Orquestra fecha com chave de ouro

Último concerto da temporada acontece, pelas 18 horas de amanhã, no Baltazar Dias

13 Jul 2018 / 02:00 H.

A Orquestra Clássica da Madeira (OCM) conclui este sábado, dia 14 de Julho, a temporada musical 2017/2018, no nobre palco do Teatro Municipal Baltazar Dias.

Para assinalar este momento especial, o conceituado e premiado pianista internacional português, António Rosado interpretará o Concerto para Piano e Orquestra de Tchaikovsky.

A segunda parte do programa traz-nos uma das obras mais importantes do repertório sinfónico português, a 4ª sinfonia de Joly Braga Santos, dedicada ‘À Juventude Musical Portuguesa’.

A dirigir estará o maestro Martin André, convidado regular das temporadas da OCM, respeitado e acarinhado por músicos e público.

A Orquestra apresentar-se-á com formação sinfónica e contará (além dos jovens da sua formação) com 13 formandos do Conservatório em estágio artístico e pedagógico.

Os bilhetes para o concerto, que decorre pelas 18 horas de amanhã, estão disponíveis na Bilheteira do Teatro Municipal Baltazar Dias, com o valor habitual de 5 a 20 euros.

“Um intérprete que domina o que faz”

Sobre o solista convidado para este espectáculo de encerramento disse a revista francesa Diapason que é um “intérprete que domina o que faz. Tem tanto de emoção e de poesia, como de cor e de bom gosto”.

António Rosado actuou em palco, pela primeira vez, aos quatro anos de idade. Os estudos musicais iniciados com o pai tiveram continuidade no Conservatório Nacional de Música de Lisboa onde terminou o curso Superior de Piano, com vinte valores. Aos dezasseis anos parte para Paris, e aí vem a ser discípulo de Aldo Ciccolini no Conservatório Superior de Música e nos cursos de aperfeiçoamento em Siena e Biella (Itália). Em 1980, estreou-se em concerto com a Orchestre National de Toulouse, sob a direcção de Michel Plasson e desde essa data tem tocado com inúmeras orquestras internacionais e notáveis maestros.

Com efeito, António Rosado tem uma reconhecida carreira nacional e internacionalmente, corolário do seu talento e do gosto pela diversidade, expressos num extenso repertório pianístico que integra obras de compositores tão diferentes como Georges Gershwin, Aaron Copland, Albéniz ou Liszt.

Esta versatilidade permitiu-lhe apresentar, pela primeira vez em Portugal, destacadas obras como as Sonatas de Enescu ou paráfrases de Liszt, sendo o primeiro pianista português a realizar as integrais dos Prelúdios e também dos Estudos de Claude Debussy.

fsdfsdLaureado pela Academia Internacional Maurice Ravel e pela Academia Internacional Perosi, António Rosado foi distinguido pelo Concurso Internacional Vianna da Motta e pelo Concurso Internacional Alfredo Casella de Nápoles. O músico detém ainda o prestigiado grau de ‘Chevalier des Arts et des Lettres’, distinção concedida pelo Governo Francês em 2007.

Ao seu primeiro disco gravado na década de 80, em Paris, seguiram-se vários outros em Portugal e no estrangeiro. O seu mais recente trabalho foi um disco de autor com o violoncelista Filipe Quaresma, lançado em 2017.

Uma temporada para “ouvir e sentir”

Sem maestro titular e dedicada ao lema ‘Ouça, sinta connosco!’, a temporada 2017/2018 da Orquestra Clássica da Madeira iniciou-se a 23 Setembro de 2017 e incluiu 28 concertos ‘tutti’ e outros quase 30 de música de câmara, a estreia de nove maestros e de algumas obras em primeira audição mundial ou regional. A OCM voltou também a contar nesta temporada com os ciclos Grandes Solistas, Grandes Obras, Jovens Solistas e ganhou um outro dedicado aos Concertos para Violoncelo.

De destacar da lista de estrelas que se apresentaram com a OCM os maestros Jean-Marc Burfin (convidado para o concerto de abertura da temporada), Evan Christ, Francisco Loreto e Nuno Coelho e os solistas Amihai Grosz (primeiro violino da Filarmónica de Berlim), Mário Stefano (acordeonista) e Roby Lakatos (violinista).

Para o director artístico Norberto Gomes a possibilidade de levar ao público este elenco de convidados “fez desta temporada um fascinante e orgulhoso desafio para a nossa instituição”. Em suma, “foi uma proposta artística atenta, ambiciosa e ponderada”.

Esta temporada privilegiou ainda o aspecto estético, a cargo do artista associado, Filipe Gomes. Numa óptica de relação entre a música e a natureza, o designer deu a conhecer ao público surpreendentes paisagens e recantos do arquipélago da Madeira. Neste último concerto será apresentada uma fotografia do Funchal-Vista Cabo Girão.