Santuário faz 90 anos

O monumento pela paz ainda faz sentido, diz Giselo Andrade

14 Ago 2017 / 02:00 H.

O Santuário de Nossa Senhora da Paz no Terreiro da Luta faz hoje 90 anos, um local de peregrinação erguido depois da I Guerra Mundial, fruto de uma promessa feita pelo padre do Monte numa cerimónia com o povo realizada no Largo da Fonte a 27 de Julho de 1917. O Funchal tinha sido bombardeado pelos submarinos alemães e o padre José Marques Jardim comprometeu-se a erguer um memorial como gratidão e súplica pela paz.

A guerra chegou ao fim e depois de angariar dinheiro para a construção, também pelas comunidades, o santuário foi inaugurado a 14 de Agosto de 1927. Hoje, o monumento continua a fazer sentido, acredita o padre Giselo Andrade, da Paróquia de N. S. do Monte, que gostaria de ver pelo centenário outras actividades e cuidados. “É preocupante quando vemos que países trocam palavras ásperas entre si e ameaças entre si, claramente que isto nos inquieta e nos faz perguntar se de facto esta paz pode estar em perigo”.

Os 90 anos serão discretos. A paróquia vai chamar a atenção para a efeméride e alertar para a importância da data. Nestes dias, com as celebrações de N. S. do Monte a decorrer, não há capacidade para mais. “Neste momento é o que está previsto. Podem ser organizados outros elementos, como uma missa, uma celebração comunitária em agradecimento a Deus. Mas neste momento para o dia 14 não está nada, está é aqui [na igreja], às 9 da noite”.

Já no centenário, as coisas poderão ser diferentes. Gostaria de ver algo que marcasse um acompanhamento da Igreja aos cem anos do santuário. “Alguma celebração mensal, um momento onde as pessoas pudessem se encontrar. Acho que isso seria bom em primeiro lugar para o sentido das pessoas. E depois, claro, um acompanhamento também nas áreas envolventes, ou seja no cuidado que é preciso ter”.

O pároco reconhece que o santuário fica distante e que não é fácil este cuidado, “mas como lugar de peregrinação de tantas pessoas não só da Madeira, mas de tantos turistas que conhecem e vão lá acima, devíamos ter este cuidado enquanto Igreja de estruturar e cuidar aquele espaço o melhor possível como espaço que nos pode elevar até Deus.”

As pessoas continuam a lá ir acender uma vela e rezar, a cera é prova disso. A pequena capela erguida no recinto recebe celebrações pontuais. “Não há uma pastoral programada, não há um programa específico mensal ou semanal. É mais um encontro com Deus. Naquele monumento cada pessoa encontra-se com Maria, sem horários e sem nenhum tipo de formalidades, os chamados rituais. (...) Chega lá e reza, pede o que necessitar”.

Ao lado, neste quase meio do nada, está a casa de retiros, usada pelos grupos religiosos. Com o passar do tempo e com a doação da casa à Igreja, todo o complexo ficou ao cuidado da Diocese, embora seja pertença da Paróquia. O lugar é especial ainda, contou Giselo Andrade, porque foi perto do monumento que apareceu a pequena imagem de N. S. do Monte que é ainda hoje venerada.

O padre reconhece que actualmente a fé não é tão visível. Mas alerta: “A fé não se pode medir pela participação ao nível dos rituais, nem mesmo a participação dominical. Não se vai pensar que os que participam na missa são os únicos que têm fé”. “A participação dominical não pode ser o termómetro da fé numa sociedade”.

Casa de retiros pede obras

A casa de retiros no Terreiro da Luta é antiga e muito húmida, está a precisar de intervenção, diz o padre do Monte. “A casa está a necessitar de uma restruturação, ate porque os retiros devem nos dar um bom ambiente”.

Sem entrar em pormenores, o sacerdote refere que o edifício sofre de problemas que aparecem em todos, com a passagem do tempo. E embora não haja planos no sentido de uma intervenção a curto prazo, teme que as obras não possam esperar muito mais. “Penso que não há um projecto propriamente dito de restruturação, porque há muitas necessidades na Diocese, no entanto, creio que pela necessidade vai-se impor”.

Continuar a manter a casa como espaço habitável onde os grupos cristãos possam fazer dias de encontro e de retiro, obriga a ter as mínimas condições e essas condições começam a ficar débeis, alerta o pároco.

Olhar de cima pela cidade

A primeira pedra foi colocada a 1 de Novembro de 1923, tendo o santuário ficado concluído quase quatro anos depois. A Monumento tem cinco metros e meio e a imagem de Nossa senhora com o menino está colocada em cima de um pedestal, onde é possível ver um baixo-relevo em bronze. O conjunto está rodeado por um terço, colocado mais tarde, feito de pedras recolhidas na Ribeira de Santo António e de correntes de navios torpeados no Funchal, tudo carregado às costas por quase 300 homens em procissão até ao local.

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