Sector automóvel em crescendo

Madeira Auto-car vai investir um total de 800 mil euros nas suas instalações

07 Dez 2017 / 02:00 H.

É um local que se torna cada vez mais reconhecido pelas seguradoras. A primeira fase de investimento nas instalações da Madeira Auto Car, na Nazaré, foi ontem assinalada com as visitas de dois vices. Miguel Gouveia e Pedro Calado ficaram a conhecer as remodelações do centro de colisão e pintura naquele edifício, no valor de 350 mil euros, e que numa primeira fase cria três postos de trabalho. Faltam agora 450 mil euros anunciados para outras instalações.

Pedro Calado, talvez recordando os tempos de ligação ao automobilismo, não esqueceu o crescimento deste sector na Região, que em 2017 teve um aumento de quase 12% em termos de vendas automóveis, congratulando a visão da família Leacock, que já presta serviço aos madeirenses há 82 anos.

“Quando um empresário faz um investimento com a dimensão de 800 mil euros, sobretudo depois de ter passado por uma fase difícil, a nós passa-nos um sentimento muito positivo”, disse o vice-presidente do Governo Regional.

Numa perspectiva de que a Região “tem de proteger sempre os empresários madeirenses”, dada a dimensão do capital total investido pelo grupo, Pedro Calado referiu que o Governo Regional “tenta passar a imagem que é necessário fazer investimento público”, sendo que, “ou criamos condições para as empresas se aguentarem e crescerem, ou então não vale a pena estarmos nestes lugares políticos”.

“Sem investimento público numa Região como a nossa, em que vivemos muito do sector primário, de serviços e comércio, com 260 mil habitantes, a Região não se aguenta”, mencionou Pedro Calado, que em 2018 tem reservados 576 milhões de euros para investimentos, sem esquecer a redução do IRC em 1%, o que representa menos dois milhões de euros em receitas fiscais para os cofres do Governo.

Números estão a voltar a 2011

Afonso Tavares da Silva, CEO da Leacock Investimentos, destacou a longevidade da empresa na Madeira, onde já marca presença “há muitos anos”, adiantando que “só agora se sentiram suficientemente confiantes” para investir, depois da Madeira Auto-Car ter voltado a uma retoma nas vendas, que neste momento anda à volta dos números de 2011, ou seja, indicadores que existiam antes da crise.

“Notamos que há um aumento do poder de compra e confiança dos consumidores, o que nos dá algum alento para fazer este investimento”, disse Afonso Tavares da Silva, sobre o espaço que agora passou para o dobro, com 2.000 metros quadrados.

Sobre os postos de trabalho criados, o CEO mencionou que “gostaria de criar mais três”, mas neste momento está com dificuldade em “encontrar mão-de-obra qualificada”, naquele que classifica como “um problema transversal”.

“Vemos nos sinistros uma oportunidade de nos diferenciarmos, prestando um serviço de excelência, rápido e eficiente. É um pouco como o dentista, ninguém gosta de estar aqui, de bater ou trazer o carro, mas tentamos fazer com que seja o menos doloroso possível”, esclareceu.

Ao finalizar, Afonso Tavares da Silva deixou uma nota interna sobre o facto de em 2013, “no pico da crise”, ter pedido ajuda aos funcionários quando teve de “reduzir horários”, pedido ao qual ninguém recusou. “Dormi mal muitas vezes e a verdade é que com o empenho de toda a gente estamos aqui, sem que tenha havido qualquer despedimento”, congratulou-se.

Cerca de 52 mil veículos por dia

Miguel Gouveia, vice-presidente da CMF, começou por referir que vê “sempre com bons olhos qualquer investimento no concelho” e a exemplo disso destacou o Balcão do Investidor, que “já teve mais de 2.000 atendimentos nos últimos dois anos”.

O autarca falou ainda das medidas que o município tem desenvolvido nas questões da mobilidade, como por exemplo na “acalmia de trânsito”, com cerca de 260 mil euros investidos.

“Em 2015 existiram cerca de 2.700 colisões registadas pela PSP, o que demonstra que este sector ainda vai continuar a ser necessário, especialmente se tivermos em consideração que no Funchal entram todos os dias cerca de 52 mil veículos”, disse Miguel Gouveia, evidenciando que este investimento “tem mercado e será um sucesso”.

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