Residência artística traz artistas internacionais à Ponta do Sol

A 3.ª edição da Estalagem da Ponta do Sol Residency For Contemporary Music and Electronics tem uma participação recorde de personalidades de vários países

02 Jan 2018 / 02:00 H.

    É uma iniciativa que acontece pelo terceiro ano consecutivo e que terá como epicentro cultural o concelho da Ponta do Sol. O evento Estalagem da Ponta do Sol Residency for Contemporary Music and Electronics arranca esta semana com muitas novidades e com uma participação recorde de artistas conceituados de vários pontos do globo, tendo esgotado o número de lugares disponíveis para esta residência que este ano se estende por dez dias e que além da área formativa com ‘masterclasses’ e ‘workshops’ terá vários concertos abertos ao público em geral. Uma iniciativa cultural bem interessante e que marca o arranque deste novo ano.

    O foco deste amplo evento é um curso, que acontece sempre no mês de Janeiro, organizado por uma responsável do departamento de música da conhecida Universidade Goldsmiths em Londres, nomeadamente Patricia Alessandrini, em parceria com a Estalagem da Ponta do Sol. A formação apresenta ‘masterclasses’ na área da música contemporânea, ministrada por professores de várias universidades europeias. E este ano, entre outras, uma das grandes novidades é a participação da conceituada artista Keiko Murakami do Japão, uma das referências internacionais na área da música contemporânea.

    Na prática, a Residência foi promovida a nível global e terá participantes de várias nacionalidades e com carreiras de relevo que vêm à Madeira propositadamente para este curso de dez dias. São 25 artistas participantes que provêm de países como Irão, Austrália, Turquia, Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Espanha , Suécia, Inglaterra e Alemanha.

    Tanto os professores como os participantes irão ficar alojados na Estalagem da Ponta do Sol Hotel da Vila e Enotel Baía. ‘Masterclasses’ e concertos irão acontecer em vários espaços da Ponta do Sol, desde o auditório do Centro Cultural John dos Passos, à Capela de São Sebastião, passando pelo Cine Sol, até à Estalagem da Ponta do Sol, zona histórica, entre outros locais.

    Esta residência artística conta com o apoio da Câmara da Ponta do Sol e Direcção Regional da Cultura.

    O curso irá decorrer a partir de quinta-feira, dia 4, até 14 de Janeiro, sendo que o programa final será divulgado nos próximos dias e irá comportar ‘masterclasses’ na área da música contemporânea, abertas ao público em geral da Região, de forma gratuita, mas há necessidade de inscrição prévia para o ‘e-mail’ madeiraresidency@gmail.com. Os concertos serão igualmente gratuitos, mas não necessita de inscrição prévia.

    Cinco ‘masterclasses’ grátis para o público em geral

    Conforme salienta a organização, esta residência é uma oportunidade única para os alunos do Conservatório e outras escolas de música da Madeira de poderem, a título gratuito, beneficiar de ‘masterclasses’ de nível académico com a excelência de professores de referência mundial numa área muito pouco explorada nos planos curriculares da Região.

    Será proporcionado transporte gratuito para as ‘masterclasses’ (do Funchal para a Ponta do Sol). Caso pretenda, explica a organização, é só enviar o pedido para l.comunity@pontadosol.com.

    De resto, pode ir acompanhando o evento em https://www.madeiraresidency.com.

    Sobre a universidade GoldSmiths

    A universidade GoldSmiths é uma das universidades mais importantes não só do Reino Unido, mas também a nível europeu. Teve um impacto maior na cultura popular: profissionais formados pela Goldsmiths ganharam o prestigioso Turner Prize (Laure Prouvost) e o Oscar de Melhor Filme (Steve McQueen), e vários outros ex-alunos são escritores, jornalistas, directores e músicos premiados. A nível da música já formou músicos tão emblemáticos como John Cale dos Velvet Underground, Damon Albarn dos Blur, entre outros.

    Professores convidados

    Keiko Murakami

    Keiko Murakami estudou flauta com Keiko Honda e Tomoko Nozaka na Universidade de Shimane (Japão), onde obteve um diploma de bacharel em Educação Musical. Foi para França em 2002 para estudar flauta com Mario Caroli e Claire Gentilhomme, bem como música de câmara com Armand Angster no Conservatório de Estrasburgo, recebendo seu diploma como a melhor do curso. Também obteve o diploma de teatro musical da Hochschule der Künste de Berne, sob a direcção de Georges Aperghis e Françoise Rivalland, bem como um mestrado profissional em Performance da Universidade de Estrasburgo.

    Desde 2003, Keiko Murakami tornou-se flautista solo do Linea Ensemble, conduzido por Jean-Philippe Wurtz onde apresentou vários trabalhos originais . Mais tarde viria a partilhar a sua paixão pela pesquisa musical com os membros do Imaginaire, musiques d’idées, um colectivo de compositores e artistas de Estrasburgo.

    Como solista e músico de câmara apresentou-se em inúmeros festivais, nomeadamente na Europa, nos Estados Unidos e no Japão: Festival de Música Contemporânea de Huddersfield, Ferienkurse für Neue Musik Darmstadt, Bienal de Veneza, entre tantos outros.

