Muita parra pouca uva

16 Abr 2018 / 02:00 H.

Foi uma tarde de muita parra e pouca uva para o Marítimo que, ao ceder um empate perante o Moreirense (ainda esteve a perder) marcou passo na luta pelo quinto lugar que pode dar acesso a uma prova europeia. E foi pena, pois, numa jornada em que as equipas atrás empataram todas (o Rio Ave apenas joga esta noite), os verde-rubros poderiam dar um passo importante na concretização desse objectivo. Agora, se já era difícil, fica mais complicada a missão dos maritimistas.

Tinha razão Daniel Ramos quando, no lançamento deste jogo, considerou-o um dos mais difíceis para o Marítimo, esta temporada, na sua casa. Mas, quiçá, por pressupostos errados.

De facto, o Marítimo esbarrou na muralha construída por Petit, que colocou a formação de Moreira de Cónegos a jogar com duas linhas muito juntas, num bloco muito baixa, com muita gente atrás da linha da bola, cerceando os espaços aos pupilos de Daniel Ramos.

O Marítimo até entrou bem no jogo, com muita posse e boa circulação de bola, mas isso faziam os verde-rubros até ao seu último terço de jogo. Chegados a esta zona do campo, eram por demais evidentes as dificuldades dos maritimistas criarem situações de finalização, pois aí o Moreirense não descia um milímetro, vendendo caro cada pedaço de terreno. Daí ter sido um jogo monocórdico durante toda a primeira parte, disputado num sentido único, o da baliza dos ‘cónegos’, que tapavam todos os caminhos para a sua baliza e. de quando em vez, procuravam sair em contra-ataque, situações que aconteceram de forma muito esporádica. Numa delas os homens de Moreira de Cónegos ficaram a reclamar pénalti num lance entre Pablo e Angelo Neto.

O Marítimo atacava muito, mas faltou-lhe sempre melhor inspiração e encontrar as melhores soluções para chegar a situações de finalização. Tanto que as situações de golo foram quase nulas, à excepção do minuto 43, quando Rodrigo Pinho, após um livre cobrado por Ruben Ferreira, viu o guarda-redes Jhonatan lhe negar o golo.

O Marítimo foi perdendo paciência e clarividência no seu jogo, que foi perdendo também qualidade com o decorrer dos minutos, face ao estoicismo e boa organização defensiva do adversário. Pese embora, nesta fase, tenha o Marítimo até criado as melhores situações para marcar, nomeadamente num chapéu de Rodrigo Pinho à barra e num lance de Joel, que desaproveitou um erro do guarda-redes forasteiro. Daniel Ramos tardou também em mudar qualquer coisa e só o fez quando se viu em desvantagem, numa saída esporádica do Moreirense, com Tozé a ganhar na luta com dois jogadores do Marítimo e isolar-se para o golo.

A ponta final foi de muita entrega, com o Marítimo na busca do prejuízo, mas o melhor que conseguiu foi chegar ao empate num lance de grande oportunidade de Joel, após um remate de Nanu desviado pela cabeça de Alfa.