“Quem é de direita
não está bem neste partido”

Rui Rio apresentou ontem, em Câmara de Lobos, a sua candidatura à liderança do PSD

10 Nov 2017 / 02:00 H.

“Quem é de direita não está bem neste partido”. O reparo é de Rui Rio, candidato à sucessão de Pedro Passos Coelho na liderança do PSD, feito ontem em Câmara de Lobos, na apresentação oficial da sua candidatura aos social-democratas madeirenses.

Depois de deixar claro aos militantes que “temos de nos arrumar do ponto de vista ideológico”, o ex-presidente da Câmara do Porto esclareceu que uma coisa é estar à direita do PS, outra coisa é ser um partido de direita, para lembrar que o único partido de direita é o CDS. Já o PSD “sempre foi e tem de ser um partido de centro”, afirmação prontamente aplaudida por Alberto João Jardim – sentado na 1ª fila – e de imediato pelas centenas de presentes que encheram o Museu de Imprensa da Madeira.

Antes de ‘separar as águas’ Rui Rio esmiuçou os números que comprovam o declínio do partido e a consequente necessidade de ser dado um passo em frente no sentido da recuperação, para a qual diz que “só há uma solução: é hora de agir”, apelou, aludindo ao lema da sua candidatura.

Ciente da “responsabilidade” e com muita vontade de “trabalhar por Portugal”, admitiu que “ideias temos muitas porque os problemas de Portugal também são muitos”, mas como “não é possível fazer tudo” realçou a importância de se “estabelecer prioridades” que permitam desbloquear os principais estrangulamentos ao desenvolvimento do país.

Apontou cinco prioridades. Começou pela “melhoria da competitividade da economia”, para logo de seguida defender um conjunto de reformas estruturais “que não devem depender de um só partido”. Precisamente para evitar aquilo que tem acontecido ao longo dos anos: mudam os partidos no poder, mudam-se as políticas. E por via disso o país foi acumulando um conjunto de problemas estruturais.

O desenvolvimento e a coesão social foi outra das prioridades. “Se queremos ser um país desenvolvido temos de ter uma classe média robusta”, defendeu.

A mesma pretensão no que diz respeito à reforma de regime por considerar que o actual já está “cansado e desgastado”.

Destacou por último a questão da “vitalidade do PSD”. Aqui Rui Rio foi mais profundo para sensibilizar os mais de 300 militantes que marcaram presença.

“O primeiro passo para o PSD ter a vitalidade que já teve é assumir que hoje não tem essa vitalidade”, sublinhou. A prová-lo, destacou o número de câmaras municipais ganhas pelo PSD nas últimas quatro eleições Autárquicas, onde os resultados foram consecutivamente piores. E isto para dizer que se em 2005 os social-democratas conquistaram 157 presidências nas 308 autarquias do país, nas últimas eleições de 1 de Outubro ganharam somente 98. A juntar a esta realidade preocupante para o partido ‘laranja’, que na Madeira também vai ‘de mal a pior’, deu também como exemplos os maus resultados obtidos nos dois grandes centros urbanos do país (10% e 11%) e o descalabro em Matosinhos, onde as três listas encabeçadas por socialistas ficaram à frente do PSD.

Tudo isto para alertar os militantes que “’se taparmos o sol com a peneira’ nunca mais saímos desta situação”.

Aviso reforçado com a comparação ao que aconteceu noutros países onde partidos que também eram grandes referências históricas simplesmente “desapareceram ou perderam muita da sua influência”.

Convicto que a dimensão da implementação autárquica é o principal indicador da vitalidade do partido, relembrou que “o pior resultado” que alguma vez o PSD teve foi em 2005 com 28% dos votos, constatação que serviu para acentuar que ainda assim “está acima das intenções (de voto no PSD) neste momento”.

Entusiasmado pela moldura humana, “de longe o sítio onde está mais gente”, disse, Rio manifestou o desejo de “reforçar as acções de formação não só na JSD mas também no PSD”, advertiu que “as autárquicas de 2021 vão-se ganhar em 18, 19 e 20 e não em 2021” e chamou a atenção para a realidade que põe em causa a democracia: “o divórcio das pessoas não é com os políticos. O divórcio das pessoas é com a política”, disse.

De resto, e em jeito de apelo ao voto dos militantes, sustentou que para relançar o partido “será mais fácil eleger aquele que as pessoas lá fora querem”.

Especificamente sobre a Madeira, nem uma palavra nos 45 minutos de discurso de apresentação. Depois houve debate, período vedado à comunicação social.