Lota do Funchal volta ao PIDDAR em 2017

01 Dez 2016 / 02:00 H.

O cartaz, que é deixado aos turistas que vistam a Madeira e entram pelo Porto do Funchal, é degradante. Falamos do estado em que se encontra o edifício da Lota do Funchal que, ao longo de 30 anos de existência, praticamente não teve uma intervenção de fundo, no sentido da manutenção ou da recuperação.

O Orçamento e o Plano de Investimentos da Administração Regional de 1986 dizia o seguinte: “No âmbito da pesca, uma vez concluídos os entrepostos frigoríficos de que a Região necessitava, havia que tratar de uma infra-estrutura muito importante à comercialização do pescado, que é um adequado posto de recepção no Funchal. Assim, o investimento mais importante nesta área que o Governo está a construir é a nova lota do Funchal, junto da qual está também a ser edificado um laboratório de investigação. Para aquela construção está também prevista a aquisição do respectivo equipamento.”

Feito esse o investimento, maioritariamente com dinheiros comunitários, a infra-estrutura foi-se degradando e assim foi ficando durante muitos anos.

No início deste século, começaram a fazer-se ouvir as vozes que reclamavam uma intervenção no prédio, construído, como não poderia deixar de ser, junto ao mar, mas, por isso mesmo, exposto aos elementos e ao sal, mais do que as infra-estruturas de afastadas.

Cedo, o anterior Governo regional, além das pequenas intervenções de reabilitação, decidiu não fazer uma intervenção de fundo no local. A aposta estratégica era outra: retirar o equipamento do principal porto da Região, à semelhança do que havia feito com a movimentação de carga, e deixar o Porto do Funchal exclusivamente para os cruzeiros e actividades náuticas de recreio.

Depois de várias localizações, foi decidido que a nova grande lota da Madeira iria integrar o Porto de Pesca de Câmara de Lobos.

Primeiro, foi decidido que a localização seria junto à foz dos Socorridos. Mais tarde, alegando o custo da obra, o mesmo Governo de Alberto João Jardim decidiu que o porto seria na Baía da Câmara de Lobos. Uma mudança que viria a gerar contestação, mas que só não avançou porque não houve financiamento para a obra.

Ainda em 2011, após a uma reunião do Governo regional com a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Jardim anunciava que a obra voltava a mudar de localização. Em vez de estragar a baía (a expressão não é do ex-presidente do Governo), o porto voltava à localização original, a foz da Ribeira dos Socorridos.

Na altura, o site oficial da Câmara Municipal de Câmara de Lobos escrevia: “A construção do porto de pesca de Câmara de Lobos será feita junto à foz da ribeira dos Socorridos e o projecto será incluído no próximo Programa de Governo Regional.”

“A revelação foi feita ontem (11 de Julho de 2011) pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, após a reunião de trabalho com a câmara presidida por Arlindo Gomes, destinada a calendarizar as obras do Executivo para o próximo mandato.”

“Segundo afirmou, o porto de pesca de Câmara de Lobos ‘estava num local que era absolutamente incomportável’, acrescentando com alguma ironia que ‘o peixe ao quilo, ali descarregado, ficava o mais caro do mundo’”.

Nem mais caro, nem mais barato. A obra nunca avançou.

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