“Os meus adversários vão ter de se cuidar”

Alexander Ursenbacher, campeão Europeu de snooker em sub-21

14 Nov 2017 / 02:00 H.

Alexander Ursenbacher está a ‘dar tacadas’ no bilhar, e de que maneira. O filho de mãe madeirense que emigrou para a Suíça fala muito bem português e é aos 21 anos o português mais bem classificado no ranking mundial de snooker, estando colocado na 92.ª posição.

Para além de ser o campeão Europeu em sub-21, o luso-descendente mostra uma abalável confiança nas suas capacidades e não teme qualquer adversário, mesmo depois de cair ontem perante o antigo número um do Mundo (5-2), John Higgins, no torneio de Shangai.

Numa conversa com o DIÁRIO, Alexander não esquece as meias-finais do Open de Inglaterra, que alcançou no passado mês de Outubro, meta que diz ser insuficiente.

Quando começou a interessar-se pelo snooker?

Primeiro, comecei a jogar bilhar [pool] uma vez por semana com o meu pai e apenas durante uma hora. Então, a certa altura, eu vi uma mesa de snooker ao lado e tentei jogar, mas foi muito difícil. Mas não desisti e fui treinando e treinando vezes sem conta até que entrei num clube de snooker em Basileia, quando tinha 12 anos.

Foi difícil iniciar-se na modalidade? Sente que tem um dom?

Eu realmente gostei muito da primeira experiência, mas foi muito difícil no início. Continuei a praticar e, depois de alguns meses, percebi que queria fazer isto por muito tempo, mesmo como profissional. Reconheci que tinha talento e agora estou onde estou.

É preciso muita dedicação para ser um praticante de topo mundial?

Para tornar-se bom no snooker é muito difícil, especialmente porque tens mais decepções do que festejos quanto ao teu próprio sucesso. Tens de continuar a praticar, acreditar nas tuas potencialidades e ficar positivo, mesmo que às vezes isso pareça impossível.

Acredita que o snooker poderia crescer em Portugal, mesmo sendo uma modalidade pouco praticada no nosso país?

Acho que o snooker pode crescer, especialmente em Portugal, porque os praticantes do vosso país jogam com toda a paixão e, uma vez que o interesse está lá, talvez eu também possa ajudar para que a modalidade cresça no país, e assim, a partir daí, muitas pessoas podem jogar e ver um novo desporto de um lado diferente, neste caso o lado do jogador.

Conhece bem a Madeira?

Já estive na Madeira algumas vezes e é uma pequena ilha muito bonita com muitos lugares bonitos. O que me marcou da visita foram as flores. Eu não sei muita coisa da Madeira, mas do que eu conheço é realmente bom.

Qual o segredo para manter a boa forma e evoluir?

Só precisamos de manter-nos positivos e apaixonados em qualquer coisa que fazemos. Se acreditarmos e trabalharmos no ‘duro’ por algo que realmente queremos e amamos, então podemos conseguir qualquer coisa.

O momento mais alto da sua carreira foi este que viveu agora em Inglaterra?

Sim, essa foi de longe a maior conquista da minha carreira chegar a uma semifinal de um torneio profissional. É algo especial e trabalhei duro para isso e sempre acreditei, mas no final das contas é só mais um jogo e eu quero conseguir muito mais no snooker do que uma simples meia-final.

E como foi a conquista do Campeonato Europeu de sub-21?

Foi o melhor sentimento do mundo quando ganhei o Campeonato Europeu, porque eu era amador apenas há dois anos e quando ganhei esse torneio toda a pressão saiu de cima de mim. Todo o mundo estava orgulhoso de mim e tinha muita imprensa na Suíça à espera que regressasse com o troféu. Foi uma semana muito boa e eu também gosto de pensar nessa conquista porque sou o único campeão Europeu que é metade da Suíça e de Portugal.

É o melhor jogador com raízes portuguesas no ranking mundial. Espera subir ainda mais nesta lista?

Eu quero vencer vários torneios e, espero, ser campeão do Mundo um dia, mas é um longo caminho até lá. Por agora o meu sonho é estar nos 32 melhores muito em breve, mas no futuro onde quero estar mesmo é no top 16.

Apenas pratica snooker, como é o seu dia-a-dia?

Ser um profissional de snooker é óptimo, desde que coloques todo o teu esforço no trabalho, só assim serás recompensado. Eu costumo praticar entre quatro e sete dias por semana, caso tenha tempo, e treino entre cinco e oito horas por dia. Preciso de fazer isso se quiser ser mesmo bom, caso contrário não tenho qualquer hipótese.

Qual é o seu ídolo na modalidade?

Ronnie O’Sullivan, sem dúvida.

Os seus concorrentes têm de começar a ter cuidado contigo?

Se eu continuar a melhorar o jeito que tenho até agora, os meus adversários vão ter de se cuidar, porque sei do que sou capaz e sei que posso jogar um estilo de snooker muito perigoso.

Encontrar o John Higgins neste torneio foi um prazer?

Não, não é um prazer, é apenas um jogo como outro qualquer para mim. A única diferença nisto tudo é que eu tenho de jogar melhor para vencê-lo. É claro que ele é uma lenda, mas não fiquei a pensar nisso.