Pediu ‘mudança urgente’ e foi despedido

Duarte Nuno Dória foi afastado da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência

08 Fev 2018 / 02:00 H.

Duarte Nuno Dória trabalha no SESARAM e, até ontem, fazia parte da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência. No último domingo, comentou, no DIÁRIO, a ‘foto da semana’, em que se viam várias pessoas nos corredores da Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça. O título do pequeno comentário era ‘Mudança urgente’.

No texto, tecia críticas à Saúde e aos Assuntos Sociais sobre as respectivas actuações, no que respeita às altas problemáticas.

Três dias depois desse texto ser publicado, Duarte Nuno Dória sai da Comissão da Dissuasão da Toxicodependênica.

O DIÁRIO questionou-o sobre as razões da saída, mas Duarte Nuno Dória apenas disse que não eram resultado da sua vontade, remetendo qualquer outro comentário para o que havia escrito na rede social Facebook. “Caros amigos, deixei de fazer parte da CDT. Saio orgulhoso do trabalho que fizemos, com as mudanças que introduzimos e com os resultados que conseguimos. Mostrámos ser muito melhores do que aqueles que por lá andaram durante 15 anos. Se calhar foi esse o problema.”

A saída de Duarte Nuno Dória não estará ligada unicamente ao texto de opinião de domingo. Há muito tempo que é ‘persona non grata’ em largos sectores do Governo e do PSD, o que aconteceu depois de ter estado com Miguel Albuquerque, desde a primeira candidatura a líder do PSD.

Foi autor de grande parte da moção de estratégia e do programa de Governo de Albuquerque, na parte que diz respeito à saúde, mas também de textos de opinião muito críticos para o PSD e para o Governo.

Ao contrário que, eventualmente, seria sua expectativa, nunca foi chamado a assumir qualquer cargo no sector. A única excepção foi o cargo de vogal na Comissão de Dissuasão da Toxicodependência.

Entra Cecília Viveiros

Sai Duarte Nuno Dória, entra Cecília Viveiros. A informação proveio da Secretaria da Saúde e surgiu na sequência da divulgação de que aquele membro havia saído contra a sua vontade da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência.

Em nota à comunicação social, o Gabinete de Pedro Ramos disse que “foram detectadas irregularidades na composição dos membros da Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência na Região Autónoma da Madeira, nomeadamente do vogal Duarte Nuno Mendonça Dória, licenciado em Gestão e Administração Pública, por não possuir experiência, formação e curriculum adequado à função a exercer, conforme exigido pela legislação que regulamenta estas comissões, a Secretaria Regional da Saúde informa que o Secretário Regional da Saúde procedeu por seu despacho à sua exoneração”. Esta detecção de irregularidades aconteceu um ano e dois meses depois da referida nomeação e três dias após a publicação de um comentário crítico para o sector da Saúde, da autoria de Duarte Nuno Dória.

A Secretaria informa, igualmente, que Pedro Ramos “nomeou a licenciada em Direito, Cecília Viveiros, por ser possuidora de uma vasta experiência profissional e académica na área”

A Secretaria elenca o vasto currículo da nomeada e lembra que, “com a descriminalização em Portugal do consumo e posse para consumo de Estupefacientes e Substâncias Psicotrópicas, foram instituídas em Portugal as Comissões Para a Dissuasão da Toxicodependência. Assim, o Decreto Legislativo Regional n.º 22/2001/M, de 4 de Agosto, veio adaptar à Região Autónoma da Madeira o regime jurídico em vigor no país”.

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