Portugueses assinalam Dia da Juventude

Comunidade na África do Sul homenageia levantamento estudantil de 1976

19 Jun 2017 / 02:00 H.

Pela primeira vez elementos da Comunidade Portuguesa, estiveram presentes junto Monumento de Hector Pieterson, em Orlando Oeste, Soweto (África do Sul), um local intrinsecamente ligado ao levantamento estudantil de 1976, para depor uma coroa de flores junto àquele monumento de grande significado histórico e patriótico.

Naquele local, estudantes rebelados foram atingidos pelas balas da polícia do ‘apartheid’ na esquina da Vilakazi Street onde Hector Pietersen foi atingido gravemente e vindo a falecer pouco tempo depois no hospital, e na Khumalo Street, onde o seu colega Hastings Ndlovu tombou para sempre.

Esta onda de protestos e boicotes a aulas e a exames, iniciados a 5 de Janeiro de 1976 que se intensificaram, imparavelmente, devido à imposição do governo de então de que as disciplinas de língua inglesa, matemática/aritmética e estudos sociais, fossem ministrados em língua Afrikaans, o que na realidade despoletou a revolução estudantil, mais conhecida por “Soweto Uprising “ pela Class de 76.

Assim, no dia 16 de Junho de 1976, uma marcha que servia para acentuar, sobretudo, a vastidão do descontentamento e discórdia conduziu a policia a confrontar os estudantes, chicoteando-os, espancando-os e a abrir fogo, podendo afirmar-se sem pejo que foi o rastilho para uma onda de violência que acabou por ser o ponto de não retorno para a queda do ‘apartheid’.

No final da semana transacta, e pela primeira vez, elementos da comunidade lusa estiveram presentes para uma homenagem à Classe de 76, pelo sacrifício em prol da liberdade e da justiça, depondo uma coroa de flores pelas mãos dos irmãos Kylle e Romário Booysons, luso-descendentes, com raízes na Madeira, acompanhados por Damião de Freitas do Rancho Folclórico da Casa Social da Madeira, Guida de Freitas, presidente da Casa da Madeira de Joanesburgo, Comendador Gilberto Martins, Conselheiro das Comunidades (África do Sul) e por José da Silva Conselheiro da Diáspora Madeirense (África do Sul) e por Francisco-Xavier Meirelles, consul-geral de Portugal em Joanesburgo.

Este gesto foi bastante apreciado por alguns governantes sul- africanos presentes no evento, gesto que pode afervorar a aproximação e um melhor entendimento entre a comunidade lusa e sul- africanos, algo que se anseia devido à quase não existente representatividade tão necessária para evitar cavar diferenças culturais e pugnar por uma maior e duradoura harmonia.