Padre Giselo fica com ‘Comunicações’

Padre Giselo poderá dedicar-se a tempo inteiro às comunicações sociais na Diocese

30 Jan 2018 / 02:00 H.

Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais. Assim se chama a estrutura da Diocese do Funchal, que estava e vai permanecer a cargo do padre Giselo Andrade. Paralelamente, o sacerdote vai continuar como director do Jornal da Madeira, funções que assumiu com a privatização do JM e regresso do título (Jornal da Madeira) à Diocese. Com esta decisão, o referido Secretariado terá pela primeira vez alguém dedicado a tempo inteiro às funções, o que, pelo menos em teoria, pode representar um melhoria na forma como a Diocese aborda as questões das comunicações sociais.

Nos últimos anos, a igreja a nível global tem dado cada vez mais atenção às comunicações sociais, o que passa pelas formas mais tradicionais, mas igualmente pelos novos meios, como as redes sociais.

Na Madeira, tem havido um esforço e até uma melhoria, com a igreja diocesana a tentar comunicar mais e melhor, mas ainda há um longo caminho a percorrer, à semelhança do que outras dioceses do continente já fizeram.

Ao nível do País, existe o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais que é responsável pela Agência Ecclesia, Ecclesia Internet, Ecclesia Televisão, 70×7 e Ecclesia Rádio.

Na Madeira, a estrutura é, naturalmente muito mais modesta, mas, ainda assim, a Diocese está presente na Internet, com o site institucional e com o site do Jornal da Madeira, que funciona como uma plataforma para vários conteúdos e que também remete para a presença nas redes sociais. Além disso, a Diocese tem um Gabinete de Informação.

No futuro, poderão ser atribuídas outras funções ao padre Giselo. Foi o que o Diocese afirmou na nota divulgada no domingo à noite, mas sem especificar que funções serão essas.

Na referida nota, a Diocese revelou ter dispensado Giselo Andrade das funções de pároco do Monte, passando o cónego Vítor Gomes a assumir essa responsabilidade, em acumulação com idênticas funções, que já desempenhava na Sé do Funchal.

A mudança na vida e condições do padre Giselo são consequência directa de ter sido pai, em Agosto do ano passado, e de o facto ter sido notícia no início de Novembro.

Logo nessa altura, a Diocese fez saber que o padre havia manifestado desejo de continuar ao serviço pastoral, mas que o futuro de Giselo Andrade seria decidido em conjunto, entre o próprio e D. António Carrilho, com “discernimento feito com serenidade e livre de pressões”.

Na mesma altura, D. António Carrilho lembrou que a igreja perdoa, mas que, se pretendesse continuar em funções sacerdotais, teria de haver “verdadeiro arrependimento e mudança de vida” e que, acrescentou, “a igreja não aceita vida dupla”.

Entretanto, as pressões foram inevitáveis, tanto pelo interesse da comunicação social, como pela comunidade católica, sem excluir os próprios sacerdotes.

O DIÁRIO falou com alguns que revelaram algum incómodo com o adiamento de uma decisão, não o compreendendo.

Na nota de domingo, a Diocese reconheceu a existência de aspectos negativos, em todo o processo. “Toda esta situação gerou nos órgãos da comunicação social e nas redes sociais uma oportunidade de debate e reflexão, mas também uma ocasião ou motivo para questionar e contestar a actual disciplina da Igreja, desconhecendo-se o sentido espiritual da mesma. A Igreja não é estática, é dinâmica; tem uma história que lhe permite reconhecer e avaliar os seus valores e as suas faltas, o positivo e o negativo da sua presença junto das pessoas e da sociedade. As mudanças, porém, não se operam por razões de mera popularidade ou estatística de opiniões.”