Oito anos de saldo natural negativo

2016 fecha com diminuição de 4,7% de nascimentos. Acumulado desde 2009 é de -17,1%

21 Mar 2017 / 02:00 H.

O saldo natural na Região Autónoma da Madeira continua a diminuir e até agravou-se em 2016, atingindo a diminuição mais acentuada desde que há registos. Desde 1971 até ao final do ano passado, o número de nascimentos face às mortes no arquipélago nunca tinha diminuído tanto em termos percentuais, -4,7%, mas pior mesmo é que é o acumular de oito anos consecutivos de saldo negativo.

Desde 2009 até 2016 o saldo negativo acumulado atingiu os 17,1%, como referido tendo o forte contributo do ano passado, mantendo-se assim a tendência de menos nascimentos do que óbitos gerais. Para pioras o cenário, o número de nascimentos diminuiu face a 2015.

Se nesse ano se havia repetido 2010, com o aumento de nascimentos em relação ao ano anterior, mas porque tinham ocorrido mais mortes daí o saldo ter sido negativo, desta feita 2016 voltou ao ‘normal’ curso da história. Há vários anos que se assiste a uma diminuição consecutiva do número de nascimentos, enquanto as mortes se mantiveram relativamente estáveis, contribuindo assim para o referido saldo negativo reforçado.

“Os resultados preliminares das estatísticas demográficas na RAM, para 2016, indicam um saldo natural negativo de 755 indivíduos (-664 em 2015)”, frisa a Direcção Regional de Estatística da Madeira. Em termos históricos, o ano mais negativo continua a ser 2014, com -995 entre nascimentos e mortes.

“Foram registados 1.856 nados vivos de mães residentes na RAM, correspondendo a uma diminuição de 4,7% comparativamente ao ano anterior (1.947), esclarece. Já “o número de óbitos registados neste período foi igual ao observado em 2015 (2.611)”, nota o facto, no mínimo, curioso.

À beira do ideal na morte infantil

Infelizmente, também “foram averbados 5 óbitos com menos de 1 ano e 2 fetos mortos”, no entanto “valores inferiores aos registados no ano transacto (7 em ambos os casos)”, salienta.

Facto notável e de realce é que, neste particular, nunca foram registados tão poucos fetos mortos. Em 1970 foram contabilizados 147. Há 36 anos (1980), diminuíra para quase metade (76). De anos depois (1990) quase duas vezes menos (29) e em 2000 ainda ocorreram 22. Em 2010, foram 7. O ideal, sobretudo para quem procura ter filhos, é atingir o número zero.

É certo que os óbitos com menos de 1 ano, voltaram a diminuir, mas ainda assim em 2008 tinham sido registados apenas três casos de infelicidade. Contudo e voltando a 1970, os números eram assustadores, um total de 478, nem se contando os anos para trás. Nas últimas décadas, muito a medicina melhorou e os cuidados de saúde e condições de vida das famílias melhorou para que em 1980 (115), em 1990 (43), em 2000 (26) e em 2010 (5), se chegasse a níveis muito próximos da perfeição.

A concluir, a DREM destaca que, em 2016, “registaram-se 858 casamentos, mais 8,2% que em 2015 (793)”, o número mais alto de matrimónios dos últimos cinco anos, que coincidiu com o longo período de crise económica e financeira. Desde 2011 (900), a fasquia acima dos mil casamentos nunca mais voltou a ser ultrapassada, pois desde 1984 (1.997) até 2010 (1.031) manteve-se este nível. O ano de 1983, foi o último ano com mais de dois mil casamentos na Região (2.090).

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