Raízes na criatividade

Susana caldeira

01 Nov 2017 / 02:00 H.

Desde criança que Susana Caldeira plantou a semente do amor pelas flores, naquela que assegura ser hoje a sua veia artística. Há “mais de 20 anos” que a madeirense dedica o seu tempo inteiro à arte floral e, para quem desconhece a obra, estes arranjos são “trabalhos feitos com flores naturais, materiais secos e reciclados” que a artista vai recolhendo por onde passa.

Chega agora a primeira oportunidade de mostrar as suas obras no Parque Temático da Madeira, em Santana, numa exposição que se inicia hoje e prolonga-se durante cerca de dois meses. Para além desta oferta, Susana Caldeira irá providenciar alguns ‘workshops’ que se baseiam na realização de trabalhos florais em grupo e “onde as pessoas possam mostrar a sua criatividade”.

Esta mostra incide numa abordagem outonal e vintage, sendo esta “a altura ideal” para o efeito. Quando instada a responder se esta é a sua estação preferida, Susana disse que gosta de todas, “porque cada uma tem o seu lado especial”, embora como se aproxima o Natal, “haverá elementos a lembrar essa época” como o uso de lanternas ou tons dourados.

Recuperar o Mercado

A avó foi então a principal ‘culpada’ pela extrema dedicação a um mundo colorido e criativo. “A minha avó era florista e sempre tive muita curiosidade em trabalhar com a botânica. Pode-se dizer que cresci no meio das flores”, afiançou Susana Caldeira, olhando para o paradigma actual deste ‘universo’ com alguma apreensão.

“Na Madeira temos tudo e há muitos materiais a ir para o lixo que devíamos reutilizar. Ainda falta trabalhar em áreas como a limpeza e tratar de recuperar o Mercado dos Lavradores”, disse a expositora, explicando que “as floristas que lá trabalham estão a ficar com uma certa idade” e, por isso mesmo, “a área das flores tem de ficar mais bonita”, pois “falta uma boa apresentação para receber as pessoas” no edifício, especialmente aos turistas. “As rendas altas” são também outros dos factores negativos a ter em conta.

Em relação à perspectiva do consumidor, “o turista gosta de ver, mas já não compra com tanta frequência”, ao passo que “o madeirense continua” a gastar dinheiro em flores, assegurou Susana Caldeira.

Faltam apoios

“A Madeira tem tudo” foi a frase mais repetida pela madeirense, lamentando a certa altura uma lamentável “falta de apoio” à sua área de trabalho. “Temos muito boa gente a dedicar-se, mas às vezes é preciso andar de porta em porta para arranjar locais para dar formação”, queixou-se, adiantando que “deviam haver ajudas para quem quer aprender”, mais concretamente “nas casas do povo”.

Ainda assim, a arte floral continua a ser a sua fonte de rendimento, mas não pelas exposições. “Os casamentos, baptizados e eventos no geral continuam a requisitar cada vez mais” este tipo de arranjos florais, embora fosse introduzido um dado curioso: “Nessas festas o dinheiro que sobra é para as flores, mas pedem o trabalho lindo na mesma”.

Apesar de dar “muito trabalho”, Susana Caldeira afirma: “O que é por gosto não cansa”, reforçando que “a paixão pelas flores” fala mais alto, mesmo quando lhe lembram que no seu dia-a-dia parece “andar com a casa às costas”.

Flores do nosso jardim

As flores do nosso jardim são os mais idosos que “sempre gostam de ter os vasos e fazer as suas plantações”, mantendo-se a tradição de ‘enfeitar’ o quintal todo o ano, ainda mais agora “com a chegada dos sapatinhos”. O problema dos mais novos, diz Susana Caldeira, é não terem tempo para cuidar das plantas.

No futuro, Susana Caldeira espera publicar um livro e trazer a exposição até ao Funchal, mesmo que Santana se adeque à temática, dado que “o espaço é muito bonito e está em contacto com o verde”.

Para ver a exposição basta pagar o preço de entrada no Parque Temático, e, dependendo da adesão e das horas de formação, o workshop “não ultrapassa os 10 euros”.