Paulino candidato à Coordenação

‘Bloquista’ já deu conta da sua intenção a Catarina Martins e a Roberto Almada

07 Dez 2017 / 08:57 H.

“Sou candidato”. Foi desta forma que o deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Paulino Ascenção, confirmou estar a preparar uma candidatura à liderança da Coordenação do BE na Região. As eleições internas decorrem em Março, mas o parlamentar já prepara terreno, confirmando ter dado conta da sua intenção à líder nacional do ‘bloco’, Catarina Martins,e também a Roberto Almada, actual coordenador dos ‘bloquistas’ na Madeira.

Uma ‘meia-surpresa’, pelo menos ao olhar de alguns correligionários, que não ficaram surpreendidos com o anúncio que hoje com certeza ganhará outras proporções.

Quase certo será o facto de Paulino Ascenção ter a concorrência de Roberto Almada, no entanto, o parlamentar confessa não ficar atemorizado com o estatuto que Almada regista dentro do partido. Pelo contrário, sublinha. Diz que o BE tem de “alterar a estratégia que tem vindo a ser seguida”, apontando algumas linhas que pretende materializar se ganhar a confiança dos militantes.

Paulino diz que “o BE teve em 2015 os melhores resultados de sempre em eleições Regionais e Nacionais, porém, não está a saber aproveitar esse feito para crescer e afirmar o seu projecto político”. Assiste a uma “acomodação à sombra do resultado, visto como acidental e não como um novo patamar de ambição que o BE deve assumir e procurar consolidar”.

Pelo caminho desfere críticas à actual liderança: “Os resultados nas últimas Autárquicas, fora do Funchal, foram decepcionantes e reflectem as deficiências na organização interna”, sobretudo de uma “não implantação nas localidades e a incapacidade de atracção de novos quadros” e também à “falta de estratégia e de preparação atempada da campanha, juntou-se a falta de meios e eventualmente de vontades”, mais parecendo “um acto para cumprir calendário”, acrescenta.

Considera que, no Funchal, o BE “aumentou o número autarcas eleitos, mas o mérito deve ser imputado a Paulo Cafôfo”, analisa, ademais frisa que a participação na coligação Confiança “foi necessária e fundamental para que o PSD não recuperasse a Câmara”, todavia, “o respeito pelos compromissos e a lealdade para com os parceiros não podem cercear a autonomia nem condicionar a acção do partido”.

Paulino quer um “partido mais dinâmico, mais transparente, com processos internos de discussão e decisão colectivos e participados”, podendo ser “aberto a todos os contributos válidos recolhidos da sociedade, com vários protagonistas para além dos deputados eleitos”.

Ao DIÁRIO, o economista é taxativo: “O Bloco não pode abdicar das suas causas em nome de conveniências circunstanciais, sob risco de perder a sua identidade e utilidade”. Acredita na “força” e na “credibilidade” que vão determinar as opções que terá ao dispor nos desafios futuros. “Não é agora o momento para excluir qualquer opção”, adianta, concluindo que seria “desastroso ficar limitado a uma única opção, refém de terceiros e sem capacidade de enfrentar os combates pelos próprios meios”.

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