económico (empregados e desempregados), e analisando os dados históricos, no último trimestre a força laboral na Madeira atingiu o valor mais alto desde o 2.º trimestre de 2012, quando ascendiam a 135.100, mas ainda longe do máximo em 20 anos (retrospectiva disponível recua apenas até 1998), precisamente no 4.º trimestre de 2010, quando havia mais 5.159 pessoas activas.

Curiosamente, a taxa de actividade no 4.º trimestre de 2017 atingiu o valor mais alto desde o 1.º trimestre de 1998, totalizando 53,5% da população, embora face à população com 15 e mais anos, esta aumente para 62,2%, dos valores mais altos deste período de duas décadas.

Ora, no que toca à população empregada, dizem as estatísticas que no final do ano passado estavam 122,9 mil pessoas, o número mais elevado desde o 1.º trimestre de 2011 (119,8 mil pessoas), altura em que o ‘Inquérito ao Emprego’ começou uma nova série estatística, pelo que não é possível fazer um comparativo com o passado. Isto porque havia claras discrepências nos valores do passado face à realidade - tema várias vezes tratado no DIÁRIO -, tanto é que no 4.º trimestre de 2010, o Inquérito contabilizava a população empregada em 129.555 e bastou a alteração do método de realização e cálculo para baixar em 10 mil no trimestre seguinte.

Reposta a fiabilidade há sete anos e tendo em conta o pior período da crise (1.º trimestre de 2013, quando o desemprego atingiu o máximo histórico, 26,1 mil pessoas), a taxa de emprego actual ascendeu a patamares nunca vistas neste período, 56,7%, totalizando 15,1 pontos percentuais acima do registo mais modesto.

Assim, não é de estranhar que, apesar da condicionante da perda de população total e da perda de população activa, haja neste momento ‘apenas’ 12 mil pessoas que se declararam desempregadas, 10.500 das quais à procura de um novo emprego, 3.700 procurando trabalho há menos de um ano e 8.300 há um ano ou mais tempo.

Assim, chegamos à actual taxa de desemprego, que é quase 11 pontos percentuais a menos do que o máximo de sempre (19,8% no tal 1.º trimestre de 2013) e que, por exemplo, actualmente afecta apenas 1 em cada 4 jovens madeirenses (dos 15 aos 24 anos), ou seja 25,2%, quando no período mais difícil atingiu 54,9% dessa faixa etária.