Que Cova no percurso

07 Dez 2017 / 02:00 H.

Com grande dose de escândalo, o Marítimo foi eliminado ontem, no seu estádio, às mãos do Cova da Piedade, equipa que luta pela manutenção da II Liga e que se apresentou nos Barreiros com menos sete titulares relativamente ao seu último jogo.

Seria usual dizer-se que houve Taça e um tomba-gigantes (bem merecida a festa que os jogadores piedenses fizeram no final do jogo), mas, o que sobretudo aconteceu foi uma gritante incompetência de um grupo de jogadores que estava avisado destas coisas da Taça (já tinham escapado por um triz em Santa Maria de Oliveira) e nada fizeram de bem feito para marcar um golo ao seu adversário (a esta hora estavam ainda a jogar à procura do golo) que, como se esperava, fez o que lhe competia: defender, jogar em bloco baixo, procurar sair em transições rápidas (onde já vi este filme?), com anti-jogo e à espera da sorte das grandes penalidades.

Ao contrário do que previra Daniel Ramos na abordagem ao jogo, não tivemos um melhor Marítimo relativamente aos últimos jogos na Liga. Pelo contrário. Houve, isso sim, um Marítimo displicente, com um futebol lento e previsível na sua circulação, sem ideias e sem um pingo de inspiração colectiva ou individual. Foi assim ao longo de toda a primeira parte em que apenas por uma vez (40 minutos) criou uma situação real para marcar, quando Everton cabeceou para excelente defesa do italiano Anacoura.

O Marítimo veio para a segunda parte sem mudanças e poderia nessa altura ter marcado, mas Filipe Oliveira (48) desperdiça uma soberana ocasião de golo para dar vantagem à sua equipa, voltando a não acertar com o alvo pouco minutos volvidos.

Até nas substituições Daniel Ramos foi conservador, mas Rodrigo Pinho ainda atirou uma bola ao poste. Veio o prolongamento, o Cova da Piedade ficou reduzido a dez unidades por expulsão do seu central, mas foi estoicamente se aguentando, ante um Marítimo a atacar muito, a dominar o jogo por completo, mas sem alguma vez encontrar uma maneira eficaz de chegar ao golo, deixando tudo para os pénaltis onde, até aí, foi incompetente.

O Marítimo sai da Taça sem honra nem glória.