Rum da Madeira tem “classe”

Primeiro Festival desta bebida decorre até dia 21 de Maio no largo da restauração

19 Mai 2017 / 02:00 H.

A Madeira produz anualmente cerca de 11 toneladas de cana-de-açúcar e toda a vida os madeirenses apelidaram o Rum agrícola de aguardente de cana erradamente. A atender pelos conhecimentos do ‘sommelier’ Américo Pereira, esta bebida destilada da cana sacarina é o “Rum agrícola em qualquer parte do mundo”. As declarações surgem na sequência da abertura do primeiro Festival do Rum da Madeira, ontem, no Largo da Restauração, onde o especialista participou e fez as honras de elucidar os presentes sobre a qualidade destas bebidas produzidas na Região. A iniciativa prolonga-se até domingo, dia 21 de Maio.

A ideia surge do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IBVAM) que decidiu promover durante as festividades da Festa da Flor, a promoção do Rum agrícola da Madeira. Mas porquê Rum e não aguardente? Américo Pereira explicou que “os primeiros colonos que vieram para a madeira eram do Minho e estavam habituados a fazer todo o género de destilados e a chamá-los de aguardente”, facto que nos fez perder “o comboio mundial”, apesar de termos sido a primeira região fora da zona do mediterrâneo a produzir a cana-de-açúcar, mais precisamente em 1425.

“Este trabalho passa fundamentalmente para as pessoas fazerem provas e preparar e mentalizar as pessoas para que vejam que o nosso produto é de classe mundial. Estivemos ontem em Lisboa a provar 50 e poucos destilados de cana-de-açúcar e o nosso é distinto, tem uma impressão digital da Madeira”, afiançou Américo Pereira.

Segundo a presidente do IBVAM, Paula Jardim Duarte, “o Rum na sua maioria é consumido na Região e grande parte da sua produção é transformada com outros concentrados de fruta, nomeadamente em Poncha” daí que tenha “havido nos postos de venda, uma dinâmica para suavizar as aguardentes”, perspectivando-se uma promoção desta bebida em outros mercados, até porque em termos locais o Imposto Especial de Consumo (IEC) permite que o Rum seja vendido com uma redução na ordem dos 75%.

“Não exportamos muito porque é preciso haver um incentivo para os industriais de modo a que coloquem o produto no mercado nacional, porque não conseguem concorrer com o preço praticado fora da ilha em comparação com outras bebidas da mesma categoria devido ao IEC, que não se aplica fora da Madeira”.

Na Madeira tivemos 54 engenhos no final de 1840 e aos poucos foram desaparecendo. Actualmente, 80% da produção de cana é destinada para o Rum e os restantes 20% para o mel de cana. “Os residentes estão mais sensíveis em consumir produtos feitos na Região”, informa Paula Jardim Duarte, que relembrou que o IBVAM decidiu trazer à Madeira uma equipa de jornalistas especializados nesta bebida e que neste primeiro dia fizeram-se visitas aos vários engenhos onde a ideia passa por “mostrar e provar tudo o que se produz”.