“Porto Santo não carece de promessas mas de soluções imediatas”

João Rodrigues, candidato do CDS-PP à Câmara Municipal do Porto Santo

15 Set 2017 / 02:00 H.

Uma auditoria e o combate ao consumo de drogas, são duas das principais medidas com que João Rodrigues se apresenta novamente a votos. Apesar de discreta, a candidatura do CDS-PP concorre para ganhar a autarquia Porto-santense. Muito crítico da actual vereação, o candidato centrista pede a confiança dos eleitores para evitar aquilo que apelida de “erros” do passado.

Quem é João Rodrigues? É uma pessoa que quer fazer alguma coisa pelo Porto Santo, quer mudar, acredita que é possível uma mudança.

Desempenha as funções profissionais de solicitador... Sou solicitador há 16 anos, já fui delegado dos solicitadores, hoje faço parte da assembleia dos representantes da Ordem dos Solicitadores a nível nacional pela Madeira.

Uma profissão que lhe permite conhecer por dentro os problemas do Porto Santo... E em especial o funcionamento da Câmara e toda a orgânica da Câmara!

Como surge esta candidatura?

Inicialmente não era para recandidatar-me, mas, face aos candidatos que apareceram, impunha-se a minha recandidatura. E até por uma questão de consideração para com aqueles que acreditaram na minha equipa e em mim, nas últimas autárquicas, decidi avançar.

A direcção do partido convenceu-o a avançar... Não foi a direcção do partido, porque eu comuniquei à direcção do partido que em princípio não iria avançar. Foi a minha família que me convenceu a avançar e, inclusive, a população do Porto Santo, diversas pessoas. Foram muitos os apelos para que eu avançasse efectivamente, porque as pessoas viram que, em 2013, eu deveria ter sido eleito, pelo menos como vereador. Se calhar hoje o Porto Santo não estaria como está.

O CDS-PP, nas últimas eleições, colocou, pela primeira vez, representantes nos órgãos autárquicos... Dois deputados para a Assembleia Municipal e um para a Assembleia de Junta de Freguesia.

Qual seria um bom resultado para vocês, desta vez? Vencer. Eu candidato-me com a meta de vencer esta Câmara. Desde 1974 que a Câmara Municipal do Porto Santo tem sido sempre governada alternadamente pelo Partido Social Democrata ou pelo Partido Socialista. Os resultados estão à vista, os projectos falhados estão à vista e está na altura de a população do Porto Santo dar uma oportunidade a outro partido que possa provocar uma mudança, a bem, e melhor para a ilha.

Apesar desse objectivo ambicioso, vocês são os últimos a apresentar-se, a vossa campanha tem sido um pouco discreta, não há cartazes... Não, não há cartazes, porque isso é estar a gastar dinheiro desnecessariamente.

É uma opção vossa? Sim, é uma opção minha, inclusive. Não há necessidade de andar a gastar dinheiro. Já o fizemos, foi um erro. Com os erros aprende-se (embora haja quem não aprenda), nós aprendemos. O facto de sermos os últimos a arrancar, não quer dizer nada, a população conhece-nos e não é preciso estar em campanha para mostrar quem somos.

Quais são as grandes medidas, que propostas tem o CDS-PP para a autarquia do Porto Santo? A minha grande bandeira, se eu for eleito, e partindo do princípio que é para ganhar, eu avançarei de imediato com uma auditoria à gestão de Filipe Menezes de Oliveira. O grande receio aqui é o da dívida oculta, que Menezes de Oliveira teima em não mostrar. E essa dívida é brutal. E havemos de provar que isso é verdade.

Tem números? Tenho cálculos feitos, mas não tenho números precisos, pois Menezes de Oliveira não faculta dados e não é nada transparente como prometeu, porque transparência não é com ele. Tenho um cálculo aproximado de que a dívida já deverá ultrapassar os 10 milhões de euros.

Estávamos a falar de medidas. Além dessa auditoria... O lema da minha candidatura é que eu não faço promessas. Eu assumo o compromisso com a população que, se for eleito, eu tenho a obrigação de defender o Porto Santo.

Actualmente temos dois grandes problemas no Porto Santo: um é a Educação. O Governo Regional perdeu muito tempo a tentar obter fundos para a construção da escola, neste caso o Liceu. E agora está numa situação comprometedora. A Câmara já deveria ter assumido esse papel. A Câmara poderia ter concorrido aos fundos comunitários que todos sabemos são prioritários na área da educação.

Se for eleito fá-lo-á? Fá-lo-ei. De imediato. E também já anunciei que, até ao final do ano, se for eleito, haverá mudanças ao nível da ajuda escolar, em todo a área: desde o infantário, ao primeiro ciclo, até aos universitários, no apoio das propinas, no apoio das refeições, em todo o sector. Eu anunciei que estaria disponível para avançar com uma verba de 100 mil euros, neste primeiro ano. Porque há aqui uma coisa muito importante que é a dívida da Câmara do Porto Santo. Enquanto essa dívida não for toda ela esclarecida, dificilmente conseguiremos fazer mais.

