Resíduos de disparos tramam triplo homicida

Tribunal condena Emiliano Martins à pena máxima, pelos homicídios do pai, mãe e irmã

14 Jun 2018 / 02:00 H.

Resíduos de disparos de uma arma de fogo detectados no corpo e na roupa constituíram uma prova determinante no julgamento de Emiliano Martins, o homem que ontem foi condenado à pena de 25 anos de prisão por ter matado o pai, a mãe e a irmã na noite de 12 de Agosto de 2017 em Santana.

A soma aritmética das penas parcelares por homicídio aplicadas ao arguido chegava aos 70 anos de prisão (25 anos pelo pai, 25 anos pela mãe e 20 anos pela irmã), mas como o Código Penal fixa a pena máxima em 25 anos de prisão foi este o castigo aplicado em cúmulo jurídico.

O colectivo de juízes presidido por Filipe Câmara deu como provado que o homem de 51 anos traçou um plano para tirar a vida aos pais e à irmã, que viviam em França e no Algarve e que passavam as férias de Verão na casa de família em Santana. Não foi encontrado um motivo para tal decisão, embora tivesse discussões com a irmã e o pai devido a questões financeiras e à gestão da vida familiar.

Na fatídica noite, jantou e esteve a jogar poker no computador até às 23h30, altura em que o irmão e o sobrinho saíram para um bar. Emiliano aproveitou essa oportunidade para executar os três familiares, que já estavam a dormir. Para o efeito terá agarrado na espingarda do pai, que estava na sua posse e que previamente preparara. Primeiro foi ao quarto da irmã e matou-a com um tiro na cara. Depois foi ao quarto dos pais e matou a mãe com um tiro na cabeça. O pai ainda tentou se levantar da cama, mas também foi alvo de um disparo na cabeça. Ficou com ferimentos graves e viria a falecer no hospital. Depois dos tiros, o arguido saiu de casa, desfez-se da arma e foi para o bar onde viria a ser detido pela PSP.

Sem testemunhas oculares, sem ter sido encontrada a arma e com o arguido a negar a autoria dos crimes, foi através de testemunhas e provas indirectas que o tribunal concluiu que Emiliano Martins cometeu os três homicídios. Para tal decisão pesaram muito os resíduos recolhidos pela Polícia Judiciária nas mãos, cara, cabelo, calças e duas camisolas do arguido. Uma microanálise realizada pelo Laboratório de Polícia Científica confirmou conterem partículas (chumbo, antimónio e bário) características de disparos de arma de fogo. Também foi encontrado um invólucro deflagrado na mesinha de cabeceira do quarto do arguido. Noutra parte da casa havia artigos utilizados na limpeza da arma (spray lubrificante e papel).

Na leitura do acórdão, o juiz Filipe Câmara elogiou o trabalho da polícia. As palavras de louvor foram escutadas ao vivo por dois inspectores da PJ que, ao contrário do que é habitual, estiveram no tribunal a ouvir o acórdão.

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