Paulo Sérgio BEJu expõe Natal em silêncio

‘Festim.celeste inaugura hoje na Casa da Cultura de Câmara de Lobos

07 Dez 2017 / 02:00 H.

Cita José Saramago, Manuel de Freitas e Yvete Kace Centeno para falar de ‘Festim.celeste’. Paulo Sérgio BEJu regressa hoje às exposições individuais e à Casa da Cultura de Câmara de Lobos com uma individual de desenho e de escultura/instalação onde convida a sentir.

O nome remete para os trabalhos criados a esferográfica azul e para a luz. ‘Festim.celeste’ também porque a exposição fica patente ao público na época de Natal. Mais do que isto, é a parte emocional que justifica este nome dado ao conjunto de trabalhos. “Há uma predisposição para nos sentirmos mais cheios, há uma certa magia no ar e eu quis trazer isso para os desenhos, de uma certa forma às vezes até irónica, eu quis trazer isso para os desenhos”, assume o artista plástico.

Além destes, Paulo Sérgio BEJu apresenta a série ‘Casas Comigo’, uma série de 15 casinhas alinhadas criadas também em desenho, um desenho na fronteira com a pintura pela forma como o artista plástico usa as canetas. Diz que não são casas, mas habitáculos de coisas estranhas. “A arte tem essa função de questionar as pessoas, a sua existência, e esta exposição é para questionar uma série de coisas”.

Paulo Sérgio BEJu foi coordenador da Casa da Cultura de Câmara de Lobos. Expôs em 2003, tendo assumido o cargo em 2005, onde ficou durante cinco anos. Isto é quase um regresso a casa agora na pele de artista. E quer surpreender. Fá-lo com um conjunto de seis esculturas, seis pedras suspensas que remetem também para o princípio na Casa da Cultura. Na primeira exposição no espaço cultural, contou, tinha uma instalação chamada ‘A era do vazio’, inspirada num livro do Lipovetsky. O sociólogo lançou mais recentemente ‘A era da leveza’ e Paulo Sérgio BEJu quis remeter para a obra, criando peças que ao mesmo tempo que são pedregulhos e parecem pesados, estão pendurados e são leves. O artista plástico queria falar dessa leveza e do ser ilhéu, dos lugares pequenos que são espécies de ilhas também. “Eu queria falar disso de uma forma quase apaixonada, que tu olhas para estes pedregulhos e começas a observar e vês que há uma cidade pequenina naquele monte. E eu queria essa poesia da paisagem, das coisas”.

Antes de chegar aqui, há objectos que remetem para a árvore de Natal e uma série de plantas desenhadas dependuradas como se de secagem se tratasse que ligam às searinhas, sapatinhos, musgos e ervas de cheiro que marcam o Natal madeirense.

Nesta exposição o silêncio é central. Pára, escuta e vê, convida. “A exposição está distribuída dessa forma: são as casas que nós habitamos quando estás recolhida, quando estás protegida de tudo à volta, que é a tua casa. Então sai da casa e vai ver a natureza e depois reinventa a natureza que é a instalação que está aqui.”.

Paulo Sérgio BEJu pretende criar uma sensação de bem-estar, à semelhança do processo artístico em que o artista anda à procura de um objecto, de uma coisa que depois dá satisfação. “Este processo é um processo às vezes moroso. Mas a vida também não é fácil. É isso que eu quero dizer às pessoas. No fundo é traduzir a arte para a vida, não fazer grande distância. Às vezes as pessoas pensam a arte é para entendidos. Sim. Há uma parte que é para entendidos, mas há uma parte também simples. É sentir. Ponto final.

‘Festim.celeste’ inaugura hoje às 19 horas. Pode ser vista na Casa da Cultura até ao dia 6 de Janeiro.

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