Programa arrojado no 6.º Madeira Micro Internacional Film Festival

De 5 a 8 Dezembro há filmes em competição para ver na Ponta do Sol, que são estreias nacionais

28 Nov 2017 / 02:00 H.

    A menos de duas semanas do arranque, eis que é revelado o programa completo dos filmes em competição e a fita extra fora da competição que integram a sexta edição do Madeira Micro Internacional Film Festival (MMIFF), que se realiza de 5 a 8 de Dezembro, no Cine Sol (antigo cinema) e no Centro Cultural John dos Passos, na Ponta do Sol.

    Este ano, o festival de cinema independente, com um público internacional, será marcado por algo inédito: todos os filmes em competição são estreias nacionais - cinema novo - que têm a sua primeira projecção em Portugal na Madeira, precisamente no MMIFF.

    Seguindo a linha proposta do festival, mais uma vez o programa assenta no cinema independente, fantástico e experimental. A sexta edição do festival faz uma homenagem a uma das figuras mais importantes das artes avant-garde e pioneiras, Sun Ra, e apresenta filmes em competição provenientes da Finlândia, Inglaterra, Sérvia, Estados Unidos e Canadá.

    É um programa arrojado para quem gosta de conhecer cinema diferente, sendo que todos os filmes têm legendas em inglês.

    Terça-feira, 5 de Dezembro

    ‘Space is the Place’

    Filme de 1974, dos EUA, Sci-fi/Musical, (85 min.), de John Coney, para ver às 22 horas no Cine Sol (película fora da competição).

    A edição deste ano do MMIFF tem o seu ponto de partida com um clássico de culto de 1974, o estonteante e brilhante filme de John Coney que tem como base um dos músicos mais emblemáticos e avant-garde de todos os tempos do jazz, Sun Ra. Este filme não está na competição.

    Músico que dizia que vinha de Saturno, obrigava os músicos a um regime de trabalho escravizante e mudou o curso do jazz. Sun Ra era um músico, poeta, filósofo e auto-confesso ‘alienígena’ e que mesmo após mais de 30 anos ainda é considerado um visionário.

    ‘Space Is Tha Place’, filme de John Coney, conta a história ‘oficial’, tal como escrita por Sun Ra, que assina o argumento. Realizado em 1974, em plena era ‘blaxploitation’, começou a ser feito numa fase em que Sun Ra dava palestras em Berkely sobre os negros e o cosmos. A convivência com estudantes universitários e intelectuais da contra-cultura criou as condições para fazer o filme.

    Nele, Sun Ra, desaparecido desde 1969, mas a viver noutro planeta com a sua Arkestra, regressa a Chicago em 1943, ao clube nocturno onde tinha tocado como Sonny R e provoca um motim que dá origem a um jogo de cartas em que se decide o futuro da raça negra. Nos primeiros minutos podemos ver Sun Ra antes de o ser, enquanto virtuoso do piano, brilhante no swing mas ainda mais na forma como o desconstrói para provocar o caos. O filme é absolutamente delirante, sci-fi do mais lo-fi e absurdo, mas uma fiel representação da sua cosmogonia e um verdadeiro objecto de culto.

    Quarta-feira, 6 de Dezembro

    Filmes em competição

    ‘Eutanásia’ (estreia nacional)

    ‘Euthanizer’, de Teemu Nikki (2017), da Finlândia, um thriller e comédia (85 min.), para ver às 18h30, no Cine Sol.

    O ganha-pão de Veijo (Matti Onnismaa) é um pouco peculiar: numa região pobre e insalubre, tem como trabalho executar animais de rua indesejáveis ou bichos de estimação, cujos donos não conseguem custear mais os devidos cuidados. Contudo, o sigilo de sua rotina e dos seus quase religiosos rituais de eutanásia são ameaçados quando conhece uma jovem enfermeira e um mecânico com inclinações neonazistas.

    O filme ‘Eutanásia’ foi seleccionado para o especial programa de Toronto Film Festival e é a 3.ª longa-metragem do realizador finlandês Teemu Nikki. Conta com uma banda sonora criada pelos K-X-P (Timo Kaukolampi e Tuomo Puranen). Teemu Nikki apresenta uma metáfora cinematográfica com uma visão muito peculiar sobre a moral humana e a política mundial contemporânea.

    ‘Gook’ (estreia nacional)

    Gook by Justin Chon (2017 / USA / Drama / 96 min.), 22:30 at John Dis Passos Cultural Centre.

