Os anos passam

Constrangimentos da rede viária são apontados por quem circula na vila. Mas a freguesia da Ribeira Brava regista outros problemas: precariedade social e habitacional e o desemprego jovem que obriga à emigração

05 Nov 2017 / 02:00 H.

Na Ribeira Brava o tempo da vida é igual ao tempo de outras freguesias, mas os anos passam e, aparentemente, alguns problemas parecem ficar debaixo do ‘tapete’ ou atrás da ‘porta’ – entenda-se esquecidos. E a culpa é de quem? O povo diz que é dos políticos. Mas nem tudo foi mau. Finalmente o velhinho campo municipal foi remodelado e o gimnodesportivo melhorado. Falta avançar para a escola a ‘cair aos bocados’.

São perto das 10h30 e junto à estátua do Visconde de Herédia não se demora muito em ouvir velhas questões que complicam a vida dos munícipes, dos comerciantes, dos empresários, dos turistas e até dos pensionistas, os mesmos que se entretêm em jogar logo pela manhã às cartas.

“São pequenas pedras nos sapatos”, acredita Manuel Gouveia entre uma mão cheia de trunfos que possuía. Recorda a estrangulada rede viária que na sua opinião provoca constrangimentos aos automobilistas e que, por consequência, afasta clientela dos negócios, esmagadora com as explanadas por preencher a esta hora.

Há muito que se escuta que é necessário encontrar uma solução à circulação rodoviária, mas a solução tarda em sair do papel. Muitos acreditam que tudo mudaria. Para melhor. Muito melhor.

Do outro lado da mesa, José joga para o ‘tabuleiro’ o estado “terceiro-mundista” do cais. Acredita que fica longe de beneficiar a imagem que querem atractiva, tal como não ajuda o depósito de inertes numa zona nobre que outros fazem questão de não deixar esquecer.

Ouve-se na esquina mesa que faltam docas para os autocarros – curiosamente um jogador relembra que essa era uma proposta do candidato à Câmara pelo JPP – que continuam a estacionar numa faixa de rodagem que deveria estar aberta à circulação.

Pelo vale acima, detivemo-nos numa esplanada de uma pastelaria, Flor do Vale. Metemos conversa questionando o que mais faz falta à localidade. De pronto reclama-se um auditório. Um espaço há muito aguardado onde se pudesse realizar ou acolher espectáculos e não fosse necessário deslocalizar os eventos para freguesias vizinhas quando os mesmos devem ser cobertos. Não sendo, a alternativa é a frente-mar e alugar uma tenda, observam. “A Ribeira Brava merece um espaço destes”, justificam muito mais por ser sede de concelho.

E porque o tema é cultura, ali mesmo, a escassos metros da entrada do edifício moderno de uma empresa de informática, em pleno coração do Brava Valley, recordam-se estado lastimável das sedes da Casa do Povo ou da Filarmónica, exemplos que não dignificam os pergaminhos das instituições, mas votadas ao esquecimento tal como esquecida parece estar a escola básica que abre em altura de eleições.

Mas o tempo e a vida não giram somente no perímetro do vale e da frente-mar que já foi ponto de paragem de autocarros da Rodoeste que chegavam ‘à cunha’ de passageiros em rota para a zona Oeste. Nas zonas altas a precariedade existe e o desemprego obriga a emigrar.

Maria é um de muitos exemplos. Viu o marido arrumar a mala traçando rumo à Suíça à procura de trabalho na construção que demorava a chegar. Para trás deixou a Furna, duas filhas menores e a mulher.

No casario cercano nem os raios de sol perpendicular conseguem encegueirar a precariedade de algumas habitações. Muitas por pintar, nota-se que o cimento fresco ajudou acrescentar um ou outro “quartinho” para disfarçar a dureza de não ter conforto ou enquanto o tempo não troca as voltas à vida. Assim queiram os políticos.

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