Pais de atletas contestam direcção do Ribeira Brava

Em causa a duplicação do valor mensal pago pelos pais na formação

13 Out 2017 / 02:00 H.

Os pais de alguns jogadores dos escalões de formação do Clube Desportivo Ribeira Brava estão descontentes com a direcção, por ter decidido aumentar as mensalidades para o dobro daquilo que pagavam anteriormente.

Uma reunião entre o presidente da colectividade, Rui Gouveia, e os pais dos jovens jogadores dos escalões de formação, realizado há cerca de duas semanas, foi marcado por um clima de alguma crispação. Os pais não gostaram que esse aumento fosse apresentado como um facto consumado, sem possibilidade de discussão. Um dos pais admitiu, no entanto, ao DIÁRIO que o problema não é sequer o aumento da verba, mas sim saber se essa mesma mensalidade é aplicada exclusivamente na formação.

O descontentamento aumentou de tom quando foi sugerido ao presidente que o clube poderia angariar patrocínios juntos das empresas do concelho, por forma a ajudar as crianças. A resposta irónica de Rui Gouveia, que terá dito que para conseguir apoios teriam de vestir saia bem curta e usar um batom vermelho, causou ainda mais desagrado nos pais. Os encarregados de educação queixam-se, ainda, de que Rui Gouveira não foi claro nas respostas às perguntas que lhes foram formuladas, demonstrando alguma arrogância e pouca disponibilidade para o diálogo.

Questionado pelo DIÁRIO, o presidente do Ribeira Brava admitiu que os pais “estão chateados porque estavam com uma quota mensal de 7 euros e nós aumentámos para 15 para fazer face às nossas despesas”. Rui Gouveia lembra que o clube “acima de tudo tem uma função social”, mas acrescenta que para poder assumir essa função social “precisa de apoios”, até porque ao nível do futebol jovem “há cada vez mais exigências no quadro competitivo”, o que implica, igualmente, mais despesas com inscrições, seguros e organização dos jogos.

Ora, prossegue, “se a Câmara e o Governo têm limitações financeiras, nós para fazermos face às nossas despesas temos que aumentar a quota”. Além disso, reforça, “estamos a pedir aos pais apenas uma parte daquilo que nos custa ter um miúdo na formação”.

Segundo o dirigente ribeira-bravense, “o clube está com uma dificuldade imensa, pois temos um campo novo, estamos a atingir valores recordes de participação de miúdos em Outubro e, naturalmente, precisamos de fazer face a tudo isto”. E sublinha: “Perante isto temos duas hipóteses: ou limitamos o número de miúdos na formação ou recebemos todos e, neste caso, temos de ter uma contrapartida da parte dos pais”.

Rui Gouveia recorda que há outros clubes cujo valor a pagar pelos pais a superior. “Quem não estiver satisfeito, pode sempre procurar outro clube, porque nós não podemos diminuir o valor da quota”, sublinha.

O dirigente explica que o facto de este pagamento acontecer apenas nos escalões mais jovens tem a ver, precisamente, com a maior procura. “Nos iniciados, juvenis e juniores é menor a quantidade de praticantes, mas todos estão a pagar. Mas o futsal, o muay thai, a patinagem, o futebol, todos pagam. Não podemos abdicar destas verbas”.

Rui Gouveia salienta, ainda, a dificuldade em encontrar apoios junto das empresas do concelho. “Há inclusivamente pais com filhos no futebol, que têm empresas de sucesso e que não ajudam. Porque não ajudam”, questiona.

O presidente do Ribeira Brava lança um desafio aos críticos. “Os maiores críticos nem são sócios do clube. Pois bem, se estão assim tão interessados na gestão do clube, tornem-se sócios e temos eleições em Março. Foi isso que lhes disse muito claramente”, sublinha.

O dirigente esclarece, ainda, que não houve quaisquer problemas com o seguro do clube. “O que já aconteceu foi miúdos se magoarem num treino, não informarem o treinador e depois irem para casa e dizer aos pais que se magoaram no treino. Agora pergunto? Como é que o treinador vai adivinhar que se magoou no treino. Toda a lesão que seja reportada aos treinadores e a outra responsável, nós fazemos o pagamento da franquia e o atleta é tratado pelos parceiros que nós temos”.

Questionado sobre se irá se recandidatar nas eleições agendadas para Março do próximo ano, Rui Gouveia retorquiu: “Essa decisão será tomada no momento, mas se fosse hoje, naturalmente que a decisão seria não. O meu ciclo está a terminar e há pessoas, há massa crítica, talvez com apoios que não tenho, que podem assumir o clube”, sublinha.

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