Sem subsecretários e com outros directores

Novos secretários tomam posse na terça-feira. Mudanças na orgânica vão implicar saídas de directores regionais. Vertente política é reforçada e Pedro Calado é um super-secretário

13 Out 2017 / 02:00 H.

Em 2015, logo após ganhar as eleições regionais com maioria absoluta, Miguel Albuquerque admitiu formar um governo com secretários e subsecretários e com um número muito reduzido de directores regionais. Acabou por não o fazer e até se viu obrigado a incluir no executivo elementos que não pertenciam ao seu círculo mais próximo e que o ajudaram, primeiro, em 2012, a enfrentar Jardim e perder por uma ‘unha negra’ e, mais tarde a ganhar o partido.

Pedro Calado, o seu ‘número dois’, ficou de fora. Dois anos e meios depois, entra no governo com poderes que nem os anteriores vice-presidentes, como João Cunha e Silva tiveram.

Vai ter a tutela das Finanças, da Economia, dos Transportes e de uma ‘Coordenação Política’ que, na prática, quer dizer que manda em todos quando Albuquerque não estiver presente. Uma competência natural de um vice-presidente, mas que a nova orgânica do governo - os novos secretários tomam posse na próxima terça-feira - reforça. O objectivo parece ser o de não deixar qualquer dúvida de que os dois anos que faltam de mandato serão de forte marca política.

Albuquerque garantiu que não haverá subsecretários neste novo modelo de executivo - se fossem nomeados teriam assento no conselho de governo - mas é certo que ao nível das direcções regionais deverão surgir alterações.

Além das trocas de tutela, porque transportes, economia e finanças ficam com Pedro Calado, as obras públicas passam a ter como principal responsável Amílcar Gonçalves, os assuntos europeus passam para a Secretaria Regional do Turismo e Cultura e os assuntos parlamentares são transferidos para a Educação que também vai tutelar as comunidades, haverá novas caras à frente desses departamentos.

Albuquerque e Pedro Calado garantem que só depois de terça-feira haverá novidades. Até lá, os directores regionais têm um fim-de-semana semelhante ao que viveram os secretários regionais, há oito dias. Não sabem se continuam ou se terão de regressar aos seus postos de trabalho de origem.

Ontem, no Museu da Casa da Luz, registou-se um episódio curioso, com Calado, ainda na qualidade de administrador do JM - deverá ter sido o último acto nessas funções - a receber Albuquerque, numa iniciativa para a qual o presidente do governo tinha sido convidado (ver texto na página ao lado).

Partido na expectativa

No PSD-M são mais os boatos do que as certezas quanto às reacções das principais figuras a esta remodelação.

Chegou a ser referido que as decisões de Albuquerque não teriam sido bem recebidas na comissão permanente, mas rapidamente foram negadas. Este órgão tem um número reduzido de elementos e dele fazem parte Albuquerque, o secretário-geral, Rui Abreu, o líder parlamentar, Jaime Filipe Ramos, Rubina Leal e Pedro Calado. Na prática, o núcleo duro do partido, escolhido pelo líder e em total sintonia com ele.

Diferente deverá ser a reacção do Conselho Regional, onde poderão surgir vozes discordantes, tanto em relação aos resultados das últimas eleições autárquicas, como em relação às mudanças operadas no governo.

A próxima reunião do órgão máximo do partido, entre congressos, ainda não está marcada, mas deverá acontecer em Novembro, cumprindo os prazos estatutários.

‘De besta a bestial’

As reacções da oposição às mexidas no governo tiveram um indicador comum. Todos os partidos apontam como negativa a relação profissional de Pedro Calado com o grupo empresarial de Avelino Farinha (AFA) e consideram que este é um sinal de que os interesses económicos - a AFA é a maior empresa de construção da Região, tem o grupo hoteleiro que está a construir o Savoy e é proprietária do JM - poderão ter influência na governação.

Do mesmo modo, os secretários regionais que saem foram considerados vítimas das pressões. Na sessão plenária de ontem, na Assembleia Legislativa da Madeira, Sérgio Marques, mas sobretudo Eduardo Jesus, foram elevados quase à condição de ‘mártires’.

Curioso o facto de o até agora secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, ter estado no plenário, na terça-feira, para defender um diploma sobre pedreiras e ter sido atacado por várias bancadas da oposição. Dois dias depois, conhecido o seu afastamento do governo, foram elogiados os seus esforços para enfrentar o Grupo Sousa, nas questões ligadas à operação portuária.

Tanto Sérgio Marques como Eduardo Jesus foram eleitos deputados, nas ‘regionais’ de Março de 2015, na quarta e oitava posições da lista do PSD e foram substituídos por Paulo Freitas e Francisco Nunes. Os ex-secretários ainda não informaram se irão assumir os mandatos.