“Sempre tive um fascínio por andar de mochila às costas”

Luísa Sousa, peregrina e autora de ‘Um Caminho para Todos - Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago’

07 Dez 2017 / 02:00 H.

Luísa Sousa lançou há um ano o livro ‘Um Caminho para Todos – Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago’ que relata uma experiência vivida em 2014, no Caminho de Santiago. A peregrina percorreu um total de 1000 quilómetros a pé ao longo de 42 dias, com partida de Sevilha e chegada a Santiago de Compostela.

Ao DIÁRIO falou desta sua vivência e no sábado irá estar na Livraria Esperança, onde está prevista, pelas 16 horas, uma conversa sobre os Caminhos de Santiago, que irá levar até ao público aquela que foi uma das experiências mais enriquecedoras da sua vida.

Quando é que sentiu que precisava ter uma experiência ligada à peregrinação? Sempre tive um fascínio pela peregrinação e por andar de mochila às costas. Na altura, com mais 40 quilos em cima, achava que era impossível partir rumo a Jerusalém ou a Roma, por exemplo. Mas tudo começou quando estava a estudar em 2006, no Porto, e fui na qualidade de turista a Santiago de Compostela. Foi aí que senti aquele ‘clique’...

O que é que aconteceu para ter sentido a vontade de ‘deixar tudo para trás’ e partir de mochila às costas? Lembro-me de estar sentada nas escadas da catedral de Santiago de Compostela e de ver uns peregrinos espanhóis a chegar a cambalear. Apesar de estarem visivelmente cansados notei que estavam felizes por terem chegado ao destino, tanto que gritavam “campeões, campeões”. Perante este cenário lembro-me de ter ficado arrepiada e de ter sentido aquele ‘clique’. Foi aí que decidi que queria também sentir aquela sensação e, inclusive, transmiti essa intenção à minha amiga que me acompanhou nessa viagem que também se disponibilizou para vir comigo.

E quando é que passou da ideia à prática? Decidimos que 2010 seria o ano da nossa primeira caminhada por ser o ano Jacobeu. Depois de trabalhar, poupar e ter feito uma preparação física, apesar de nem tudo ter sido feito como o planeado (risos), fizemos o Caminho português, depois o francês e Viade la Plata e o Caminho Sanabrês.

Qual foi o mais marcante? Todos os caminhos foram importantes, porque marcaram bastante o meu percurso de vida, mas o caminho português acabou por ser o mais importante por ter sido o primeiro e acabou por ser uma prova de superação, porque consegui chegar ao destino e percebi que era capaz de fazer uma longa caminhada.

E Caminho de Santiago? O Caminho de Santiago, que foi feito em 2014, foi diferente porque fiz sozinha e foi o percurso mais longo que fiz até agora. Foram 42 dias e 1000 quilómetros percorridos a pé, onde encontrei pelo caminho muitos peregrinos que tinham o mesmo objectivo do que eu, que era chegar a Santiago de Compostela. Ainda hoje falo com alguns deles, mas obviamente que há pessoas que vamos perdendo o contacto.

Quais foram os principais obstáculos que encontrou pelos caminhos que percorreu? Os obstáculos mais ‘óbvios’ foram as dores que senti a nível físico pelo facto de, na altura, estar com mais peso. Além disso, a chuva, o frio e o calor também acabaram por ser um obstáculo, mas no meio de tudo isto um dos meus grandes objectivos era saber se seria capaz de alcançar aquilo que defini quando decidi que queria ter este género de experiência, acabando assim com a dúvida que paira no ar quando nos questionamos se somos capazes de fazer determinadas coisas.

Como é que surgiu a ideia de escrever o livro ‘Um Caminho para Todos - Diário de uma peregrina no Caminho de Santiago’? Quando estava em peregrinação ia escrevendo os episódios no blog www.umcaminhoparatodos.wordpress.com, porque tinha a cabeça cheia e precisava de descarregar um pouco tudo aquilo que recolhia ao longo da caminhada. Na altura, percebi que o blog era bastante seguido por peregrinos e muitas pessoas sugeriram que passasse tudo aquilo para um livro. Mas este nunca foi um objectivo... só depois de o meu pai ter pedido para ver o que tinha escrito é que percebi que tinha de passar todos aqueles episódios para uma obra, porque nem todas as pessoas estavam muito à vontade com as novas tecnologias como o meu pai (risos).

Este sábado quem for à Livraria Esperança irá ter a oportunidade de ouvir algumas das histórias que tem para contar. O que preparou para este dia? Para este dia está prevista uma conversa informal sobre este tema, onde irei trocar experiências e partilhar histórias com as pessoas que se deslocarem ao local do evento, estando também prevista a intervenção de alguns convidados para falar sobre a peregrinação.

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