E o outro grande problema? O segundo ponto a que me proponho é combater o flagelo da droga. Ninguém quer tocar nesse assunto, mas o Porto Santo, infelizmente, é hoje um espaço onde reina o tráfico e o consumo de droga, nomeadamente nas escolas. É preciso fazer alguma coisa. À espera que alguém faça por nós, não vale a pena.

E nas outras áreas da sociedade, qual é a vossa visão para o turismo, a principal actividade no Porto Santo? Eu já havia dito em debates anteriores que uma das minhas prioridades ao ser eleito é tentar resolver o problema dos transportes. E resolver o problema dos transportes passa por levar toda esta situação contratual a tribunal. Sem ultrapassarmos esta barreira e acabarmos com os lobbies instalados aqui na Madeira, que, eu creio, passa por falta de informação para a União Europeia do que é que está a passar aqui na Região Autónoma, Porto Santo nunca poderá evoluir em termos do turismo. E depois temos que rever efectivamente a taxa turística.

É a favor? Sou a favor. Aliás a taxa turística só não foi implementada no Porto Santo, porque Menezes não queria elaborar um regulamento da taxa turística, ou seja, seria dar mais uma carta branca para ele gastar o dinheiro arrecadado onde quisesse. Eu sou a favor da taxa turística e sou a favor de uma taxa ambiental. Nomeadamente em todas as viaturas que entram no Porto Santo, com excepção de todas aquelas que se destinam ao comércio, porque essas não poderão ser penalizadas; bem como todas as entradas de turistas no Porto Santo. Por uma questão ambiental.

O Porto Santo está cada vez mais envelhecido. O que propõe o CDS-PP em relação à população mais idosa? Nós pensamos muito nos idosos. Se perguntarmos a um idoso o que ele quer, ele reclama por pouco. Ele pede antes que nós ajudemos os mais novos. E ao contrário dos outros partidos que parecem muito preocupados com os idosos, nós estamos preocupados com eles. Mas nós, se calhar, temos que valorizar os jovens, que acabam por ser os filhos e os netos desses idosos. Tudo está interligado, eles nunca serão esquecidos, pois são uma parte muito importante do Porto Santo. Nós continuaremos a ajudá-los em tudo o que for necessário: na deslocação à Madeira em caso de doenças, na comparticipação de medicamentos. Atenção que esta comparticipação de medicamentos não tem nada a ver com a proposta do actual executivo que não passou exactamente disso, de uma proposta. Não há qualquer regulamento. E nós não queremos isso. O Porto Santo não carece neste momento de promessas, carece de soluções imediatas e é isso que me proponho fazer.

E quanto ao desporto? O CDS-PP propõe que, se o Governo não encontrar uma solução rápida e eficaz para as piscinas, que neste momento estão abandonadas, elas passem a municipais. E sermos nós a gerir aquele equipamento. É inconcebível uma escola secundária não ter uma piscina agregada. Ela está lá, mas parece não haver solução para aquilo e a cada dia que passa maior será o encargo para recuperá-la. Ao nível dos clubes existentes, efectivamente, passa pelo reforço dos protocolos a todos os clubes, com apoios monetários e não só, porque o desporto em si é também uma forma de evitar que os jovens enveredem por outros caminhos como a droga.

A terminar, que balanço faz da presidência de Filipe Menezes de Oliveira, ao longo deste mandato? Primeiro que tudo, foi um erro a população ter eleito Filipe Menezes de Oliveira, aliás eu afirmei isto desde sempre. Já na campanha de 2013, eu dizia que era um erro elegê-lo e até agora acho que tive razão. Ele fez uma gestão extremamente negativa, para não dizer danosa. Daí os problemas em tribunal, daí a vinda da Polícia Judiciária ao Porto Santo (e eu acredito que voltará a vir). E será um erro para Porto Santo que Menezes de Oliveira continue ou seja reeleito. Será errar duas vezes e como diz o velho ditado: na primeira cai quem não sabe, na segunda cai quem quer...

Uma última mensagem para o eleitorado porto-santense, da parte do candidato João Rodrigues? O candidato João Rodrigues e a sua equipa, porque este não é o projecto de um só, é de um conjunto, de uma equipa, vai pedir apenas que lhes seja dada uma oportunidade. As pessoas viram o que passaram neste período. E votar no mesmo é voltar ao mesmo. Eu tenho experiência de vida, tenho 47 anos, já passei por muitos lugares, conheço bem as dificuldades. Mas temos connosco elementos com experiência na gestão autárquica, temos gente da terra pronta a ajudar e é com esses que eu vou contar para que no dia 1 de Outubro possamos dar uma reviravolta, começar do zero e ajudar o Porto Santo.

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