A fortaleza dos Barreiros

17 Set 2017 / 02:00 H.

Factos são factos e diz-se que contra eles não há argumentos. Com a vitória de ontem, obtida sobre o Desportivo das Aves, o Marítimo consegue uma série de itens, no mínimo, muito interessantes: continua sem perder em casa desde Setembro de 2016, qual fortaleza que Daniel Ramos construiu no Estádio do Marítimo, desde que cá chegou, faz um ano no dia 22 deste mês, vai na quarta vitória consecutiva na presente edição da Liga e, mais uma coisa, o seu treinador acaba de bater um recorde que pertencia a outros dois treinadores (Cajuda e Pedro Martins), com o melhor arranque de sempre (15 pontos) no campeonato português. É de facto muita coisa boa neste dealbar de temporada para uma equipa que, muitos dizem e o próprio Daniel Ramos admite, tem menos argumentos que outras do campeonato português. E com a derrota do Benfica ascende ao terceiro lugar à 6ª jornada da Liga. Ufa!!!

Ontem, frente ao Aves, que logrou fazer o primeiro golo a Charles nos jogos nos Barreiros esta época, mais uma vitória, de novo sofrida (este Marítimo constrói as suas vitórias com muito sofrimento), quiçá ontem evitável, de acordo com as incidências do jogo. Mas venceu e, refira-se, com toda a justiça.

De resto, o Marítimo até entrou forte no jogo, procurando jogar bem num mau relvado e, ainda o ponteiro do relógio não tinha assinalado o primeiro minuto, e Jean Cleber dispôs de uma boa oportunidade para dar o golo a marcar a Rodrigo Pinho, isolado, mas não foi assertivo no momento do passe. Esta entrada acabou por dar os seus frutos com o primeiro golo maritimista, que nasce de uma boa jogada pela direita, com Edgar Costa a tirar um cruzamento milimétrico para o cabeceamento de Rodrigo Pinho.

Contudo, o Aves, que dispõe de bons jogadores, reagiu bem e dispôs logo de uma grande oportunidade para marcar, quando Arango aproveita uma falha de Pablo e isola-se, valendo a excelente defesa de Charles. Nesta fase o Aves colocou à prova a defesa verde-rubra, que passou por alguns dissabores, com Amilton a cabecear por cima da barra num cruzamento de Arango e depois Ponck a falhar na cara de Charles.

Não marcou o Aves, marcou o Marítimo, num contra-ataque letal, conduzido por Jean Cleber, a romper pelo meio campo contrário e a assistir Rodrigo Pinho, que caminhou para a baliza de Quim e aplicou-lhe um chapéu à saída do veterano guardião português.

No inicio da segunda parte o Marítimo poderia ter sentenciado o jogo, mas Ricardo Valente desperdiçou, de baliza escancarada, uma boa jogada de combinação entre Rodrigo Pinho e Jean Cleber.

Os verde-rubros, mesmo com um meio campo menos agressivo na busa da bola, como habitualmente o faz, baixou o bloco e foi procurando sair em transições rápidas, suportando depois a pressão do Aves, que lhe valeu ainda um golo (81 minutos) deixando o resultado em aberto até ao fim. Um resultado que o Marítimo soube segurar com garra.

Melhor em Campo

R. Pinho

8

Os primeiros golos do ponta de lança brasileiro na Liga e decisivos na vitória do Marítimo. Aliás, dois golos de boa execução técnica, de cabeça e num chapéu a Quimo. Rodrigo Pinho jogou e fez jogar a equipa, saindo esgotado na parte final do jogo.

A vitória de ontem proporcionou ao Marítimo, beneficiando ainda da derrota do Benfica, a subida ao terceiro lugar da Liga e a obtenção de um recorde histórico. Ou seja, Daniel Ramos é agora o treinador com mais pontos alcançados à 6ª jornada da Liga, ultrapassando Pedro Martins (2013) e Manuel Cajuda (2003) que, ao fim desta ronda, tinham ambos conquistados 13 pontos. Por outro lado, a equipa mantém um registo de invencibilidade impressionante, em jogos para a Liga, que já dura há um ano com Daniel Ramos. Apenas, em todas as outras competições, o Marítimo foi derrotado em casa uma vez e pelo Braga. Foi para a Taça da Liga em Janeiro deste ano.

Se não bastasse, o Marítimo sofreu ontem o primeiro golo na sua casa em todas as competições desta temporada (Liga, Taça da Liga e Liga Europa). Coube a Alexandre Guedes fazer um golo nos Barreiros. O terceiro lugar, à frente do Benfica, é a cereja em cima do bolo numa altura em que o Marítimo comemora 107 anos e existência.

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