Porto Moniz perde Centro de Ciência Viva

Agência Nacional para a Cultura Científica confirma retirada da marca

20 Mai 2017 / 02:00 H.

O Centro de Ciência Viva do Porto Moniz deixou de ter este estatuto/finalidade. Isso mesmo é confirmado pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Em resposta ao DIÁRIO, confirma as suspeitas que correm na localidade. Lisboa explica que “a Ciência Viva, como entidade proprietária da Marca Registada Ciência Viva, apenas cancelou a credenciação que tinha dado ao centro de Porto Moniz para usar esta marca”. Sublinha que “fê-lo após ponderação criteriosa e no seguimento de procedimentos formais de avaliação realizados ao longo dos últimos dez anos”.

Ou seja: “A Ciência Viva não levanta qualquer óbice à manutenção em funcionamento deste projecto, desde que dissociado da marca Ciência Viva dado que, nas actuais condições, se encontrava a levar a cabo actividades de cariz diferente das funções de um Centro Ciência Viva”.

Ora, uma crítica que vem sustentar outras, designadamente de simples cidadãos, mesmo sem serem especialistas na área das ciências e da tecnologia, muitas vezes davam o seu testemunho negativo, sobretudo depois de visitarem as instalações, em boa medida por verificarem uma total ausência de manifestações ligadas ao tema para a qual mereceu tamanha distinção. De resto, este espaço já recebeu desde sessões solenes, aulas de zumba, jantares comemorativos entre outras acções.

Ainda assim, esta decisão da Ciência Viva “não é irreversível e pode ser alterada caso as entidades responsáveis pelo espaço em Porto Moniz tomem as medidas necessárias para garantir os critérios de funcionamento de um Centro Ciência Viva”, observa a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica numa posição flexível mas que pode ser entendido como uma espécie de ‘puxão de orelhas’ ao modo de funcionamento desta unidade instalada na vila da localidade nortenha.

Critérios

Em Abril de 2002, foi definido o conceito de Centro Ciência Viva, pelo então Ministro da Ciência e da Tecnologia, bem como um conjunto mínimo de requisitos a observar para que possa ser reconhecida a determinada entidade o estatuto de Centro Ciência Viva.

“Assim, determino que para que seja reconhecida a determinada entidade o estatuto de centro Ciência Viva é necessário que a mesma reuna as seguintes condições: Não tenha fins lucrativos; Tenha como objecto principal de actividade a promoção e divulgação da cultura científica e tecnológica através de acções dirigidas ao público, com especial vocação para uma actuação junto da comunidade juvenil; Exerça essa actividade de forma continuada; Disponha de um órgão de aconselhamento científico, do qual deverá preferencialmente fazer parte, pelo menos, uma personalidade estrangeira; Institua mecanismos de avaliação periódica e independentemente da actividade da instituição; Assuma o compromisso de cooperar com os restantes centros Ciência Viva através, designadamente, do intercâmbio de pessoal, participação em realizações conjuntas, troca de exposições e partilha de equipamento, constituindo conjuntamente e para esses fins uma rede de centros

Para muitos o Centro de Ciência Viva do Porto Moniz raramente cumpriu estes requisitos, e a resposta foi dada, a julgar, agora.

Sociedades replicam

Também contactamos o presidente do conselho de administração das Sociedades de Desenvolvimento que rejeita qualquer responsabilidade na perda da credenciação do estatuto de Ciência Viva, vincando que a “gestão do Centro é da total competência da autarquia”. António Abreu lembra o contrato que foi rubricado há três anos entre o município e a sociedade de capitais públicos no qual estabelece a gerência do equipamento e de todas as actividades. “Somos apenas um mero senhorio”, declara. Seja como for, diz que, de certo modo, entende o autarca: “O presidente está no seu direito de querer o melhor para a sua localidade. Se acha que o melhor é não ter um Centro do género, pois tem essa legitimidade. A minha opinião é diferente”.

O gestor confirma que os funcionários fazem parte do quadro da Sociedade de Desenvolvimento do Norte e que têm estado à inteira disposição da autarquia para colaborarem nas actividades. Uma situação que também sublinha estar no contrato de concessão, todavia Abreu diz que a directora saiu porque pediu para tal acontecer, estando a exercer funções no Centro Desportivo da Madeira.

Fora da rede

Para acabar com dúvidas basta efectuar uma visita à página de internet da rede de Centros de Ciência Viva para logo perceber que o Centro do Porto Moniz já não consta da plataforma digital que possibilita a promoção de cada uma das 19 unidades existentes em todo o país.