    Filme vencedor da edição de 2017 do festival Sundance na categoria ‘Next Audience Award’, ‘Gook’ apresenta a visão coreana sobre os motins que decorreram em 1992 na cidade de Los Angeles, nos EUA, quando um júri absolveu oficiais do Departamento de Polícia, acusados de agressão contra o motorista negro Rodney King.

    Eli e Daniel, dois irmãos norte-americanos com ascendência coreana, possuem uma loja de sapatos femininos, que gerem com dificuldades. Inesperadamente, ambos criam uma amizade com a jovem Kamilla, de 11 anos. No primeiro dia dos motins de 1992, o trio tem de proteger a sua loja - e contemplar o significado da família, seus sonhos pessoais e de futuro.

    Um filme com uma estética visual forte, um filme escrito, realizado e protagonizado por Justin Chon.

    Quinta-feira, 7 de Dezembro

    ‘Pin Cushion’ (estreia nacional)

    ‘Pin Cushion’, de Deborah Haywood, drama de 2017, do Reino Unido (85 min.), para ver às 18h30, no Cine Sol.

    A britânica Debora Haywood fez a estreia mundial do seu filme ‘Pin Cushion’ no Festival de Veneza, um trabalho que contém uma crítica social forte e uma visão muito íntima da realizadora. A estreia em Portugal acontece no Madeira Micro International Film Festival.

    A primeira longa-metragem de Deborah Haywood (uma mulher de 45 anos da East Midlands, em Inglaterra) enfrenta com honestidade, humor negro e uma grande densidade temas da adolescência, crescimento e solidão através de seus dois protagonistas: Lyn e Iona, mãe e filha.

    Mãe e filha estão entusiasmadas com sua nova vida em uma nova cidade. Determinadas a fazer sucesso depois de um começo complicado. Tanto a mãe como a filha entram num jogo de fantasias e mentiras.

    ‘Train Driver’s Diary’ (estreia nacional)

    ‘Train Driver’s Diary’, de Miloš Radović, drama de 2016, da Sérvia (85 min.), para ver às 22h30, no Centro Cultural John Dos Passos.

    Trata-se de um filme de drama e comédia sérvio de 2016 dirigido e escrito por Miloš Radović. Foi seleccionado como representante de seu país para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2017.

    Uma engenhosa película que combina elementos de franco humor negro com uma vertente sentimental assente na educação de um pai para um filho.

    As estatísticas dizem que todos os motoristas de comboio matam involuntariamente 15 a 20 pessoas. Ilija é um motorista de comboios de 60 anos, perto da reforma e que mantém o registo (infame) de 28 mortes cometidas durante sua carreira. O filho adoptivo, de 19 anos, de Ilija, Sima, segue os passos de seu pai, mas está aterrorizado, não querendo vir tornar-se num ‘assassino’. Mas os dias passam e ainda não há acidentes, e Ilija, ansioso, temendo que o filho se torne um bom motorista, toma o assunto em suas próprias mãos...

    ‘Train Driver’s Diary’ foi um sucesso sem precedentes na Sérvia, como também em alguns festivais internacionais, ganhou o prémio do júri do Festival de Cannes.

    Sexta-feira, 8 de Dezembro

    ‘Les Affamés’ (estreia nacional)

    ‘Les Affamés’, de Robin Aubert, drama e terror de 2017, do Canadá (110 min.), para ver às 21 horas, no Centro Cultural John Dos Passos.

    Numa aldeia pequena e remota no estado de Quebec, as coisas mudaram. Os moradores locais não são os mesmos: os seus corpos estão quebrar e eles estão a virar-se contra os seus entes queridos. Alguns dos sobreviventes escondem-se na floresta, procurando por outros em fuga.

    Uma família de desconhecidos, juntos por necessidade, acaba por criar laços enquanto tentam proteger a criança dos horrores da realidade. Essa visão tão rotineira acaba por ser o elemento familiar que nos prende a uma narrativa difícil e onde o francês cerrado do Quebeq não ajuda a perceber. Tem os seus momentos ‘gore’, tem momentos de humor e tem momentos de puro horror.

    ‘Les Affamés’ não é o típico filme de zombies: sente-se uma aproximação ao genial George Romero (criador de ‘A Noite dos Mortos Vivos’), num filme muito pausado, onde a condição humana é analisada ao detalhe.

    Vencedor do melhor filme canadiano no Festival de Toronto deste ano, é a última película em competição da edição deste ano do MMIFF e será também uma estreia nacional.

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