PSD-M dá receita para ganhar a Cafôfo

As linhas orientadoras estão programadas. O calendário interno continuará a ser cumprido aparentemente de forma normal. Conselho Regional de Junho ou Julho definirá datas

18 Mai 2018 / 02:00 H.

Já existe uma receita que começa a ser cozinhada em lume brando pela cúpula do PSD-M com os seguintes condimentos: não mostrar medo de ir a eleições seja em Abril ou Outubro de 2019; Culpar o governo de António Costa pelo insucesso da concretização das promessas (ferry, da revisão do subsídio à mobilidade e não construção do novo hospital); ‘Colar’ Paulo Cafôfo a Lisboa e associa-lo ao eterno inimigo da Autonomia madeirense e aproveitar deslizes e ‘gaffes’ do autarca. Estas são as linhas de orientação política que estão ou vão ser seguidas de dentro para fora do PSD-M, revela fonte bem colocada do aparelho social-democrata, de resto a dialéctica surge na sequência da entrevista de Miguel Albuquerque ao DIÁRIO, admitindo vários cenários, um dos quais “congresso antes do Natal”. Mas já lá chegaremos.

Se, até final do ano, esta estratégia der resultado é muito provável que Miguel Albuquerque, numa derradeira cartada, force a antecipação das Eleições Regionais exercendo o bom relacionamento que mantém com o Presidente da República para alcançar esse desiderato ou, num ‘forcing’ final, pedir a demissão do governo tal como fez Alberto João Jardim, embora Albuquerque sublinhasse na entrevista que deu ao nosso matutino que, por princípio, entende que os “calendários” devam ser “respeitados”.

Se, pelo contrário, existir um crescimento da avaliação negativa do governo e à liderança do PSD-M, manda o bom-senso que se prolongue a vida – entenda-se exercício do mandato.

Este ‘filme’ joga-se num plano mais psicológico e numa carga de suspense que pretende colocar pressão na candidatura de Paulo Cafôfo e na direcção do PS-M, que segundo ilustres figuras da Rua dos Netos não estarão preparados para reagirem ou pelo menos não terão tanta capacidade de montar uma campanha eleitoral com a mesma eficácia que a ‘máquina’ do PSD-M garante possuir.

Outros ainda ‘esfregam’ as mãos por assistirem a uma intromissão de Cafôfo em assuntos que não são da alçada de um presidente de Câmara julgando que o eleitorado saberá distinguir a ânsia de querer chegar à Quinta Vigia. Consideram que esta ansiedade que dizem ver desde o Largo do Município originará ‘tiros nos pés’ como foi a visita ‘relâmpago’ que fez a Lisboa para reunir com António Costa, situação que duvidam ter acontecido por não ter sido divulgado imagens do encontro.

Mas, se é verdade que há quem acredite que existe um encurtar de distância de Albuquerque em relação a Cafôfo, há também quem refreie os ânimos. Outro influente militante e com anos de tarimba coloca ‘água na fervura’ lembrando que é preciso analisar bem a cotação do governo. Entende que em 2019 é necessário encontrar uma ou mais medidas populares para que o Executivo e o actual líder do PSD-M ‘brilhe’.

Não existindo uma bandeira eleitoral defende que as eleições aconteçam logo no final do primeiro trimestre de 2019 para não haver efeitos de transmissão junto do eleitorado uma vez que estão previstas as eleições europeias e legislativas nacionais.

Como se organizará?

Não haverá substanciais alterações à agenda que vem sendo mantida quer pelo Secretariado que pelo presidente da direcção até ao Congresso. Acontecerão reuniões partidárias promovendo aquilo que chamam de “coesão” e de “proximidade” com as bases. De acordo com fontes da Rua do Netos, o calendário seguirá tranquilamente os prazos definidos nos estatutos para entrega das respectivas listas e moções. Antes haverá lugar à marcação da data do Congresso em reunião do Conselho Regional que acontecerá em Junho ou Julho, diz um elemento da Jurisdição.

Via verde/laranja

Outros ‘500’ é o que acontecerá no Congresso. Miguel Albuquerque tem caminho Via Verde ou laranja para entrar na sessão magna como líder e sair com legitimidade reforçada para enfrentar Paulo Cafôfo. Apesar de alguma contestação interna o presidente da Comissão Política dos social-democratas defenderá uma Moção sem ter candidato interno.

Todos os interlocutores aplaudem o partido na intenção de organizar o Congresso ainda este ano. Julgam que será benéfico para que os social-democratas entrem em 2019 com a casa arrumada pensando apenas nas eleições regionais.

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