Santo António

focos no centro da cidade debaixo de olho. de resto, o ano deverá ser calmo, diz Minas

19 Jun 2017 / 02:00 H.

Há pontos de contacto entre o incêndio de Pedrógão Grande e os que atingiram no ano passado a Madeira. Sem comparar a tragédia humana, em termos de condições climatéricas e sobretudo do ponto de vista do combate ao fogo, José Minas identifica uma situação “um bocado parecida” com temperaturas elevadas, humidade baixíssima e vento, combinação perigosa que tornou “praticamente impossível” conseguir controlar o fogo no primeiro momento. Passado quase um ano e com o Verão à porta, o comandante do Corpo de Bombeiros Sapadores do Funchal antecipa uma temporada calma. A excepção é para a mancha verde de Santo António e para alguns pequenos focos no centro da cidade.

O comandante do Corpo de Bombeiros Sapadores do Funchal não contactou os colegas, a prioridade de quem está no terreno é extinguir o incêndio e a situação não estava controlada. “É um teatro de operações muito grande, para termos um ponto de referência, é bem maior em termos de área ao que aconteceu aqui no Funchal. Equiparado mais ao que aconteceu no ano passado na Calheta”.

Em termos de comando operacional, dos meios no terreno o combate em Pedrógão Grande é complexo, devido à grande quantidade de meios e às várias situações, umas controladas, outras fora de controle. “É muito complicado estar ou tentar se colocar na pele dos meus colegas do continente”. “Acabamos também por ter um bocado de sorte, mas as operações de evacuação foram fundamentais para evitar situações que aconteceram neste incêndio. Tivemos de evacuar as zonas afectadas, milhares de pessoas, passaram também por zonas a arder. Arriscámos a ter um bloqueio na estrada”, contou.

De resto, os cenários são incomparáveis. A orografia é diferente, a evacuação foi feita em direcção ao mar, num espaço mais pequeno, mais controlável, explicou o bombeiro mais graduado da Madeira. “Naquela situação, ter mais quantidade de estradas torna mais difícil cortar de imediato, a quantidade de efectivos que as forças de segurança têm naquela zona não corresponde à quantidade que nós aqui felizmente temos”, diferenciou.

Este Verão a corporação vai manter o mesmo dispositivo, ou seja três equipas prontas a sair. Com 60% da área verde do Funchal ardida, a preocupação é com o que ficou, particularmente em Santo António. “É uma zona ainda problemática”, assumiu José Minas. “Santo António preocupa-me porque tem uma carga de incêndio bastante elevada. Não ardeu no ano passado. Conseguimos parar o incêndio na zona da Ribeira Grande, e toda a mancha florestal para a esquerda até ao Curral das Freiras está intacta”.

Todos os incêndios que acontecem naquela zona são por norma favoráveis ao combate. “O ano passado tivemos o azar de ter o vento de um quadrante muito anormal em direcção à cidade. É muito difícil, ou quase impossível que haja um incêndio com vento de noroeste-sudeste, o vento que vem ali da zona do Curral, para percebermos melhor. É muito difícil que aconteça uma coisa dessas numa mancha florestal que está por arder.”

Além desta zona, são pequenas áreas dentro do casco urbano que preocupam o comandante. “O Funchal tem imenso coberto vegetal, no interior da área urbana e pequenas situações pequenos terrenos que nos preocupam. Estamos a tentar fazer algumas queimadas controladas e a colaborar com as pessoas que assim o façam para evitar essa carga de incêndio dentro da cidade. Agora a parte florestal, estaremos, com excepção de Santo António, aparentemente num ano calmo.”

Ainda assim, pelo menos 21 homens vão estar sempre prontos para sair. Há também a possibilidade de efectuar reforços, por exemplo em situações de aviso laranja, em que deslocam homens de outras áreas e formam uma quarta equipa de prevenção.

O facto de haver duas corporações no Funchal permite também que trabalhem em conjunto, substituindo-se em outras áreas. “No Funchal, nós conseguimos colocar numa primeira intervenção cerca de seis a oito equipas, portanto de primeira intervenção, equipas de apoio com autotanques. Aliás, aconteceu no incêndio do ano passado. Nós tínhamos na primeira hora a actuar nove equipas, apesar de três delas ficarem retinas na estação do IGA. Mas conseguimos mobilizar muita gente lá para cima.”.

O Parque Ecológico do Funchal faz parte dos percursos de patrulhamento e vai continuar. No ano passado os bombeiros tiveram de dar prioridade à protecção das pessoas e das suas habitações.

Limpeza dos terrenos
só com floresta rentável

Sobre as falta de limpeza dos terrenos que continua a persistir, José Minas defende que a legislação chega e sobra. A questão é outra, de difícil solução. Defende que tem que haver rentabilidade económica da floresta. Enquanto a floresta não render para pagar a sua limpeza, não há solução, diz. “O erário não tem capacidade para se substituir aos privados. A maior parte dos terremos são privados. E imagine agora esses terrenos todos caírem na alçada de uma câmara ou do governo. É impossível. Não há dinheiro mesmo, não há meios para fazer essa limpeza, com meios públicos”.

A outra solução do seu ponto de vista passa por criar mecanismos de protecção das pessoas em relação à floresta. Considerar a floresta como um risco, não tem dúsidas será durante os próximos anos. Por exemplo, não ter habitações dentro da floresta, não haver continuidade entre a floresta e a área urbana e interditar a reconstrução de habitações que estejam em zona de elevado ou extremo risco de incêndio florestal são fundamentais. “Há uma série de medias que têm de ser tomadas e cujos resultados vamos vê-los só daqui a anos. Não há milagres.”

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