    Patricia Alessandrini

    Os trabalhos de Patricia Alessandrini envolvem questões de representação, interpretação, percepção e memória, e muitas vezes são multimédia, teatrais e colaborativas. Estudou composição e electrónica no Conservatorio G.B.Martini di Bologna, Conservatório Nacional de Região de Estrasburgo e IRCAM, e possui dois doutoramentos, da Universidade de Princeton e do Sonic Arts Research Center (SARC), respectivamente. As suas composições e instalações foram apresentadas em festivais na América, Ásia, Austrália e em mais de 15 países europeus, além de festivais como o Donaueschinger Musiktage, Electric Spring e Musica Strasbourg, entre outros.

    Foi compositora no festival SoundSCAPE 2010 e no International Contemporary Ensemble em 2012. Foi premiada com o primeiro prémio no concurso 2009 de composição Sond’Arte para música de câmara com electrónica e um Förderpreis em composição pelo Darmstädter Ferienkurse em 2012. Em 2015/16 foi a artista em destaque e curadora da série Sound Kitchen do Ensemble InterContemporain na Gaîté lyrique. Já ensinou Composição com Tecnologia na Accademia Musicale Pescarese e Bangor University, e atualmente é professora em Sonic Arts em Goldsmiths, Universidade de Londres.

    Richard Craig

    É considerado um dos principais expoentes da música contemporânea para a flauta, consolidada pelas suas gravações, numerosas contribuições para novas obras e aparições no circuito internacional.

    Richard Craig estudou flauta no Conservatório Real da Escócia com Sheena Gordon e Richard Blake. Depois de se formar com uma menção honrosa, continuou os estudos no Conservatório de Estrasburgo com Mario Caroli.

    Actuou em festivais como Maerzmusik Berlin, Wittener Tage für Neue Musik, a Bienal de Veneza, o Festival de Música Contemporânea de Huddersfield e o Lincoln Center Festival de Nova York. Como músico de câmara actuou com o conjunto ELISION, Musikfabrik, Klangforum Wien, Distractfold e Experimentalstudio. É membro do conjunto espanhol SMASH e a partir de Setembro de 2015 foi nomeado chefe de Performance da Bangor University, no País de Gales. É também é um investigador honorário na Universidade de Huddersfield.

    Karin Hellqvist

    A violinista sueca Karin Hellqvist é uma solista muito solicitada. Faz parte de várias formações de vanguarda para novas músicas na Escandinávia e dedica seu tempo ao comissionamento de novas obras. As colaborações recentes resultaram numa grande diversidade de obras solo explorando o violino com elementos electrónicos, objectos e outros sons. Trabalhou com compositores de diferentes áreas da música nova e experimental como Helmut Lachenmann, Salvatore Sciarrino, James Dillon, Liza Lim, Carola Bauckholt e Natasha Barrett. O seu trabalho foi premiado com o prémio de Melhor Intérprete pela Sociedade Sueca de Compositores e com o Prémio da Associação da Crítica da Noruega. Karin fez os estudos no Royal College of Music em Estocolmo, na Universität der Künste Berlin, na Academia Norueguesa de Música de Oslo e no Royal College of Music em Londres.

    Gilbert Nouno

    Gilbert Nouno é músico, compositor e performer. Vive e trabalha em Paris. Recebeu a Bolsa do Prémio de Roma em 2011 e a Bolsa de Kyoto Villa Kujoyama, em 2007. A sua música inspira-se na arte e no design visual e digital, abrangendo formas estudadas e improvisadas. Como artista interdisciplinar sob o nome de Til Berg explora as relações estéticas e emergentes entre os vários campos da arte. Os seus conceitos de trabalho e produção aproveitam a linguagem generativa, processos de mineração de dados e algoritmos. Gilbert desenha formas e movimentos abstractos minimalistas de música e sons com géneros tradicionais e digitais, como a litografia e o vídeo. O seu trabalho foi apresentado em Paris no centro de pesquisa para a criação da IRCAM, em Roma e em Florença, na fundação para a arte contemporânea Fabbrica Europa 2012.

    Gilbert Nouno é professor de composição musical e sonic arts no Royal College of Music em Londres e em Detmold Universidades da arte. Já se apresentou com artistas de diferentes estilos e campos de expressão como Pierre Boulez, George Benjamin, Jonathan Harvey, o saxofonista de jazz Steve Coleman, o flautista Malik Mezzadri, o guitarrista subterrâneo DJ Oil e a coreógrafa Susan Buirge.

    Sarah Westwood

    Sarah Westwood (Reino Unido) escreve música acústica e electrónica. Explora também os conceitos de folclore e improvisação.

    Em 2015 recebeu uma bolsa de estudos Bliss Trust para desenvolvimento artístico nos EUA e recentemente realizou trabalhos para o Ensemble de Música Contemporânea de Moscovo, formações de Música Nova de Hong Kong, Okeanos Ensemble, Onix Ensamble - México e pelo solista Xenia Pestova.

    Sarah é doutorada pela Goldsmiths de Londres, estudou Teoria e Análise de Música Contemporânea na escola de Verão de Eastman School of Music em San Diego e completou os seus estudos na Universidade de Bangor, recebeu o Prémio Parry Williams para composição e terminou um mestrado em Composição/Performance com distinção.

    Sarah ajudou em vários projectos de música, inclusive como pesquisadora de música para a Telesgop Multimedia Productions, co-curadora do EMS, PureGold Festival no Southbank Center e organizadora/curadora da áudio conferência e exibição da VISIONS na Goldsmiths.

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