Reconstrução de memória(s)

Inaugura hoje ‘Ir à serra nunca me foi permitido’, a nova exposição de Ricardo Barbeito

21 Abr 2017 / 02:00 H.

Ricardo Barbeito faz um exercício de rememoração em ‘Ir à serra nunca me foi permitido’, exposição de instalação e desenho a inaugurar hoje na Galeria dos Prazeres, uma individual que torna presente o ausente. Os vários trabalhos que vão do desenho à colagem podem ser vistos até ao dia 9 de Julho.

Em ‘Ir à serra nunca me foi permitido’ Ricardo Barbeiro materializa de uma forma não ilustrativa as memórias, as histórias que lhe foram contadas pela tia. Quando lhe foi colocado o convite para expor na Galeria dos Prazeres, a primeira imagem que lhe surgiu foi uma da avó materna junto a uma roseira numa casa, contou. Essa casa era nos Prazeres, onde a tia passava as férias com os seus avós paternos e de onde ela guarda grandes recordações. “A partir das histórias contadas, os trabalhos apresentados fazem coabitar diferentes momentos num exercício de reconstrução da memória através do qual se torna presente o ausente”, escreveu o artista plástico.

Os vários trabalhos que vão do desenho à colagem são inéditos. Há algumas conexões, mas só sob o ponto de vista da continuidade, referiu. A nível da linguagem, “apesar de não haver uma relação explícita com o que está para trás, há sempre uma relação porque é a mesma pessoa a fazer”. Quanto à experiência, revelou ter sido “muito desafiante” e simultaneamente “bastante rica”. “Permitiu-me trabalhar memórias que não são minhas e ao mesmo tempo acabo por tornar minhas as memórias da minha tia, por exemplo. Essa relação do trabalho de memória é uma coisa interessante de se fazer sempre. Toda a gente tem memórias, acaba sempre por ser um prazer trabalhar com este tipo de coisas”.

O conjunto também remete para a paisagem. Associa a paisagem do sítio com a paisagem memorizada, ou re-memorizada.

Ricardo Barbeito vive em Lisboa. ‘Ir à serra nunca me foi permitido’ é um regresso a casa. “É sempre um prazer voltar às origens e isto é realmente voltar às origens porque há aqui uma questão de memória familiar forte. Há até uma espécie de genealogia aqui implícita”, identificou.

Outras Notícias